sábado, 24 de outubro de 2009

O HOMEM QUE ESTÁ CANSADO DE SUA PRÓPRIA ESPOSA

Jamais gostei de dar conselhos, porque não me julgo nenhum sábio, mas agora estou numa posição especial, que me força a violentar o meu temperamento. Um leitor de Santos enviou-me uma carta, descrevendo o seu drama íntimo. Ele declara, em determinado trecho da carta:
“Peço ao senhor que me responda, numa de suas crônicas. Não sou egoista. Pode ser que meu caso não seja o único. Deste modo um outro indivíduo, que esteja em idêntica situação, poderá aproveitar os seus conselhos, os quais, tenho certeza, serão respeitosamente acolhidos.”
Examinemos o problema desse leitor. Homem de meia-idade, diz ele, tem quatro filhos e está casado há quase trinta anos com uma senhora que conta igual número de outonos. De uns tempos para cá, sem conseguir explicar a razão, sente-se nervoso, aflito. Tudo o fatiga, tudo o aborrece. Já não suporta a presença da dedicada companheira. Ela, sempre fiel, calma, discreta, causa-lhe um mal-estar indefinível. A fisionomia abatida, murcha e um pouco enrugada da paciente esposa, e os seus cabelos já meio brancos, provocam no espírito do meu leitor um certo desencanto, uma profunda melancolia... Confessou-me que se acha cansado da própria mulher. Não descobre nela nada mais que o seduza.
Aqui vai um conselho ao meu leitor: não menospreze a sua esposa. Procure ver quanta beleza existe nos seus cabelos algo prateados. Cada um dos fios brancos da sua cabeça é a marca de uma fidelidade silenciosa.
Vou evocar, para o meu agoniado leitor, a crise psicológica de um nobre europeu. A história é verdadeira.
A condessa de Eglington, uma das mulheres mais lindas da Escócia, tinha ultrapassado a casa dos quarenta anos. O seu marido pretendia, de maneira obstinada, ganhar um herdeiro, e a condessa lhe dera sete filhas. Desesperado pelo fato de não ter um sucessor, o conde, tipo excêntrico, resolveu separar-se para sempre da esposa. Propôs que consentisse no divórcio.
- Sem dúvida - disse a condessa - mas eu não devo, nem posso consentir na separação, enquanto o senhor não me devolver tudo que recebeu de mim.
Esta foi a resposta do conde:
- Concordo. Não somente pretendo devolver o dote que recebi de sua pessoa, como também concedo à senhora, da mesma forma, uma pensão vitalícia.
- O senhor não me compreendeu - replicou a condessa - guarde o meu dote e todos os seus bens. Não é disso que eu falo. Para que nos separemos é necessário, primeiro, a devolução da minha mocidade. Em seguida, a da minha beleza de jovem. Depois, senhor conde, quero a entrega de minha condição de solteira, pois o senhor haverá de convir que recebeu de mim essas três coisas muito preciosas.
Impressionado com o pedido, o conde de Eglington abaixou os olhos, reconhecendo a injustiça que praticara. E nunca mais falou em divórcio.
Agora, meu insatisfeito leitor, disposto a acabar com o seu casamento, permita-me fazer esta pergunta, baseado na história acima narrada: após trinta anos de convivência, o senhor poderá devolver à sua esposa a mocidade que ela possuia e que lhe entregou, e também a sua beleza de jovem, as suas ilusões, a sua condição de solteira? Se puder devolver-lhe tudo isto, o senhor terá o direito, na minha opinião, de abandoná-la e de andar de cabeça erguida, até o fim da sua vida.

