domingo, 15 de março de 2009

O CARRO CELESTIAL DE AYRTON SENNA - Artigo mais lido.


Livro inédito:
FHC, COLLOR, ITAMAR, MALUF, SARNEY E ENEAS SEM MÁSCARAS

(E TAMBÉM ACM, ROBERTO MARINHO, BRESSER PEREIRA, JÂNIO QUADROS, JUSCELINO KUBITSCHEK, ETC)


Capitulo: XXXIV

O CARRO CELESTIAL DE AYRTON SENNA

Evoquei neste livro as figuras de várias dos nossos políticos. Apareceram o Fernando Henrique, o Collor, o Maluf, o Sarney, o ltamar Franco, o Enéas, o Amaral Netto, o Antônio Carlos Magalhães, o Jânio Quadros, o Juscelino Kubitschek, etc, etc. Políticos vivos e mortos. Descrevi os lances de suas existências e, de alguns, os seus negativos aspectos morais. Confesso: ao narrar certos fatos me senti enojado. Pois bem, a fim de formar um contraste com esses aspectos negativos e com esses fatos, eu resolvi evocar, no Ultimo capitulo deste livro, um brasileiro já falecido, que não era político, que nunca ocupou qualquer cargo público, mas cuja vida curta foi um belo exemplo e um grande estimulo para todos nós, filhos de uma pátria onde a política se tornou sinônimo dos substantivos ‘mentira, hipocrisia, ladroeira, falsidade, incapacidade, corrupção’. Refiro-me a Ayrton Senna.
Eu não sou esportista e nunca fui adepto de nenhum esporte. Não sei nadar, nunca corri como um atleta e detesto as lutas de boxe. Também não gosto de automobilismo. Sou apenas um escritor, um cerebral, um homem apaixonado por livros e pela cultura. Não há para mim maior prazer do que o de ler e escrever, mas confesso que a morte do piloto Ayrton Senna me causou uma profunda emoção. Fiquei muito triste e o meu coração se encheu de pena.
Apesar de não gostar de automobilismo, no qual enxergo uma loucura e não um esporte, eu admirava a coragem de Senna. O seu patriotismo me comovia. Mesmo sem querer, lutando contra os meus próprios sentimentos, a emoção se apoderava da minha alma, quando via Ayrton Senna agitar a nossa bandeira, após ser o vencedor de uma corrida internacional. Um nó se formava na minha garganta e eu engolia a seco. Aquele rapaz modesto, erguendo a nossa bandeira, me devolvia o orgulho de ser brasileiro e conseguia tirar do meu coração, por alguns momentos, o ódio, a fúria, a revolta, que nunca deixei de alimentar contra os nossos políticos corruptos.
Ayrton Senna, nesses instantes, foi para mim a imagem do Brasil dinâmico, valente, idealista, vitorioso. Os dois se mesclavam, Senna e o Brasil. Ambos eram campeões, ou Senna era o Brasil e este era o Senna.
Quem poderia, como ele, encher o nosso peito de orgulho? O Antonio Rogério Magri, ex-ministro do Trabalho e da Previdência Social, que aceitou um suborno de 30 mil dólares? O deputado José Geraldo, do PMDB de Minas Gerais, que metendo a mão nos cofres públicos os criou três entidades sociais fantasmas, com sedes também fantasmas? O risonho, o vaidosíssimo Fernando Henrique Cardoso, deslumbrado presidente da Republica que entregou o Brasil aos agiotas do FMI e que não fez nada, absolutamente nada, em prol do seu país?
Esta gente sempre nos desiludiu. Mas Ayrton Senna estufava o nosso peito, fazia desabrochar em nossas caras, mesmo que não fosse na primavera, a nacarada flor do sorriso, da alegria apetecida. Ofertava esse prazer ao povo e ainda o socorria, pois só agora se sabe, depois de sua morte, que ele ajudou em segredo, às ocultas, deficientes físicos e entidades assistenciais. Deu milhares de dólares à Fundação Abrinq, à Associação de Assistência a Criança Defeituosa, ao Centro de Reabilitação do Hospital das Clinicas. Graças aquele piloto de ar tímido e gestos simples, máquinas caríssimas foram adquiridas no Exterior, como o aparelho Cybex, utilizado nas avaliações musculares. Com o dinheiro que ganhava nas pistas, arriscando a vida, Ayrton Senna patrocinou o tratamento de centenas de crianças carentes, portadoras de distúrbios cerebrais ou neurológicos.
Ele salvou a vida da jovem Regiane Maria dos Reis, que sofria de cirrose hepática crônica e necessitava urgentemente de um transplante de fígado. Os 65 mil dólares doados por Senna pagaram a operação da moça. E a sua bondade também favoreceu, no estado do Acre, uma instituição de assistência médica a índios e seringueiros, fundada pelo Chico Mendes. Inimigo do espalhafato, da caridade ruidosa e ostensiva, Senna exigia que essas ações jamais fossem reveladas.
Rapaz de olhar meio triste, Ayrton Senna declarava que durante as corridas, quase sempre, tinha o costume de conversar com Deus. Aliás, em 1988, após conquistar os seu primeiro título mundial no Japão, ele afirmou que havia contemplado Jesus Cristo num trecho do autódromo, antes do fim da prova. Leiam as suas palavras:
- Eu estava agradecendo a Deus pela vitória. Deus me presenteou. Era um presente enorme, essa vitória. Mesmo rezando eu estava superconcentrado, me preparando para uma curva longa, de 180 graus, quando vi a imagem de Jesus. Ele era tão grande, tão grande... Não estava no chão. Estava suspenso, com a roupa de sempre, e uma luz em volta. O seu corpo inteirinho subia para o céu, alto, alto, alto, ocupando todo o espaço. Eu vi essa imagem incrível, enquanto guiava o carro de corrida. Guiava com precisão, com força, com...
Ai, nesse momento, Ayrton Senna ficou mais emocionado, os seus olhos se umedeceram e ele acrescentou:
- É de enlouquecer, não é? É de enlouquecer...
Que moço estranho, o Ayrton Senna! Pairava no seu rosto a melancolia das criaturas que morrem cedo. Ayrton era um místico, um médium com o dom de ter visões, um ser repleto de bondade, de espiritualidade.
Agora eu o vejo como um espírito de luz, guiando no espaço negro da morte um belíssimo e resplandecente carro de corrida. Para onde vai esse carro etéreo, mais veloz do que os carros de corrida do nosso planeta? Vai em direção a Luz Suprema, à luz de todas as luzes, à luz que ressuscita os mortos e que se chama Deus. E de onde vem a força desse carro celestial do Ayrton? Vem de sua alma, da sua bondade, da sua piedade, da humana ternura do seu coração sensível e extremamente generoso...

