quinta-feira, 27 de abril de 2017

A Academia cagona que envergonhou o Brasil

A Academia Brasileira de Letras, neste ano de 2017, comemora os 120 anos do seu nascimento e logo sairá a oitava edição do meu livro contra ela. Sim, contra ela, eu o escrevi devido as ânsias de vômito que se apoderavam de mim, quando olhava o pavor, as curvaturas vertebrais, a vil passividade, as diarreias ininterruptas daquele grêmio agachado diante da Censura estúpida e dos bárbaros atos de arbítrio cometidos pelos gorilas do Golpe de 1964.
Informou Ancelmo Gois na edição de 4-3-2017 de O Globo: o holandês Nier Vermeulen cultiva o hábito de colecionar sacos de vômito – como os dos aviões – e já possui 6.016 sacos desse tipo. Ora, se eu pudesse contar quantas vezes senti a vontade de vomitar nos referidos sacos, ao ver as caganeiras da ABL em frente dos milicos, creio que ultrapassaria o número da coleção do singular holandês...
Senti irreprimível nojo da Academia, na época do regime militar, pois ela nunca protestou contra as apreensões dos seguintes livros: Feliz ano novo, de Rubem Fonseca; Abajur Lilás, de Plínio Marcos; Estruturalismo, de Claude Lévi-Strauss; A Universidade necessária, de Darcy Ribeiro; Maria da ponte, de Guilherme Figueiredo; O mundo do Socialismo, de Caio Prado Júnior; Rasga coração, de Oduvaldo Viana Filho; História militar do Brasil, de Nelson Werneck Sodré; Zero, de Ignácio de Loyola Brandão, etc, etc.
Assustada, a Academia Cagona de Letras se emerdava toda, diante desses atentados fascistas à liberdade de pensamento. Tremia como a terra tremeu em Lisboa, no ano de 1531, e em São Francisco da Califórnia, no ano de 1906.
Cagona total, não emitiu sequer um pio fraquinho de coruja velha, após estes jornalistas serem mortos sob tortura: Luiz Eduardo da Rocha Merlino, em 1971; Carlos Nicolau Danielli, em 1972; David Capistrano da Costa, em 1974; Vladimir Herzog, em 1975. Evoquei-os no meu livro Cale a boca, jornalista!, cuja sexta edição é da editora Novo Século.
A furibunda Censura dos trogloditas fardados, a espumejar como cadela raivosa, proibia dezenas de livros, filmes, peças de teatro, composições de música, notícias de jornais. Sentada no seu lindo cagatório, a ABL ia parindo intermináveis e fedorentas diarreias.
Como procedeu a madame caguenta, quando uma bomba rebentou na sede da Associação Brasileira de Imprensa, no dia 19 de agosto de 1976? Dirigia esse órgão o jornalista Barbosa Lima Sobrinho. A diarreica ABL não fez nenhum protesto, achou melhor ficar toda cubierta de pura mierda, a soltar con frequencia y sin reparo gases intestinales.
Ainda em 1976, nos dias 4 e 22 de setembro, fanáticos da Aliança Anticomunista Brasileira, explodiram duas bombas, respectivamente no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), e na residência do empresário Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo. Reação da Academia: senil, babando, tremebunda, arriou a calça rendada, coberta de grossas crostas de merda, posou as nádegas murchas no seu lindo cagatório e expeliu majestosos cagalhões que dançaram na latrina, agitaram-se em redemoinho, depois de ruidosa descarga.
Ministro da Injustiça, o Armando Falcão, de sobrenome adequado, porque o falcão é ave de rapina, vetou no mesmo ano de 1976 a apresentação em nosso país do balé russo Bolshoi e da peça Romeu e Julieta, de Shakespeare, sob o argumento cretino de que nessa peça havia “amores proibidos, uma relação ilícita entre dois jovens, um assassinato, um suicídio e um pacto de morte.” Entretanto a imbecilidade do ministro sinistro não parou aí. Frenético, hidrófobo, no frenesi de se mostrar como “zeloso protetor da moral das famílias”, ele proibiu também a apresentação, na TV, do Fausto, de Goethe; do Édipo rei, de Sófocles; da Lisistrata, de Aristófanes, peças clássicas, obras primas da literatura universal.
A ABL protestou? Não, apenas tremeu, tremeu, tremeu e encheu, encheu, encheu o seu lindo cagatório com soberbos, maravilhosos, fedegosos cagalhões.
Ligado aos militares da Linha Dura, o Flávio Suplicy de Lacerda, reitor da Universidade Federal do Paraná, mandou arrancar, na biblioteca desta, as páginas por ele consideradas obscenas dos romances de Émile Zola e Eça de Queiroz. Além disso proibiu, na Universidade, a leitura dos livros de Jorge Amado, Graciliano Ramos e Jean-Paul Sartre.
Trêmula, pálida, babosa, horrorosa, exaurida pelas infindáveis cagadas, a Academia dava a impressão de implorar:
-Por favor, agentes da Ditadura, escarrem na minha cara de sem-vergonha, apliquem nela um esplêndido, altissonante, retumbante bofetão!
Alguém poderá dizer: Fernando Jorge, que autoridade moral você tem para criticar o mutismo, a covardia, a alienação da ABL, na época do Golpe de 1964? Tranquilo, respondo: tenho indiscutível autoridade moral, porque naquela época fui processado quatro vezes, como “escritor e jornalista subversivos”, pelo fato de sempre condenar a Censura, os atos de arbítrio, as torturas, os assassinatos de pessoas inocentes. Portanto afirmo, repleto de orgulho: fui o oposto da cagona Academia Brasileira de Letras. Devido ao meu inconformismo, membros da Comissão Nacional da Verdade, com a presença da consultora Maria Luci Buff Migliori (Brasília, fone 61-3313-7317), colheram as minhas declarações durante cinco horas. E os leitores de O Trem me perdoem a falta de modéstia, mas vou aqui transcrever as palavras de Ângelo Henrique Ricchetti, publicadas na seção “Cartas” da revista IMPRENSA, número 169, de março de 2002:
“Eu trabalhava na Assembleia Legislativa (de São Paulo) e lá fui companheiro e amigo de Fernando Jorge. Ele era um amigo que muito me preocupava, pois estava na lista negra dos militares como um jornalista subversivo, mas não, Fernando não era um jornalista subversivo. Era muito mais. Usava duas armas para combatê-los: a inteligência e a segunda, a sua caneta, ora escrevendo livros e ora escrevendo peças de teatro, diga-se de passagem sempre proibidas.”
Ricchetti observa: o catedrático Fernando Henrique Cardoso, ao ver no Brasil “a coisa ficar preta, enfiou o rabo entre as pernas e se mandou para o Chile, lá passando pouco tempo.” Logo FHC reparou, acrescenta o autor da carta, que os contrários a Pinochet eram “simplesmente fuzilados” e decidiu ir para a França, “com o rabo mais enfiado entre as pernas.” Assim Ângelo Henrique Ricchetti conclui a carta:
“Pois bem, o outro Fernando, aquele que me sinto honrado de em tê-lo como amigo, aqui estava, usando duas armas para enfrentar a turma de militares e policiais. Um dia Fernando Jorge foi intimado e compareceu: durante horas foi interrogado por um coronel. Não sei qual seria o comportamento do seu xará (FHC), aquele que naqueles dias estava na França. Já pensaram nisto?”
Agora eu, Fernando Jorge, pergunto: tenho ou não tenho autoridade moral para esculhambar a Academia Brasileira de Letras e chamá-la de cagona?
Encerro o texto reproduzindo esta expressão da página 51 do Diccionario de expresiones malsonantes del español, de Jaime Martin Martin, publicado no ano de 1974: me cago en la mierda. Adivinhe então, amigo leitor, em qual mierda eu gostaria deixar cair os bonitos excrementos da minha barriga...