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Escritor e jornalista, Fernando Jorge é autor do livro “Vida e poesia de Olavo Bilac”, cuja 5ª edição foi lançada pela editora Novo Século.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

UMA CALÚNIA CONTRA JESUS CRISTO

Desde 1983 até 1995, ano do seu falecimento, o jornalista Amaral Netto quis legalizar a pena de morte em nosso país. Julgando que a maioria da população lhe dava apoio para realizar esse projeto, encaminhou como deputado, na Câmara Federal, a emenda destinada a estabelecer um plebiscito. Sua iniciativa repercutiu no mundo inteiro e ele recebeu um minucioso documento, com o protesto de mais de oitenta nações.
Eu costumava ver na televisão as entrevistas do Amaral Netto. Uma coisa me surpreendia: ele tinha o hábito de declarar que o próprio Jesus Cristo era a favor da pena de morte. Ora, basta ler a “Bíblia” com atenção para saber como isto não é verdade. Jesus nunca pronunciou qualquer frase ou qualquer palavra, a fim de apoiar a pena capital.
Mas descobri o motivo que instigava o Amaral a espalhar aquela mentira. Foi quando examinei o seu livro “A pena de morte”, lançado pela Editora Record em 1991, pois ele, depois de ler o prefacio do padre Emílio Silva de Castro para a sua obra, passou a acreditar que de fato o Salvador dera apoio a essa pena. O padre modificou uma frase de Jesus no Sermão da Montanha, isto é, o texto do versículo 21 do capitulo quinto do Evangelho de São Mateus. Eis a frase de Cristo, adulterada pelo padre, e que o Salvador nunca proferiu:
“Não matarás e quem matar será réu de morte” (página 21 do livro de Amaral Netto).
A expressão “réu de morte” designa “o que está condenado à morte por crime”, segundo esclarece um verbete da página 4.452 do volume quinto do “Grande e novíssimo dicionário da língua portuguesa”, de Laudelino Freire (Livraria José Olympio Editora, 3ª edição, Rio de Janeiro, 1957).
Jesus Cristo nunca se expressou desta forma – “Não matarás, e quem matar será réu de morte” - porque a rigor a frase do Filho de Deus é assim, segundo a “Bíblia” traduzida diretamente dos originais pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma:
“Não matarás, e quem matar será submetido a juízo”, (Mat. V. 21).
Cristo não podia apoiar a pena de morte, pois ele abrogou a Lei de Talião, do “olho por olho, dente por dente”, a lei da chamada “vingança justa”, conforme se vê no versículo 28 desse capítulo do Evangelho de São Mateus. Ao ser preso no Jardim do Getsêmani, informam os versículos 51 e 52 do capítulo vigésimo sexto do mesmo evangelho, o Rabi da Galiléia aconselhou a um discípulo, que ali, com a sua espada, havia cortado a orelha de um homem:
"Guarda a tua espada, porque todos que pegam a espada pela espada, perecerão".
Mais uma vez, portanto, ele condenou o espírito de vingança, de represália, salientando apenas isto: a violência gera a violência e causa a destruição, o aniquilamento. Não é correto, por conseguinte, dizer que Cristo nesta passagem apoiou a pena de morte, como dá a entender o Amaral Netto na página 80 do seu livro. Aliás, segundo os versículos 17, 18 e 19 do capítulo décimo do Evangelho de São Mateus, pondo-se Jesus a caminho, um homem correu ao seu encontro, e após se ajoelhar, perguntou-lhe:
-Bom mestre, que farei para herdar a vida eterna?
O Nazareno exaltou a bondade de Deus e respondeu:
-Tu conheces os mandamentos, “não matarás”...
As provas são esmagadoras. Todavia, mesmo assim, oh fato incrível!, o padre Emilio Silva de Castro, no prefácio do livro de Amaral Netto, obrigou o Redentor a apoiar a pena de morte! É por isto que o Amaral vivia proclamando: até Jesus Cristo foi um defensor dessa pena. O jornalista aceitou sem pestanejar a adulteração do padre, mas agiu de boa fé, não sabia que estava sendo enganado.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