A mocidade é bela, mas a desses cretinos é horrenda

No dia 10 de fevereiro de 2009, o calouro Bruno Ferreira, de vinte e um anos, do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, em Leme, no interior do estado de São Paulo, foi levado em coma alcoólico para a Santa Casa daquela cidade. Dezenas de veteranos, aos berros, ou melhor, aos zurros, no decorrer de um trote, agrediram Bruno e outros calouros com chibatadas, obrigando-os a comer ração de cachorro, a nadar numa lama fedorenta, a ingerir grande quantidade de vodca e cachaça, a tomar banho no meio de montes de estrume, de restos de animais mortos. Um espetáculo ignóbil, de pura selvageria, de legitimo sadismo.
Na Universidade Federal de Goiás, os veteranos também embebedaram os calouros. Depois puseram coleiras neles. Uma jovem de dezenove anos desmaiou, mergulhada na embriaguês. Foi conduzida às pressas, em agudo estado de coma etílico, para o Hospital de Urgência de Goiânia.
Priscila Muniz, grávida de três meses, caloura de dezoito anos, teve de ser internada num hospital da cidade de Santa Fé do Sul, a 625 quilômetros de São Paulo, após sofrer no trote queimaduras de segundo grau, tanto nas costas como nas pernas e nos braços. A veterana que a atacou, valendo-se de forte mistura líquida de tiner e creolina, é aluna do curso de Pedagogia, ambiciona ser professora... Ela se aproximou da vítima e garantiu:
-Se eu não pegar você agora, vou pegar amanhã.
Tentando escapar, Priscila respondeu que estava grávida, mas mesmo assim a cretina despejou o líquido. Atingida, bem queimada, a caloura começou a passar mal, a perder os sentidos, antes de ser atendida no pronto-socorro.
O trote violento, bárbaro, tornou-se instituição sagrada no Brasil, pois os que o praticam, na maioria das vezes, não são punidos. A lei não existe para esses criminosos sádicos.
Em 1999, o estudante Edison Tsung Chi Hsueh morreu afogado numa piscina na USP, durante um trote regado a álcool, maconha e lança-perfume. Vomitando insultos, palavrões, os veteranos do curso de Medicina dessa universidade, mais de cinquenta, atiravam os calouros na água e pisavam nas mãos dos que, agarrados às bordas da piscina, queriam sair. Edison, rapaz tímido, de pesados óculos de grau, não sabia nadar. Ao fazer a autópsia, os legistas não encontraram, no seu cadáver, vestígios de álcool ou de drogas.
O DHPP, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, investigou o caso. Logo veio a público um vídeo onde Frederico Carlos Jana Neto, o “Ceará”, sextanista do curso de Medicina, afirmou sorridente numa choperia, junto de vários amigos:
-Eu matei o japonês. Sim, eu matei o japonês que se afogou!
Interrogado pela polícia, ele disse:
-Juro, isto foi apenas uma brincadeira de mau gosto!
“Ceará” ficou quatro dias preso. Alunos e mestres da Faculdade de Medicina protestaram contra a sua detenção. Oito professores da USP o visitaram, hipotecando-lhe solidariedade.
Quatro veteranos, acusados de causar a morte de Edison, livraram-se da ação penal no ano de 2006, porque o Supremo Tribunal de Justiça trancou a ação, devido a “falta de justa causa para embasar a denúncia”.
Hsueh Feng Ming, engenheiro civil e pai do estudante Edison Tesung Chi Hsueh, perdeu a esperança de ver a condenação dos assassinos do seu filho e morreu de desgosto em 2008.
Amigo leitor, faço questão de salientar: rapazes como esses estudantes criminosos pensam que ser jovem é mostrar-se perverso, imbecil, débil mental. Não, seus idiotas. Ser jovem é agir como criatura inteligente, repleta de alma, de coração, de sentimentos nobres.
A mocidade é bela, mas a desses cretinos é horrenda