Alguém talvez objete que sou muito agressivo, violento. Entretanto, em certas circunstâncias, a violência se torna necessária. Exemplo eloquente: até Jesus, símbolo perfeito do perdão e da bondade, agiu com violência. Conforme está na Bíblia, ao entrar no templo de Deus, invadido pelos mercadores, o Nazareno expulsou-os usando um chicote. E jogou o dinheiro deles no chão, e derrubou os seus bancos. Palavras do Salvador, no decorrer dessa violência: “Não façais, da casa do meu pai, covil de ladrões.” Inspirado em Jesus, eu digo: “Não façais, ò ABL, da vossa sede no Rio de Janeiro, covil de cagões.”

Publicado no Jornal O TREM Itabirado

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Mon fils a tué Paulo Francis

C´est exact, mon fils a tué Paulo Francis. Comment s´appelle-t-il? Son nom est Vida e obra do plagiario Paulo Francis, ouvrage dont je suis l´auteur, éditorial lancé en 1996. Parution de la nouvelle troisième édition, revue et enrichie.
C´est alors en 1980, lorsque Francis résidait à New York en tant que correspondant de la Folha de S.Paulo, que j´ai animé le projet d´écrire un livre afin de le détruire culturellement et professionnellement. J´ai réussi!
Cláudio Abramo, un ami intime, connaissait ce projet. Il m´en était très reconnaissant, car,après s´être disputé en 1963 avec la famille Mesquitas do O Estado de São Paulo, dans lequel il exerçait les fonctions de secrétaire de rédaction, il resta sans argent et je pus l´aider, en lui trouvant, chez un grand éditeur, la fructueuse tâche de traduire des dizaines de livres, à partir de l´Anglais. Deux ans après, en 1965, Cláudio intégra la Folha de S.Paulo, où il deviendra le responsable d´une complète et rénovatrice réforme graphique. Toujours reconnu, généreux, il parvint à ce que Folha publie une chronique sur mes critiques concernant l´historien Augusto de Lima Júnior qui a affirmé: ce défavorisé est une légende, une plaisanterie, il n´a jamais existé (article de l´édition du 31-10-1966). Chroniqueur du génial sculpteur Mineiro (état du Minas Gerais), je détruisis toute l´absurdité de Júnior. D´ailleurs, et grâce à Cláudio Abramo, je lui suis reconnaissant pour la divulgation dudit journal, de quatre nouvelles contenant de belles photos, concernant mon roman satirique. O grande lider (éditions du 21-12-1969, du 1-2-1970, du 5-4-1 970 et du 20-9-1970).
C´est par une forte chaleur d´une nuit d´été que je rendis visite à Cláudio à la rédaction de la Folha de S.Paulo et qu´il m´invita dans un bar de la maison mère du journal, pour y savourer une glace. Au bar, il me dit:
- Fernando, est-ce que tu vois ce gars?
Il me pointa du doigt un individu grassouillet, gros. Je répondis que oui. Cláudio me précisa:
- Ce gars-là, c´est le rédacteur de la Folha il adore Paulo Francis, il en est fanatique, et il a su que tu allais écrire un livre contre son idole.
L´individu nous vit, et s´approcha. Je remarquai qu´il était quelque peu éméché.
Il grogna devant moi: - Tu es Fernando Jorge?
Je confirme. Lui, identique à un porc, couinant comme un parfait cochon: - Je te hais, je veux te tuer, t´étrangler, car tu prétends attaquer mon adorable Paulo Francis!
La bête ressemblait réellement à un porc et, au-delà de sa tête de porc, il avait mauvaise haleine. Un peu sonné, il ajouta, sous le regard amusé de Cláudio Abramo:
- Sache une chose, jamais un rédacteur de la Folha commentera ton livre contre Paulo Francis! Jamais! Never, never, dit-il en anglais!
J´empêcherai cela!
Tranquillement, tout en riant, Cláudio Abramo le repoussa, me protégeant de l´agressivité du porc alcoolisé qui, en reculant, ne put se contenir:
- Paulo Francis représente tout, everything, et toi, Fernando Jorge, tu n´es rien, nothing!
Si ce quadrupède est encore rédacteur à la Folha de S.Paulo je me demande comment il doit se sentir en lisant, sur la couverture de la troisième édition de vida e obra do plagiário Paulo Francis, les mots de Irene Solono Vianna, ex-éditrice de la Folha, au sujet du livre, point de vue du 22 mars 1997:
‘‘Les exemples soulevés par Fernando Jorge sont incontestables, bien documentés: Monsieur Paulo Francis écrivait mal, copiait, surtout les citations et les idées, commettait de graves erreurs sur les ostentations de sa pseudo-culture… Il n´avait aucun engagement sur l´exactitude des faits ou du respect de l´honneur et de la dignité des autres’’.
Également dans la Folha de S.Paulo, Luís Eblak souligne, dans un article paru dans l´édition du 22 mai 2010 de ce journal : mon travail ‘‘est la grande critique publiée en livre durant la vie de Francis’’. En parcourant le texte de Eblak, je posai une question. Où en est la promesse de ton collègue, que jamais un rédacteur de la Folha commenterait le livre? Et alors?
Tout de suite après le lancement de la première édition de Vida e obra do plagiário Paulo Francis, José Maria Homem de Montes, directeur de O Estado de S.Paulo m´informa d´une réunion réalisée au journal, car dans le livre, je prouvai la chose suivante: Francis, collaborateur de Estadão (lui étant consacré une page entière), était raciste comme Hitler, tricheur, calomniateur, incompétent, auteur de textes remplis de bêtises, d´incohérences, de fautes grossières de Portugais. L´un des directeurs du quotidien proposa en réunion:
- Je suggère d´octroyer une demi-page de notre journal pour que Fernando Jorge présente ses accusations, mais aussi une demi page à Paulo Francis, pour qu´il puisse se défendre.
Mais un autre directeur s´opposa:
- Désolé, je ne suis pas d´accord. Nous commettrions une erreur. J´ai examiné le livre de Fernando. La richesse du volume est diabolique, écrasante, indestructible. Francis perdrait. De plus, l´accusateur, en gagnant, irait vendre encore plus de livres.
Mon ami, José Maria Homem de Montes, l´un des directeurs de O Estado de S.Paulo, me décrivit cette réunion.
Suite au décès de Paulo Francis, la journaliste Sônia Nolasco, son épouse, téléphona à Luis Fernando Emediato depuis New York, éditeur du livre, et déclara :
- Tu as vu ce que tu as fait, Emediato? Tu as tout fait pour que Fernando Jorge tue mon mari!
Selon les faits, Francis eut un infarctus au même moment où il lisait mon livre contre lui, alors qu´il était bien installé, dans ses toilettes de New York.
‘‘Philosophe’’ entre guillemets, Olavio de Carvalho a déféqué des coliques mentales, un puant livre intestinal, intitulé O imbecil coletivo. Dans celui-ci, il y a onze pages d´attaques sur a vida e obra do plagiário Paulo Francis. Il m´appelait de ‘‘galo de bigodes’’. Mieux vaut cependant être un ‘‘galo de bigodes’’ qu´un penseur rachitique, un poussin aux petites pâtes fragiles comme l´est, sans aucun doute, l´auteur de ce petit livre. Si un jour une idée habitait réellement sa petite tête, le sous-philosophe Olavinho petit poussin de Carvalinho pourrait mourir de congestion cérébrale.
lberto Dines, l´un des fondateurs de ‘‘Labjor à l´Unicamp’’ du laboratoire des Études Avancées sur le journalisme, garantit en 1997, lors d´une entrevue concédée au Correio popular de Campinas: mon œuvre provoqua la mort de Paulo Francis. Mince, si je suis le père d´un meurtrier, je souhaite savoir alors si mon fils doit être fusillé, pendu, ou condamné à prison à perpétuité. Lui, en attendant, garde la conscience tranquille, car il liquida Adolf Hitler de la presse brésilienne.