AS BESTEIRAS DA “TEÓLOGA” MARCELLA

Li a entrevista que a “teóloga” Marcella Althaus - Reid concedeu à repórter Eliane Brum, da revista “Época”, e fiquei chocado. Nascida em Rosário, na Argentina, a senhora Marcella leciona Ética Cristã e Teologia Prática na Universidade de Edimburgo. Verborrágica, embrulhona, ela adora a confusão, a complicação, o excesso de palavras inúteis. Lá na Escócia publicou dois livros caóticos, “Indecent Theology” (“Teologia Indecente”), e “The Queer Good” (“O Deus Gay”). Nessas obras a autora defende a tese de que a teologia precisa resgatar a sexualidade! Vejam o disparate. Ciência que trata de Deus, a teologia não tem nada a ver com os problemas da sexualidade humana.
Marcela é obcecada por sexo. Propõe uma teologia “sem roupas íntimas”, isto é, nua, bem peladinha. Sua “Indecent Theology”, segundo afirmou, corresponde a “levantar as saias de Deus”. É tão obcecada por sexo, essa senhora de fisionomia maltratada pelo tempo, que ela vomitou a seguinte besteira, registrada por Eliane Brum:
“A ‘Bíblia’ está cheia de metáforas sexuais. O Cristianismo vem de uma metáfora sexual - um Deus que tem amores com uma mulher e dessa relação amorosa nasceu Cristo. Sai tudo de uma matriz sexual que querem sempre dessexualizar.”.
Vamos corrigir a besteira. Primeiro, não é a “Bíblia” que está repleta de metáforas sexuais e sim a cabeça da Marcella. Segundo, Deus não se casou com a Santíssima Virgem e sim José, carpinteiro por profissão (Mateus, capítulo 1, versículo 18; Lucas, capítulo 3, versículo 23).
Essa “teóloga” trapalhona não aceita a imagem do “Deus perfeito”, dotado de “sabedoria suprema”. Para ela, o Criador comete erros e também é palhaço! Leiam estas suas palavras absurdas:
“Falo de um deus que abre seu armário e diverte seus amigos, dizendo: ‘Agora sou Marlene Dietrich’.”
Quanta idiotice! A senhora Marcella devia ter vergonha na cara, a fim de não espalhar esta blasfêmia: fazer o Todo Poderoso imitar a atriz alemã cujas longas pernas esculturais, cobertas por uma meia preta, apareceram com destaque no filme “Der Blaue Engel” (“O Anjo Azul”), dirigido em 1930 pelo vienense Josef von Sternberg.
Mais adiante, na entrevista concedida a Eliane Brum, a nossa “teóloga” declarou:
“... quero reivindicar um Deus que é marginal. Sou indecente, graças a Deus"
Admire este disparate, amigo leitor, um Deus traficante de drogas, um Deus Fernandinho Beira Mar! É necessário corrigir outra vez a senhora Marcella Althaus - Reid: ela não é indecente, graças a Deus, e sim graças ao diabo!
Sempre obcecada pelo sexo, a “notável teóloga” voltou a abrir a torneira do seu interminável besteirol. Aí vai uma de suas cretinices:
“Que sabemos da sexualidade de Jesus? Nada. O que dizem os Evangelhos? Dizem que foi circuncidado... Então, por que não assumir que Jesus teria outra sexualidade? E qual teria sido? Busco elaborar um Bi-Cristo.”
Ah, prezado leitor, o Nazareno não merece isto, ser crucificado outra vez! E agora por essa criatura que quer transformar a Teologia numa pornografia. Juro, o Salvador não merece isto!
Incapaz de se libertar da sua obsessão pelo sexo, a "teóloga” fez a sua cabeça de miolos enfermos gerar outra blasfêmia fedorenta:
"Estou convencida de que a Igreja tem um falo (órgão sexual masculino) muito grande e, ao mesmo tempo, tem uma base homossexual muito grande".
Mundo imundo! Incrível! Marcella Althaus - Reid é professora de Teologia da Universidade de Edimburgo. Pobre Teologia, pobre universidade! Ela leciona Ética Cristã. Como pode lecionar ética cristã quem não tem ética cristã? Mundo imundo! Ficaria bem mais limpo sem a presença dessa pornógrafa, dessa ofensora de Deus, de Jesus Cristo, dos católicos, dos protestantes, dos evangélicos, dos espíritas, dos fiéis leitores da nossa santa, querida e maravilhosa “Bíblia”.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