Sou, modéstia à parte, um escritor e jornalista superorganizado. Nunca abro a boca, nos debates dos programas de rádio ou de televisão, para falar sobre assuntos que não conheço. Já deixei nesses debates muita gente em situação difícil, pois estou extremamente bem informado. Documento tudo, posso provar tudo, graças às informações extraídas do meu rico arquivo, fruto de mais de quarenta anos de minuciosas pesquisas, de cuidadoso recolhimento de dados.
Adoto também esse método para escrever os meus livros e os meus artigos. Portanto o que vou informar aqui não pode ser posto em dúvida.
No ano de 1962, os veteranos de Medicina da PUC de Sorocaba, agarraram um calouro e o despiram. Em seguida ele foi colocado num barril cheio de água e volumosa quantidade cal. Consequência: o calouro morreu com a pele em fogo, toda queimada. E observem, os jovens cretinos que fizeram isto eram estudantes de Medicina! Imagine agora, amigo leitor, quantos pacientes eles mataram, se lograram concluir os seus cursos...
Em 1973, calouros da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz, de Piracicaba, foram obrigados a comer grama com urina de porco. Resultado: tiveram diarréias e vários pegaram graves infecções intestinais.
Em 1980, num trote, o jovem Carlos Alberto Sousa, por não permitir o corte dos seus cabelos, recebeu golpes nos rins, no estômago, no fígado, no peito. O agressor teve uma pena leve: apenas cinco anos de prisão.
Ainda em 1980, na Academia Militar de Realengo, do Rio de Janeiro, um calouro, depois de ser amarrado a trilhos de trem, sofreu um enfarte fatal.
Em 1992, surrado por veteranos do curso de Educação Física da Faculdade Maria Teresa, de Niterói, o calouro Roberto Alcântara de Oliveira quase perdeu a vida.
Em 1994, os veteranos queimaram vinte calouros com o corrosivo nitrato de prata, na Escola Técnica Conselheiro Antônio Prado (ETECAP), de Campinas.
Em 1997, desfigurado por socos e pontapés, a sangrar, o calouro Mário César Caliman tentou fugir do ataque dos veteranos, internando-se num matagal, onde aranhas venenosas o picaram, Submetido aos cuidados de médicos e enfermeiras de um hospital, Mário conseguiu sobreviver.
Em 2006, quinze veteranos da Universidade Federal de Uberlândia, forçaram um calouro a se deitar sobre um enorme formigueiro. O moço, sob centenas de picadas, ficou com o corpo todo ferido, inchado, ensanguentado. Dores insuportáveis o atenazaram no leito de um hospital, ele nem podia dormir. Dois dos seus agressores foram expulsos da universidade e treze ficaram suspensos por quatro meses. Pena leve...
A ferocidade dos jovens cretinos se expande de todas as maneiras. Orgulham-se de ser burros e perversos. As feras carniceiras – os tigres, os leões, os abutres, os crocodilos – são melhores do que eles, porque matam por imposição da lei da sobrevivência, mas os jovens cretinos ferem, espezinham, torturam, assassinam, por cálculo e sadismo, pelo exclusivo prazer de causar o mal.
Há poucos dias um estudante da Universidade Mackenzie agrediu sem nenhuma razão, no Jardim Guanabara de Campinas, o mendigo Irenaldo Onofre Salvador Júnior, homem fraco, doente, quase cego. O estudante raspou-lhe a cabeça, quebrou os seus dentes e encharcou as suas roupas com álcool.
Eu sinto pena do Brasil, ao olhar esses jovens degenerados. Poderemos confiar neles, quando se tornarem médicos, advogados, professores, engenheiros, políticos?
O poeta latino Ovídio escreveu estas palavras nas “Heroïdes”, coletânea de versos elegíacos:
“Ars fit, ubi a teneris crimen condiscitur annis” (verso 25 do capítulo IV).
É um verso que pode ser traduzido assim, de modo mais extenso:
“Quem desde os seus primeiros anos se acostuma com a maldade, faz logo do crime uma arte”.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Ricardo Noblat, de “O Globo”, não errou!