sábado, 25 de março de 2017

O presidente Lulia no Palácio da Gastança

Grandes jornalistas, de muito talento, e cito aqui o Mino Carta, o Sebastião Nery, o Audálio Dantas, o Geraldo Pereira, o José Neumanne, o Paulo Markun, o Roniwalter Jatobá, o Gabriel Kwac, o Marcos Caldeira Mendonça, fariam magnificas reportagens com o assunto deste meu texto.
Informa Cleo Guimarães, na sua coluna “Gente Boa” do jornal O Globo (20-1-2017), que o governo de Michel Temer, no intuito de abastecer de alimentos o Palácio da Alvorada, gastou, de uma só vez, seis mil reais na compra de pães de queijo, quatorze mil na de 2.500 abacaxis, dezesseis mil na de três mil quilos de melões e mamões, dezessete mil na de queijos do tipo Minas, dezoito mil na de presuntos cozidos, sem capas de gordura, feitos com pernis de porco, pimentas vermelhas e pretas.
Quando li a informação da esperta Cleo Guimarães, indaguei a mim mesmo: o gigante Golias, da Bíblia, após ter sido liquidado por Davi, conseguiu ressuscitar em pleno século XXI? Agora ele almoça e janta no Palácio da Alvorada, aliás, da Gastança, como hóspede do beduíno Michel Miguel Elias Temer Lulia? Bonito nome! Dois brutamontes, acredito, já se instalaram lá, os esfomeados gigantes Gargantua e Pantagruel, nascidos da rica imaginação de François Rabelais (1494-1553), com as suas panças bem arredondadas, soltando arrotos e peidos épicos, marciais.
Num país mergulhado em profunda crise econômica, onde há quatorze milhões de desempregados – e não sei quantos de barriga vazia – o cardápio do Lulia (não confundir com Lula) custou quase sessenta mil reais! Isto se chama afronta, zombaria, desprezo, insulto a um povo carente. É o mesmo que mandar erguer, no meio de enorme favela ocupada por miseráveis famintos, um castelo cheio, na sua cozinha, de manjares saborosos, macios peitos de peru, suculentas carnes assadas, graúdos ovos dourados, fritos no mais puro azeite.
Revela um estudo inédito do Banco Mundial, órgão dirigido por Martin Raiser: entre 2,5 milhões e 3,6 milhões de brasileiros, na maioria jovens, passarão a viver na pobreza, até o fim de 2017. Pergunto: a cozinha do presidente Lulia, embora nababesca, vai alimentá-los?
Desejo entender. Por que gastar seis mil reais na compra de pães de queijo? É para engordar, no Palácio da Gastança, milhares de ratos e ratazanas, de caras idênticas às caras do Eduardo Cunha e do Sérgio Cabral?
Presidente Lulia, incrível, foram gastos quatorze mil reais na compra de 2.500 abacaxis. Abacaxis demais! É por que o abacaxi se tornou o símbolo do seu governo? Segundo o Dicionário de usos do português do Brasil, de Francisco S. Borba, a palavra abacaxi também se aplica às coisas perigosas. Ora, senhor Lulia, se o seu governo é um abacaxi, ele é um perigo, uma ameaça, um risco a pairar sobre as cabeças de todos nós. Cruz, credo!
Presidente Lulia (repito, não confundir com Lula), para que gastar dezesseis mil reais na compra de melões e mamões? Vai esborracha-los nas caras dos que o chamam de golpista? Ui, quero me proteger...
Presidente Lulia, por que gastar dezessete mil reais na compra do queijo tipo Minas? É ainda para satisfazer milhares de ratos e ratazanas do Palácio da Gastança, como ficaram satisfeitos, antes de cair nas ratoeiras fatais, os ratos de duas pernas – ratos bípedes – Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara Federal, e Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro? Ambos guincham, agitam-se, estrebucham, sacodem os rabos, tentando escapar das garras afiadas do Sérgio Moro, agilíssimo gatão juiz.
Presidente Lulia (volto a repetir, não confundir com Lula) formulo esta pergunta: o apetite do seu estômago sírio-libanês corresponde ao monstruoso apetite da sua ambição política? Se corresponde, passarei a compreender porque o seu governo gastou dezoito mil reais na compra de soberbos presuntos cozidos, sem capas de banha, feitos com roliços pernis de suínos brasilienses, esplêndidos pernis cobertos de pimentas vermelhas, da cor da nossa indignação, e de pimentas pretas, da cor dos nossos vômitos de nojo, diante dessa orgia de gastos. Sim, desperdício do dinheiro público na aquisição de alimentos perecíveis, destinados a apodrecer de modo rápido na copa do edifício que pode ostentar este outro nome: Palácio da Gastança.
Presidente Lulia, o senhor me dá a impressão de ser igual a Vitélio, imperador romano (15-69), célebre por causa do seu voraz apetite. A gula desse homem não tinha limites. Após a revolta de Tito Flávio Vespasiano (7-79), ele fugiu com o seu padeiro e o seu cozinheiro. O povo assassinou o comilão e o jogou no rio Tibre. Senhor Lulia, aí em Brasília existe algum rio?
Aconselho o nosso super-legitimo presidente a jamais comer tanto como o romancista Honoré de Balzac (1799-1850), que num restaurante de Paris devorou seis pudins, doze costelas, vinte bifes, noventa e seis ostras de Ostende.
Um naturalista inglês, John Lubbock, garantiu: a aranha, no reino dos animais, é o bicho que mais come, proporcionalmente ao seu peso e ao seu tamanho. E Lubbock chegou à seguinte conclusão: se um homem precisasse se alimentar à semelhança das aranhas, teria de engolir, todos os dias, duas vacas, três carneiros, dez porcos, milhares de peixes compridos.
Creio que devido a fartura do cardápio do Palácio da Gastança, o presidente Lulia foi em outra encarnação uma viúva-negra, a mais voraz, temida e peçonhenta das aranhas. O nome dela provem do fato da fêmea dessa aranha comer o macho, depois do acasalamento. Isto lhe fornece uma proteína extra, capaz de ajudá-la a produzir os seus ovos.

Sintetizo a minha hipótese. Talvez o presidente Lulia seja o nosso Homem-Aranha. E ele soube construir a sua teia, a fim de eliminar a inculpável borboleta Dilma Rousseff.

Artigo publicado no Jornal Itabirano

segunda-feira, 20 de março de 2017

Je suis um révolté par les “gens qui puent"