EU DEFENDO AS SOGRAS

Evoquei no meu bate-papo “A sogra, esta incompreendida”, uma conversa com um motorista de táxi, que me disse que detestava a sogra, porque esta comia todos os seus franguinhos colocados na geladeira. Tenho vários amigos taxistas. No automóvel fico ao lado deles, para conversar. Pois bem, outro dia um desses profissionais, após me narrar vários episódios de sua vida, fez a seguinte confissão:
-A minha mulher me trata mal, vive dizendo que eu chego tarde em casa pelo motivo de ter uma amante.
-E você tem?
-Não, doutor, nunca tive, mas a peste não acredita, é super desconfiada. Quem me defende é a minha sogra, que é um anjo.
Como podemos ver, de modo bem claro, o meu amigo taxista pertence à classe dos amigos das sogras. Já dissertei sobre os inimigos dessas criaturas tão injustiçadas. É justo, portanto, que eu agora evoque dois homens de valor que eram amigos de suas sogras.
Amigo da sogra foi o grande romancista russo Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski (1821-1881). Sua segunda esposa, Anna Grigoriev¬na Dostoievskaia, reproduziu no livro “Meu marido Dostoievski” (traduzido para o nosso idioma por Zoia Prestes) as palavras desse escritor dirigidas à futura sogra:
“Claro que a senhora já sabe que pedi a mão de sua filha em casamento. Ela concordou em ser minha mulher e estou muito feliz. Gostaria que aceitasse a sua escolha. Anna Grigorievna me falou tão bem da senhora, que me acostumei a respeitá-la. Dou-lhe a minha palavra que farei o possível e o impossível para que ela seja feliz. Para a senhora serei um genro dedicado e amoroso.”
A esposa do autor de “Crime e castigo” admitiu:
“Devo reconhecer que Fiódor Mikhailovitch, realmente, durante os quatorze anos de casamento, sempre foi muito gentil e atencioso com a minha mãe, tratando-a com amor e estima.”
Outro escritor insigne, Edgar Allan Poe (l809-l849), também era amigo de sua sogra, a senhora Marie Clemm. Esta lhe arranjava dinheiro quando ele não tinha um níquel, consolava-o nas desventuras, fazia-o adormecer perpassando a mão rechonchuda pela sua atormentada fronte. Edgar amou-a como se fosse sua mãe. Numa carta, das últimas que escreveu, ele assim se referiu a ela:
“Você tem sido... tudo para mim, querida e sempre amada mãe, a mais querida e verdadeira amiga.”
Depois da morte de Poe, a sua sogra declarou:
“Jamais gostava de ficar sozinho, e eu costumava sentar-me com ele, muitas vezes até as quatro horas da madrugada. Ele, na sua mesa, escrevendo, e eu cochilando na minha cadeira. Quando estava compondo ‘Eureka’, costumávamos passear para lá e para cá no jardim, abraçados um ao outro, até ficar eu tão cansada, a ponto de não poder mais andar... Sempre me sentava perto dele quando estava escrevendo e dava-lhe uma xícara de café quente, de uma ou de duas em duas horas... Durante todos os anos em que viveu comigo, não me recordo de uma só noite em que tenha deixado de vir beijar sua ‘mãe’, como me chamava, antes de ir para a cama.”
Aconselho os inimigos das sogras a seguir os exemplos de Dostoiévski e Edgar Allan Poe, pois a sografobia, a aversão às sogras, além de complicar a vida, ataca logo o fígado, os nervos e a cabeça...