Leitora assídua da coluna de Ricardo Noblat, do jornal “O Globo”, a professora carioca Ana Rocha Moreira não se conforma com as críticas que ele vem sofrendo no referido matutino, por parte de uma equipe chefiada pelo Aluizio Maranhão. Leiam um trecho da carta de Ana, enviada a mim:
“Aluizio Maranhão condenou o Noblat, da sucursal de Brasília, porque ele disse no texto ‘Boa sorte, Obama!’, publicado na edição do dia 10 de novembro de 2008 de ‘O Globo’, que ‘Lula desfruta de uma popularidade de que presidente algum desfrutou”. Sublinhei o ‘desfruta de’. No entender do Aluizio e do seu grupo, a frase do Ricardo contém um vistoso erro de português, pois o verbo desfrutar, alegam eles, ‘não pede preposição’. Para o grupo o correto é assim: “desfruta uma popularidade”. Ora, volta e meia eu vejo em livros, jornais e revistas, à farta, este verbo com a preposição de. É uma regência aceita no Brasil, há dezenas de anos. Nas questões de linguagem, o uso, em casos dessa natureza, faz a regra. Concorda?”
Eu concordo professora. Basta dizer que no verbete desfrutar, inserido na página 484 do “Dicionário de usos do português do Brasil”, coordenado pelo professor Francisco S. Borba (Editora Ática, São Paulo, 2002), foram registradas estas três construções:
“...o passarinho de minha história desfruta de liberdade ampla e irrestrita.”
“O Brasil desfrutou de condições muito favoráveis.”
“O Sr. Gabriel Bernardes desfrutou de elevado conceito.”
A primeira frase é do jornal “O Popular”, de Goiânia; a segunda é do livro “Os servos da morte”, de Adonias Filho, lançado em 1965; e a terceira é do diário “Correio do Povo”, de Porto Alegre. Exemplos eloqüentes de uma regência adotada por jornais sérios e um escritor culto. Não se justifica, portanto, a crítica do Aluizio Maranhão e da sua equipe ao texto do Ricardo Noblat. Ele, Aluizio, e a tal equipe, precisam atualizar-se e deixar de agir como cegos fiscais da língua portuguesa.
Todavia, a história não acaba aqui. Mereceu mais uma censura da professora Ana Rocha Moreira a crítica irracional do Aluizio e do seu grupo a um outro texto do Ricardo Noblat, intitulado “Como jabuticaba”, aparecido na edição do dia 17 de novembro de 2008 de “O Globo”. Procedendo como um Hitler, como os ditadores do III Reich da Gramaticolândia, eles reprovaram fascistamente, nazistamente, esta construção do Noblat:
“...5% da receita do município servem para pagar os vereadores...”
Correção do Aluizio e da sua turma:
“...servem para pagar aos vereadores”...
Aluizio e o seus cupinchas não evoluíram, só aceitam, com o verbo pagar, o objeto indireto de pessoa. Esconjuram a sintaxe pagar alguém. Ora, Antonio de Moraes e Silva, no clássico “Diccionario da lingua portugueza”, cuja primeira edição é de 1813, já havia apoiado esta regência ao dar quatro exemplos:

I – Pagar as tropas.
II – Pagar os criados.
III – Pagar os trabalhadores.
IV – Pagar as dívidas.