J´ai été fou de rage en lisant, dans un récent exemplaire de la revue "Veja São Paulo", l´article sur les personnes venant de l´intérieur de l´état de Sao Paulo qui arrivent en jets privés, hélicoptères, en grosses voitures importées, pour acheter des vêtements et objets excessivement chers. Ces personnes sont reçues sur un tapis couleur sang et avec des grandes courbatures vertébrales par les vendeurs des boutiques, des magasins hypers chics de la "route du luxe" de la métropole.
Signé para Ricky Hiraoka, le bel article et très bien écrit, informe: le chef d´entreprise Patrícia Diniz, de la ville de Campinas, en une après-midi seulement d´achats, elle a depensé 85000,00 reais, environ 27000,00 euros (le salaire minimum au Brésil est de 234,00 euros). Elle est venue à Sao Paulo en helicoptère rouge, couleur de mon idignation, depensant pour la location de l´appareil, 3200,00 euros. Le coiffeur Djalma Kais, dont le crâne rasé qui scintille comme une boule de billard, a perçu la modeste somme de 3800,00 euros, simplement pour retoucher le maquillage de Patrícia et ses cheveux châtains ondulés. Belle femme, sympathique, femme balzacienne très raffinée (38 ans), elle porte des chaussures Armani, des foulards Versace, des sacs à main Hermès, des bijoux Cartier et Tiffany, des marques qui selon moi, homme révolté par les "gens puants", considère cela comme synonymes de gâchis, exagération, exhibitionnisme, élitisme, aristocratisme.
Voici les autres dépenses de la joyeuse Patrícia Diniz: 300,00 euros pour un foulard noir de Louis Vuitton, une paire de lunettes Chanel de 513,00 euros, une chemise à paillettes de 745,00 euros, un petit manteau de 910 euros, deux gilets, chacun de 3100,00 euros, totalisant la somme de 6200,00 euros.
Le chef d´entreprise a déjeuné au restaurant Parigi, appartenant au groupe Fasano, situé rue Amauri dans le quartier de Itaim Bibi, repas, dont le coût est une bagatelle de 282,00 euros, réglé avec des billets de 50 euros.
Heureuse de porter des sacs énormes montrant les étiquettes de Tufi Duek, de Chanel, de Louis Vuitton, l´extrovertie Patrícia, propriétaire de perturbatrices et hypnotiques jambes, est repartie à la ville de Campinas dans le bel hélicoptère rouge, super enthousiasmée d´avoir de penser, à peine en quatre ou cinq heures, l´insignifiante, la babiole, la folie, la bagatelle de 27000,00 euros. Elle déclare : je fais cela toutes les semaines, avec une dépense mensuelle de 100000,00 euros, seulement ça...
L´article de Ricky Hiraoka, souligne aussi, le mode impartial, du médecin spécialiste en nutrition Danny César,  le "Docteur Hollywood" de la région du Balneário de Camburiú de l´état de Santa Catarina, accompagné de son épouse, la blogueuse Michelle Jumes, après être arrivé à l´aéroport du Champs de Mars, par vol affrété pour presque 2000,00 euros, s´est rendue à la boutique de Versace, au shopping luxueux de  Cidade Jardim, et acheta une paire de chaussures pour 562,00 euros. Danny n´a pas oublié de passer o Jassa, le coiffeur spécialisé dans l´art de teindre en vert ou en bleu ou en gris, les fils de la tête de l´octogénaire Silvio Santos.
Ensuite, Danny se rendit dans deux très élégantes boutiques, Shultz e Chili Beans, situées rue Oscar Freire. Créature ennemies des locaux suspects, comme ces churrascarias populaires, de Viande à volonté, a décidé de déjeuner dans le très réputé restaurant Figueira Rubayat, situé rue Haddock Lobo, dans lequel les pets sont discrets et où il depensa, la bagatelle et modeste somme de 282,00 euros. La chroniqueuse people Alik Kostakis, du journal Ùltima Hora, avait raison: "les personnes de la haute société, c'est autre chose".
En début de soirée, le "Docteur Hollywood du sud", avec de nombreux sacs pleins, avait dépensé l´insignifiante somme de 3500,00 euros. Somme vulgaire, méprisable ! Peut-être que la petite dépense lui a fait honte, car seules les misérables personnes répugnant les gens puants, comme le révolté écrivain Fernando Jorge, cherche à dépenser le moins possible.
D´après Ricky Hiraoka, Madame Daniela Mott, de la région de Sao José dos Campos, a commandé huit tenues dans une boutique d´une "zone considérée noble" de Sao Paulo. Prix de chaque tenue : 2500,00 euros. Dépense totale : 20000,00 euros. Probablement, Madame Daniela vendra chaque tenues pour 5 ou 6000,00 euros, comme cela est pratiqué normalement...
Lethicia Bronstein, styliste dans ce domaine, arrive à vendre des robes de mariage pour 6300,00 euros. Les acheteuses, pour la plupart, ne sont pas de la ville de Sao Paulo, mais oui, de l´intérieur de l´état.
Alors, certains lecteurs pourraient se demander:
- Fernando Jorge, pourquoi êtes-vous furieux en prenant connaissance de ces faits? Vous êtes un refoulé, victime de l´abolition du complexe d´infériorité? Et alors, vous ne savez pas que tout un chacun a le plein droit de dépenser son argent comme bon lui semble? Vous ignorez aujourd'hui que même en Chine communiste, il existe des millionnaires?Je réponds très sincèrement:
- Au Brésil, il y a encore une société très injuste, inégale, où nous voyons des indigents qui dorment dans les rues, des professeurs ayant des salaires dérisoires, des retraités sans suffisamment d´argent suffisant, des jeunes de familles pauvres, modestes, privés d´étudier, de fréquenter des écoles ou des universités, des millions de compatriotes dans la détresse, des malades, des mal nourris ayant besoin d´une rapide assistance médicale, des travailleurs qui reçoivent des salaires dégoûtants, humiliant, impropres pour survivre, payer le loyer, acheter des vêtements, des chaussures, des aliments, des remèdes, prendre le bus, trains ou métro. Je pose la question: comment rester insensible, silencieux, indifferent en voyant tout cela, et, la grande chique Patrícia Diniz qui achète des colliers à 6300,00 euros? Il est impossible de se conformer tout en sachant qu´elle a depensé, en quelques heures, 27000,00 euros dans l´achat de foulards, des petites choses de Versace, d´Hermès, d´Armani, produits identiques ou même inferieurs à d´autres dans des magasins normaux.
 
-Si quelqu'un s´oppose à mes propos et qui n´est pas d´accord, je réplique:
Jamais je n´accepterai une telle orgie de dépenses, car blessant, me faisant mal à la sensibilité de mon cœur démocratique, je perçois l´autre coté-le coté sombre-les plaintes, l´angoisse, la souffrance des ramasse-miettes d´une société égocentrique, inhumaine, amoureuse de choses superficielles, admiratrice de son propre nombril, sourdes aux lamentations des pauvres gens, capable de gaspiller de l´argent et incapable d´en donner à un hôpital, à une crèche, à une école, à une maison de retraite, à un orphelinat.