Como observou Antenor Nascentes no livro “O problema da regência”, a primitiva transitoriedade direta do verbo pagar é que permitiu, ao nosso idioma, transformá-lo num transitivo direto, com objeto de pessoa.
Concluindo: a crítica do Aluizio Maranhão e de seus auxiliares aos textos do Ricardo Noblat não foi só injusta. Foi antes de tudo desastrosa e trouxe à nossa memória estas palavras do moralista francês Vauvenargues (1715-1747), colocadas nas “Réflexions et Maximes”:
“O erro é a noite dos espíritos e a armadilha da inocência”.
(“L’erreur est la nuit des esprits et le piège de l’innocence”).

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Escritor e jornalista, Fernando Jorge é autor do romance satírico “O grande líder”, cuja 5ª edição foi lançada pela Geração Editorial.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O gringo que veio ao Brasil para insultar Santos Dumont

Quem me chamou a atenção para o insulto, o jato de lama podre arremessado por um gringo na imagem de Santos Dumont, foi o meu amigo Emil Farhat, autor de algumas obras clássicas da moderna literatura brasileira:
- Fernando, saiu na “Folha de S. Paulo” um ataque contra Santos Dumont, feito por um jornalista norte-americano. Ele afirmou que o Pai da Aviação "não é ninguém”.
Fui logo comprar a “Folha”, pois sou um dos biógrafos do genial inventor, um dos mais belos símbolos da nossa nacionalidade, autor de “As lutas, a glória e o martírio de Santos Dumont”, obra que me fez ganhar dois prêmios: o diploma Pioneiros da Aeronáutica, da Fundação Santos Dumont, e o diploma e a medalha Ordem do Mérito Aeronáutico, concedidos pela Comissão de Alto Nível do Ministério da Aeronáutica, durante a gestão do brigadeiro Paulo Salema Ribeiro.
O gringo que procurou enxovalhar o imperecível Santos Dumont se chama Barth Schwartz. Eis como ele se refere ao nosso patrício: '
"Tinha um quê de obsessão e talvez de megalomania. Se Brasília não for obsessão e megalomania, então não sei o que pode ser. Se Kubitschek não foi um megalomaníaco, ninguém mais foi. E fracassou. Assim como o Brasil, e Santos Dumont".
Difamador profissional, Barth Schwartz insultou de uma só vez o presidente Juscelino Kubitschek, o Brasil e Santos Dumont, que no seu entender não passam de "três fracassos". Depois este americano arrogante ainda teve a coragem de ridicularizar a Força Aérea Brasileira, da qual Santos Dumont é patrono:
"Fui a Petrópolis e me mostraram a casa de Santos Dumont. Não pude entrar, porque havia a banda da Força Aérea, tocando em homenagem ao Pai da Aviação. Era uma banda felliniana. Todos de uniforme. Sempre que um americano vê um latíno-americano de uniforme, não o leva a sério. Todas as associações com uma república de bananas vêm à cabeça".
Na ânsia de insultar o Brasil, o grosseiro Barth Schwartz observou, referindo-se ao nosso grande inventor.
"É interessante que ele fosse brasileiro. O fracasso dele é muito brasileiro".
Portanto, na sua opinião, Santos Dumont foi um fracassado, como fracassados somos todos nós, brasileiros. Vitoriosos são os filhos do Tio Sam, que levaram uma surra monumental na guerra do Vietnã e que agora, no campo da eletrônica, da tecnologia e da indústria automobilística, estão sendo esmagados pelos japoneses...
Um fato é incontestável: Santos Dumont, em 23 de outubro de 1906, conseguiu voar com o seu 14-bis. Esse vôo foi realizado diante dos membros do Aero Clube de Paris e de uma imensa multidão. Quanto a isto não há dúvidas, e a revista “The Illustrated London News”, a mais importante da Inglaterra, informou no seu número 3.524, do dia 3 de novembro de 1906, evocando essa proeza:
"The first flight of a machine heavier than air: Santos Dumont winning the Archdeacon Prize".
("O primeiro vôo de um aparelho mais pesado que o ar: Santos Dumont ganha o Prémio Archdeacon")
Por que Barth Schwartz está enlameando a glória de Santos Dumont? É simples: ele nasceu em Dayton, no Ohio, na mesma cidadezinha dos irmãos Wright. E o vôo de ambos, segundo asseveram os ianques, ocorreu em Kitty Hawk, na Carolina do Norte, no dia 17 de dezembro de 1903. Mas até os historiadores norte-americanos da aviação duvidam desse vôo, pois David C. Cooke indaga no seu livro “Who really invented the airplane”:
"Será que os Wrights realmente voaram naquele dia, na Colina Kill Devil? E se de fato o fizeram, foram os primeiros a elevar-se nos ares com asas construídas pelo homem? Será que inventaram mesmo o avião"? .
A fúria desvairada de Barth Schwartz contra Santos Dumont, se a analisarmos de modo frio, é o ódio impotente de um gringo que foi derrotado pela verdade histórica.
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Escritor e jornalista, Fernando Jorge é autor do livro “As lutas, a glória e o martírio de Santos Dumont”, cuja 5ª edição foi lançada pela Geração Editorial.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