• Écrivain et journaliste, Fernando Jorge est auteur de "Drummond e o elefante Geraldão", qui vient d´être publié par l´éditeur "Novo Século" et dont la première édition est presque épuisée.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Conseils du pré-cadavre Fernando Jorge au pré-cadavre Michel Temer

Moi, le raisonnable pré-cadavre Fernando Jorge, au travers de cette lettre, donne quatorze conseils au petit futé pré-cadavre Michel Temer, Président de la république. Oui, nous sommes deux pré-cadavres, car nous avons quasiment le même âge avancé. Madame la Mort nous guette avec une toute spéciale attention. Tout d´un coup, VUPT! Elle saisira nos carcasses, nous jetant dans une tombe ou dans un four crématoire. Pourtant, c´est logique, que je demande à Michel Temer, collègue pré-cadavre, de se plier dès maintenant à mes conseils, avant d´acquérir une figure de défunt mélancolique ou de mauvaise humeur.

Premier conseil: restez calme, Président, pour avoir été cité quatorze fois durant l´enquête concernant l´opération “lava jato”. Et, restez ferme, serein, alors que votre nom apparaît vingt et une fois, entre 1996 et 1998, dans les dossiers appréhendés par la Police Fédérale au domicile d´un exécutif de l´entreprise Camargo Corrêa. Le nom de mon collègue pré-cadavre se distingue toujours dans ces affaires, comptabilisant plus de 340 mille dollars.

Deuxième conseil: contrôlez une fois de plus vos nerfs, collègue pré-cadavre, car Romero Ducá, du PMDB, ministre de l´administration, votre bras droit, l´un de vos principaux articulateurs, répond à l´enquête dans les opérations “Lava Jato” et “Zelote”.

Troisième conseil: riez, collègue pré-cadavre, au-devant des accusations de Henrique Eduardo Alves, lui aussi du PMDB et ministre du tourisme. Cet aimable collaborateur de Votre Excellence, souffre d´une enquête dans l´opération “Lava Jato” autorisée par le tribunal suprême fédéral, afin d´établir des dessous-de-table pour sa propre campagne, Eduardo Alves, au gouvernement de l´état du Rio Grande do Norte.

Quatrième conseil: méprisez, collègue pré-cadavre, les accusations de Gedder Vieira Lima, lui aussi du PMDB, ministre chef de l´État de votre gouvernement. Regardez ce regard sérieux, vigoureux, fermé, de cet homme qui, en accord avec le rapport émis par la Police Fédérale, permettait à la société OAS d´utiliser de manière fallacieuse son influence de député, au profit de nombreuses institutions publiques.

Cinquième conseil: embrassez longuement, collègue pré-cadavre, Osmar Terra, votre ministre du développement social et de l´agriculture, lui aussi du PMDB, le parti politique le plus limpide du Brésil. Tant d´insolence, Monsieur le Président, combien d´insolence, le tribunal des comptes de l´état du Rio Grande do Sul ose pointer des irrégularités concernant les gestions d´Osmar, tant au ministère de la santé comme à la préfecture de la ville de Santa Rosa, et le condamne au paiement d´une incroyable amende!

Sixième conseil: hypothéquez de la solidarité, collègue pré-cadavre, au ministre Blairo Maggi, de l´agriculture. Blairo, du PP, est victime de deux actions civiles publiques, pour insubordination administrative, toutes deux, menées para le ministère public du Mato Grosso.

Septième conseil: serrez, d´une main honnête, collègue pré-cadavre, de votre ministre Medonça Filho, de l´éducation et de la culture, du DEM. Il fait l´objet, lors de la septième phase de l´opération “Lava Jato”, de l´accusation d´avoir perçu 250 mille reais de pot-de-vin, des entreprises Odebrecht et Queiroz Galvão.

Huitième conseil: embrassez-le sur la bouche, collègue pré-cadavre, caressez-le beaucoup, lui faisant des chatouilles sous ses dessous-de-bras bien poilus, du ministre Gilbert Kassab, Science, Technologie et Communications, membre du PSDB. Kassab est accusé dans une action d´insubordination administrative. Le tribunal de justice de Sao Paulo ose affirmer: cet ex-préfet de la capitale Paulista, n´a pas empêché, dans cette foire, la collecte de pots-de-vin.

Neuvième conseil: prononcez un discours, collègue pré-cadavre, en défense de José Serra, du PSDB, votre ministre des relations extérieures. Cité dans la liste des bénéficiaires d´ Odebrecht, il a violé la loi Organique municipale lorsqu´il était préfet de la ville de Sao Paulo, car il n´a pas correctement approuvé l´augmentation de salaire des fonctionnaires publics municipaux. Il a montré pendant sa gestion, somme toute scandaleuse, l´insubordination administrative.

Dixième conseil: offrez une boîte de vitamines, collègue pré-cadavre, comme preuve d´admiration et d´amitié, à Ricardo Barros, du PP, votre ministre de la santé. Le nom de Ricardo est sur la liste d´Odebrecht. La police fédérale a ouvert une enquête le concernant pour seulement trois petites choses: corruption passive, détournement de fonds et fraudes, dans l´appel d´offres sur des contrats de services publicitaires destinés à la préfecture de Maringá. Tout au bénéfice de l´entreprise Meta Propaganda.

Onzième conseil: envoyez, collègue pré-cadavre, un CD contenant des musiques de Sanfoneiro Luiz Gonzaga, le “Roi du Bairão”, à Sarney Filho, du PV, votre ministre de l´environnement. Petit Sarney, ou plutôt, le grand Sarney, a dû payer une amende très élevée, sous l´accusation de publicité politique malhonnête, sanction fixée par le ministère public fédéral.