A CORRUPTITE, DOENÇA CRÔNICA E ANTIGA DO BRASIL

É uma doença antiga do Brasil a corruptite, mas ela não prejudica os que carregam o seu vírus no sangue. Só causa danos ao povo, à massa sofrida dos trabalhadores mal remunerados, a uma gente pobre e injustiçada.
Doença crônica da nossa pátria amada, salve, salve, a corrupti-te levou um grande orador, o padre Antônio Vieira, a soltar estas afirmativas, perguntas e respostas num sermão pronunciado em 1665:
“Perde-se o Brasil (digâmo-lo em uma palavra) porque alguns ministros de Sua Majestade não vêm cá buscar nosso bem, vem cá buscar nossos bens... EI-Rei manda-os tomar Pernambuco e eles contentam-se com o tomar... Toma nesta terra o ministro da Justiça? Sim, toma. Toma, o ministro da Fazenda? Sim, toma... Toma o ministro da República? Sim, toma. Toma o ministro do Estado? Sim, toma..."
Autoridades do rei dom José I, na época do Brasil Colonial, exibiam as suas gananciosas unhas aduncas até na palma da mão, e os outros figurões também, como os contratadores de diamantes. Esses contratadores arrendavam do Estado as jazidas. João Fernandes de Oliveira, um deles, apaixonou-se pela negra Xica da Silva e tinha palácios, templos, edifícios opulentos, minas de ouro. Uma riqueza oriunda das infrações que ele cometia contra o erário do reino. Sabendo disso, o marquês de Pombal o obrigou a pagar, ao Estado português, a imensa quantia de 11 milhões de cruzados.
Fiscais e meirinhos se locupletavam às custas de safadezas, mormente na barroca Minas Gerais do século XVIII.
Se Brasil Colonial já era um país de corruptos, o Brasil Império não ficou atrás, também foi uma Corruptolândia.
Narra Moreira de Azevedo no seu livro “Mosaico brasileiro” (Editora Garnier, Rio de Janeiro, 1869, página 135), que tendo ocorrido um roubo no Tesouro Público do Império, uma pessoa transmitiu esta notícia ao marquês de Maricá. O assalto, observou o informante, havia sido praticado “por uns miseráveis”. Indignado, o marquês de Maricá respondeu:
- Miseráveis! Miseráveis! Ah, meu caro amigo, o roubo de milhões enobrece os ladrões.
De fato, em larga escala, a desonestidade no Brasil dava foros de nobreza. Filosofando, o povo dizia:
“Quem rouba um tostão é ladrão. Quem rouba um milhão é barão.”
Cínicos e audaciosos, os corruptos se multiplicavam nas épocas de dom Pedro I e de dom Pedro II. E os monarquistas não me venham com essa história de que nos reinados de ambos só se via, em toda parte, a decência, a honradez, a probidade administrativa. O britânico Henry Coster, autor do livro “Travels in Brazil”, publicado em Londres no ano de 1816, afirmou o seguinte nessa obra: aqui, no tempo de dom Pedro I, eram comuns o peculato, a corrupção, vários delitos, porém os autores desses crimes escapavam da Justiça. Van Halle, outro europeu, ficou escandalizado em 1881, quando soube que o governo de dom Pedro II reintegrara no serviço público alguns agentes de polícia exonerados por desonestidade.
Após a queda do Império em 1889, os corruptos da República substituiram em numerosos postos os corruptos do regime monárquico. Ratos ocuparam os lugares de outros ratos. Eles, como os da mesma espécie do Segundo Reinado, passaram a navegar calmamente nas águas mansas da Corruptolândia. Ao ver essa afrontosa tranqüilidade da rataria, o austero barão de Lucena, ministro da Fazenda, escreveu estas palavras numa carta enviada no dia 4 de novembro de 1891 ao seu amigo Cesário Alvim, governador de Minas:
“...em nosso Brasil não há falta de homens inteligentes e ilustrados; a falta que há é de homens de caráter e patriotas!”

domingo, 21 de dezembro de 2008

Difamar Jesus e a mais imunda das baixezas

Com todos os meus defeitos, com todos os meus pecados, sempre tive e tenho um amor forte por Jesus Cristo. Acredito firmemente no Filho de Deus Humanado. Ele, para mim, nunca deixou ser o Verbo Divino, a Verdade Eterna, o Príncipe da Paz, a Imorredoura Luz Celestial, o Alto Pastor do Universal Rebanho, o Piedoso, o Amoroso, o Vitorioso, o Guia, a Esperança, a Salvação. Todas as vezes, quando abro a Bíblia e volto a ler os episódios da sua vida, eu me emociono muito. Ninguém se compara a Cristo, ninguém. E causam-me nojo, ânsia de vomito, desprezo imenso, os que o atacam e o ridicularizam. Difamar Jesus, como fez Dan Brown no livro O Código Da Vinci, é a suprema infâmia, a mais imunda das baixezas.
Sou bem grato ao Rabino da Galiléia. Quantas vezes ele me ajudou! Obrigado ò Redentor boníssimo, generosíssimo! Lembro-me de que certo dia um editor ateu me propôs:
-Fernando, pretendo lhe dar uma grande soma de dinheiro, se você escrever um livro contra Jesus Cristo.
Reagi indignado:
-Como se atreve a propor isto? Em hipótese alguma aceitaria esta oferta, nem que você me entregue um cofre enorme, repleto de pérolas, diamantes e moedas de ouro! Jamais!
O editor respondeu:
-Admiro o seu procedimento. Perdoe-me, não insistirei.
Esse editor era meu amigo e já desencarnou. Deus ilumine a sua alma.
Conta velha lenda oriental que várias pessoas se ajuntavam em redor de um cão morto, no mercado de populosa cidade da Síria. Ali, num canto, ele tinha no magro pescoço a corda suja com a qual o haviam arrastado pelo chão. Uma daquelas pessoas, tampando o nariz, soltou este comentário:
-Ele cheira mal, deve estar podre!
Logo um comerciante exibiu a sua repulsa:
-A pele rasgada deste bicho horrível e fedorento não serve nem para se transformar na correia de uma sandália.
Outro fulano declarou:
-Sem dúvida a corda do seu pescoço é a prova de que era um cachorro ladrão. Mereceu ser enforcado!
Depois de ouvir tais comentários, aproximou-se do grupo um homem de rosto sereno, em cujo meigo olhar uma estranha luz resplandecia. O desconhecido se inclinou na frente do animal e proferiu estas palavras:
-As pérolas mais lindas não têm a alvura dos seus dentes.
Surpresos, todos se entreolharam, e cabisbaixos, sob o domínio da vergonha, começaram a ir embora, mas um deles arriscou-se a dizer:
-Este homem deve ser Jesus de Nazaré, pois só ele e capaz de ver a pura beleza no corpo xingado, humilhado e maltratado de um mísero cão morto.
É mesmo, só Jesus possui o dom de ver o que nos não vemos, de descobrir uma flor viçosa e recendente num imundo pântano estagnado.
Apenas Jesus acolhe a todos, não discrimina, não separa o homem preto do homem branco, o enfermo do sadio, o opulento do pobre, o infeliz do venturoso, conforme mostra este magnífico soneto do livro Porta do Céu, escrito pelo meu pai, Salomão Jorge:

“Água da fonte, rico pão da vida,
Videira santa que floriu no prado,
Só tu podes curar qualquer ferida,
E a lágrima enxugar do desgraçado!

Toda a existência que tombou vencida
Encontra em Ti o lar ambicionado,
E o que geme na dor incompreendida
Será por Ti ouvido e consolado.

Ó Lírio de ouro das vergéis amenos,
De olhos doces, nostálgicos, profundos,
Teu coração é a pátria dos pequenos!

Ó Lâmpada do cego, sempre acesa,
Mendigos, párias, órfãos, vagabundos,
Sentam-se, hóspedes de honra, à Tua mesa!"