Douzième conseil: offrez une voiture bien chère comme cadeau, dernier modèle, collègue pré-cadavre, à Mauricio Quintella, du PR, votre ministre des transports. Douce créature au regard gentil, Mauricio, le pauvre, a été condamné pour insubordination administrative des deniers publics et enrichissement illicite. Il fait l´objet aujourd’hui d´une enquête, qui vérifie les détournements de fonds.

Treizième conseil: protestez de manière violente, collègue pré-cadavre, contre les accusations de Helder Barbalho, de l´éthique PMDB, votre ministre de l´intégration nationale. Notre justice injuste l´accuse d´insubordination administrative lorsqu´il était préfet de Ananindeua, ville de l´état du Pará. Selon cette Justice, Helder a détourné des fonds de la sécurité sociale-SUS.

Quatorzième conseil: ne cachez pas votre profonde admiration, collègue pré-cadavre, pour Moreira Franco, du pur PMDB, votre secrétaire spécial de l´investissement. Le 27 avril 1998, le suprême tribunal fédéral a condamné Moreira, ex-gouverneur de Rio de Janeiro, pour avoir commis un acte préjudiciable au patrimoine public. Il a utilisé l´argent du contribuable pour imprimer le livre Moreira Franco, il a gouverné pour tous, édition contenant 274 pages, 180 photos en couleur et tirage à 50 mille exemplaires. La justice lui a demandé de rendre la somme de 150 mille dollars, pour le non-respect à l´article 37 de la constitution, qui interdit l´administrateur, l´autopromotion de publicité d´actes et d´œuvres publiques.

En conclusion, moi, l´écrivain Fernando Jorge, modeste pré-cadavre, salue avec enthousiasme le pré-cadavre Michel Temer, pour cette heureuse et grande intelligence dans le choix de ses ministres. Bravo, Président, mille Bravos! Quel esprit juste, raisonnable, minutieux, Votre Excellence! Voyez-vous, je suis touché, par une chaude larme, sincère et lumineuse, qui coule sur mon visage pâle de pré-cadavre patriote…

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A fúria absurda de um ator

Já narrei, no meu livro “Cale a boca, jornalista!”, um episódio tragicômico da vida do grande ator de teatro Procópio Ferreira, mas é interessante, aqui em nosso despretencioso bate-papo, evocar esta história outra vez, pois ela prova como o ódio e a fúria dos mandões contra a imprensa do país de Lula podem impregnar a alma de um artista, modificando-lhe a personalidade.
Em 1º de julho de 1933, apareceu no Correio da Manhã uma crônica de Gondin da Fonseca, que ele assinou com e pseudônimo de M. Cláudio. Conforme escreveu o autor desta crônica, o nome João é indispensável na feitura dos pseudônimos:
“Vão-se de cada vez tornando-se mais raros os pseudônimos sem João: Mendes Fradique, Tristão de Ataíde, Oscar d’Alva, Procópio Ferreira.
O caso deste último é interessante. Nascido no Funchal (ilha da Madeira), Procópio, que se chama, efetivamente, segundo já li em livro, João do Quintal Ferreira Júnior, veio pequeno para o Brasil e aqui estudou, cresceu e se fez homem. Entrando para o teatro, adotou um pseudônimo que a multidão já vai decorando e celebrizando. Amigos dos nossos homens de boemia e de letras, auxiliou ou custeou integralmente do seu bolso a publicação dos versos de Moacyr de Almeida – o saudoso poeta falecido com 23 anos – e das Fábulas, de Catulo Cearense. Além disso, quantas peças nacionais tem interpretado no decurso deste último decênio? Quantas?
E Gondin acrescentou de modo lírico, pondo o artista nos carrapitos da lua:
“Todavia, mais do que qualquer comendador, presidente de sociedades regionais portuguesas, Procópio não esquece a Mãe-Pátria, o velho Portugal, e assim é que, nas suas companhias, admite de preferência atores lusitanos. Atores, atrizes, comparsas, empregados subalternos, etc. Poder-se-á, no entanto, com justiça, negar aplauso a tal atitude? Não, por certo. O que ás vezes acontece é que, na confusão de prosódias verificada no palco da companhia de Procópio, nasce para o espectador um vago mal-estar: dir-se-ia que as peças são bilíngues”...
Célere, impetuoso, após ler estas linhas no Correio da Manhã, o ator pegou um revólver e voou até a redação do periódico, a fim de matar M. Cláudio. De fato, como salienta Gondin da Fonseca, a pecha de português doeu mais em Procópio do que qualquer outra que lhe pudesse ser lançada, pois ele se sentiu “injuriado, aviltado, sujo em sua honra”. Só encontrou um caminho: a desafronta à bala. A muito custo, informa Gondin, “um redator do jornal o dissuadiu de levar por diante os seus propósitos sanguinários”. Mas Procópio impôs ao Correio da Manhã a publicação do seguinte termo do registro de nascimentos da 3ª Pretoria Cível da freguesia de Santo Antônio.
Depois da publicação do termo, a Colônia lusa mostrou-se ofendida. O embaixador de Portugal explicou:
-E por duas razões. Primeiro, porque ele não provou chamar-se Procópio; segundo, porque se envergonhou de ser português. Arre! Ser português é desdouro?

Temos a impressão de que Procópio Ferreira, influenciado pelo assalto dos tenentes ao Diário Carioca, ocorrido no ano anterior, também resolveu socorrer-se da violência, da força bruta, para “desenxovalhar a sua honra”. Portanto convém repetir: o ódio, a fúria dos mandões contra a imprensa, podem impregnar o espírito de um artista, modificando-lhe a personalidade...

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Eu pergunto: no fundo sou um assassino?

Entrevistado pelo Antônio Abujamra no programa “Provocações”, do Canal 2, TV Cultura, ele perguntou a mim:
-Fernando Jorge, qual é o seu maior sonho?
Respondi, sem vacilar:
-O meu maior sonho é ver os nossos políticos corruptos serem fuzilados numa praça pública.
Almoçando comigo, Sinval de Itacarambi Leão, diretor da revista IMPRENSA, criticou a minha resposta:
-Você é muito violento, um jornalista não deve pensar assim.
Mas confesso, já pensei assim em dezenas de ocasiões. Eu indago: no fundo sou um assassino, um criminoso nato, como os descrevia o italiano Cesare Lombroso (1835-1909), autor do famoso livro L’uomo delinquente, publicado em 1876?
Vou evocar quantas vezes senti a forte vontade de matar. Pelo menos sou franco, sincero. Detesto a hipocrisia, pois acho, como o filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626), que “não há prazer comparável ao de pisar firme sobre o vantajoso terreno da verdade” (No pleasure is comparable to the standing upon the vantage ground of truth).
No ano de 1992 alimentei o sonho de estrangular o presidente Fernando Collor de Mello e o ex-tesoureiro deste, o empresário Paulo César Farias, devido ao esquema montado para desviar dinheiro público e arrecadar propinas. Quem denunciou o esquema foi o Pedro Collor, irmão caçula do Fernando Collor.
Em 1993, no ano seguinte, apoderou-se de minha alma satânica o monstruoso desejo de enforcar a Raquel Cândido, deputada federal de Rondônia; o João Alves de Almeida, deputado federal da Bahia; o José Carlos Alves dos Santos, diretor da Comissão de Orçamento da Câmara. Por que quis enforcá-los? Devido ao esquema “Anões do Orçamento”. Eles desviavam dinheiro do Orçamento da União, por meio de emendas parlamentares, a fim de beneficiar laranjas e parentes...
Entre os anos de 1993 e 1999 tive ganas de assar, como churrasco, o Paulo Maluf, ex-prefeito de São Paulo, e o Celso Pitta, seu ex-secretário de Finanças, pois o dinheiro obtido com o lançamento de títulos da Prefeitura da capital paulista, destinado a pagar os precatórios (dívidas judiciais), foi usado em obras superfaturadas. Houve enorme desvio de recursos. Graças à bandalheira, doleiros e empresas fantasmas depositaram milhões de reais no exterior. Dinheiro nosso, suado, de um povo iludido, traído.
No ano de 2000 sofri a ânsia de pretender afogar num lago cheio de piranhas esfomeadas o juiz Nicolau dos Santos Neto e o senador Luiz Estevão de Oliveira. Por quê? Apenas porque desviaram cerca de 930 milhões de reais (valores atuais) durante a construção superfaturada da nova sede do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. Dono de uma construtora, Luiz Estevão papou imensa quantia e o Nicolau se enriqueceu muito às custas do dinheiro roubado. Este juiz canalha comprou carros de luxo, imóveis caríssimos, apartamentos na Flórida. Eu gostaria de ver, no lago, centenas de piranhas comendo os dois. Piranhas vorazes, de dentes bem aguçados, devorando gorduchos tubarões! Que cena linda, encantadora, maravilhosa! Desconfio: além de assassino, sou sádico.
Ano de 2003. Senti a avassaladora vontade de liquidar com venenos contra ratos, infalíveis raticidas, os réus da Operação Anaconda, da Policia Federal. Esta descobriu, por meio de escutas telefônicas, as provas de extorsão e venda de sentenças judiciais. Eis as vitimas, conforme o meu sonho ardente, das certeiras e mortíferas doses do raticida: o juiz João Carlos da Rocha Mattos, mentor do esquema; os juízes Casem Mazloun e Ali Mazloum; os delegados José Augusto Bellini e Jorge Luiz Bezerra da Silva, todos condenados em primeira instância.
Ano de 2005. Escândalo do Mensalão, esquema montado com a ajuda de bancos e empresários, para financiar os partidos aliados do governo federal. Num outro sonho ardente, obriguei o envolvido Roberto Jefferson, do PTB-RJ, a matar o envolvido deputado Valdemar Costa Neto, do PR-SP. Depois, ainda no mesmo sonho, forcei o envolvido empresário Marcos Valério Fernandes de Souza a assassinar o Roberto Jefferson. E por fim o Marcos é liquidado pelo José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil da Presidência da República. E quem mataria o Dirceu? O Lula...
Ano de 2006. A Máfia dos Sanguessugas, fraude nas emendas do Orçamento. Culpados: Maria da Penha Lino, funcionária do Ministério da Saúde, e Darci e Luiz Antônio Vedoin, pai e filho, empresários que pagavam propina a deputados. Minha sentença: eu os entregaria à boca de uma comprida e gulosa jararaca verde-oliva.
Ano de 2007. Operação Navalha, esquema descoberto pela Polícia Federal, de favorecimento ilegal da construtora Gautama em licitações de obras do PAC e de programas federais. Dois culpados: Zuleido Veras, dono da Gautama, e Ivo de Almeida Costa, assessor no Ministério de Minas e Energia. Sentença do assassino Fernando Jorge: morte de ambos com navalhadas nas suas gordas e luzidias bundas.
Ano de 2010. Mensalão do DEM, esquema de pagamentos de propinas de empresários a integrantes do governo. O José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal, e o Leonardo Prudente, que presidiu a Câmara desse distrito, recebiam pacotes de dinheiro em seus gabinetes, como mostram de forma clara os vídeos. Sentença do degenerado Fernando Jorge: teriam de engolir, num chiqueiro fedido, mil notas de dez reais, cobertas de merda, até morrerem sufocados.
Paro aqui. Deixei de lado a roubalheira da Petrobras, do Lava Jato, pois o meu estômago é sensível e não quero vomitar...