Hoje, eu lamento, livros, revistas e jornais se empenham na porca tarefa de enxovalhar Jesus. Querem crucificá-lo pela segunda vez

domingo, 14 de dezembro de 2008

Cinco provas históricas da passagem de Jesus por este mundo

Eu li, no número 450 da revista Época, as seguintes linhas de Hildeberto Aquino:
“Jesus é a maior ilusão da humanidade, à custa da qual oportunistas se locupletam. De sua efetiva existência, não há uma só prova cabal, científica, irrefutável. Tudo se resume a intencionais conjecturas com o propósito de iludir e oprimir os incautos e deles sugar até a última gota de consciência... e de dinheiro”.
Para o Hildeberto Aquino, portanto, Jesus é uma criação dos vigaristas. Um personagem inventado por alguém que apenas quis causar a alienação de todos nós e arrancar dinheiro dos crédulos, dos ingênuos, dos trouxas... Hildeberto pertence à família dos “Novos Ateus”, da qual fazem parte o filósofo americano Daniel Dennet e o zoólogo britânico Richard Dawkins. Ambos, em 2006, lançaram manifestos dedicados a contestar a existência de Deus.
Agora vamos revelar como de fato Jesus Cristo existiu (e ainda existe), desmentindo a afirmativa do materialista Hildeberto Aquino.
Prova histórica número 1. A bela Bíblia sagrada. Ela não é apenas um livro religioso, é também um magnífico livro histórico. Tudo que apresenta sobre Jesus Cristo, a Palestina, o Egito, a Assíria, o Império Romano, as regiões do Oriente, os seus reis, os seus profetas, os apóstolos, tudo tem o cunho da verdade.
Prova histórica número 2. O texto do historiador judeu Flávio Josefo, da época de Cristo. Ele evocou a incomparável figura deste no capítulo terceiro do volume XVIII da obra Antiguidades judaicas. Reproduzo aqui o seu texto:
“Entretanto existia, naquele tempo, um certo Jesus, homem sábio... Era fazedor de milagres... ensinava de tal maneira que os homens o escutavam com prazer... Era o Cristo, e quando Pilatos o condenou a ser crucificado, esses que o amavam não o abandonaram e ele lhes apareceu no terceiro dia...”
Como estamos vendo, o historiador Flávio Josefo mencionou, inclusive, a ressurreição do Verbo Divino!
Prova histórica número 3. O texto de Públio Cornélio Tácito, um dos maiores historiadores da Antiguidade (56-57 AC), na parte XV dos seus Anais:
“Nero infligiu as torturas mais refinadas a esses homens que sob o nome comum de cristãos, eram já marcados pela mais merecida das infâmias. O nome deles se originava de Cristo, que sob o reinado de Tibério, havia sofrido a pena de morte por um decreto do procurador Pôncio Pilatos”.
Comentário do grande historiador inglês Edward Gibbon (1737-1794) sobre esta evocação do autor de Dialogus de oratoribus:
“A crítica mais cética deve respeitar a verdade desse fato extraordinário e a integridade desse tão famoso texto de Tácito.”
Prova histórica número 4. A carta do procônsul Plínio, o Jovem (62-114, após JC), enviada ao imperador Trajano. Eis dos trechos da carta:
“...maldizer Cristo, um verdadeiro cristão não o fará jamais... cantam (os cristãos) hinos a Cristo, como a um Deus...”
Prova histórica numero 5. Um trecho do capitulo XXV do livro quinto da obra Vitae duodecim Caesarum (Os doze césares), escrita pelo historiador romano Suetônio (cerca de 70-130 d.C.). Nesse trecho do capítulo no qual evoca o imperador Tibério, ele assim menciona o Nazareno:
“Expulsou de Roma os judeus, que instigados por um tal Chrestus (Cristo), provocavam freqüentes tumultos.”
Estas cinco provas históricas, citadas por nós, destroem totalmente a infeliz declaração de Hildebrando Aquino, que garantiu que “não há uma só prova cabal, científica, irrefutável”, da passagem de Jesus por este mundo. Hildeberto, você tem autoridade para invalidar as informações da Bíblia, os textos dos historiadores Flávio Josefo, Suetônio e Cornélio Tácito, do procônsul Plínio, o Jovem? Você despreza a opinião do insigne historiador inglês Edward Gibbon sobre o escrito de Tácito, onde este se refere a Jesus Cristo?
Por favor, Hildeberto, leia mais, estude mais, adquira mais conhecimentos. Não desrespeite a nossa fé com afirmativas absurdas, insensatas, nascidas de uma profunda carência de cultura.