domingo, 14 de setembro de 2014

Jânio foi cassado por causa do seu beliscão numa bunda


Conforme narrei no meu livro Drummond e o elefante Geraldão, fui amigo íntimo do presidente Jânio Quadros. Ele morava perto do meu lar, numa casa térrea da rua 9 de Julho, número 880, em frente à Chácara Flora, no bairro Alto da Boa Vista, da cidade de São Paulo. Aos sábados, no período da manhã, Jânio costumava telefonar para mim. E muitas vezes ouvi esta súplica:

-Socorro, Fernandinho, socorro, estou morrendo!

Eu respondia:

-O senhor está doente, passando mal?

Palavras invariáveis do marido da dona Eloá:

-Estou morrendo de tédio, não aguento mais!

-Por que, presidente?

A explicação era dada num tom de angústia:

-Candidatos aos cargos de vereador, de deputado, e até de prefeito, invadem o meu tugúrio, o meu sacrossanto lar, na ânsia de serem fotografados junto de mim. Nem sequer os conheço! É gente de cabeça completamente vazia. Se fossem guilhotinados, como a Maria Antonieta, as suas cabeças subiriam aos ares como balões, perder-se-iam nas alturas!

Jânio então solicitava:

-Por favor, Fernandinho, almoce comigo. A Eloá vai servir o meu prato predileto, camarões com quiabo. Venha aqui e falaremos sobre arte, poesia, literatura, coisas elevadas. Comentaremos as parvoíces, os destrambelhos dos nossos políticos. Assim me sentirei melhor...

E eu, dezenas de vezes, ia almoçar com o Jânio. A conversa se estendia por horas a fio, só se encerrando ao anoitecer. Ele se abria comigo, não escondendo nada, nem mesmo pormenores de sua vida sexual, porém longe, é claro, da presença discreta da dona Eloá.

Quando a Adelaide Carraro (o sarcástico Agrippino Grieco a chamava de Adelaide Escarraro) lançou em 1963 o seu romance autobiográfico Eu e o governador, perguntei ao Jânio:

-Já leu este livro, presidente?

O mato-grossense não escondeu a verdade:

-Fiz fuki-fuki com a Adelaide, numa banheira, mas ela carecia de carne, era ossuda, e sou carnívoro como os tigres, os leões.

Rindo como um garoto travesso, prosseguiu:

-Sabe quem é o governador, no livro?

-Não.

-Sou eu.

Influenciado por esse depoimento de Jânio, coloquei no capítulo XIII do meu romance satírico O Grande líder, atualmente na sexta edição, a seguinte passagem, a fim de descrever um dos hábitos do personagem principal, Piranha da Fonseca Albuquerque:

“No palácio acolhia os secretários em cuecas, ou dentro da banheira, enquanto a impudica Joana D’Arc beijava as unhas dos pés do seu amado, sinuosas como roscas e orladas de preto.”

Certa vez eu e o Jânio estávamos à beira da piscina da sua casa, sentados em cadeiras de lona. De repente, bebendo uísque, ele soltou estas palavras:

-Perdi os meus direitos políticos, fui cassado em 1964, por causa do beliscão que dei numa bunda.

A princípio pensei que se tratava de brincadeira, mas ele continuou, de cara séria:

-Numa recepção, antes do Golpe de 1964, eu havia me excedido no uísque e belisquei a rechonchuda nádega esquerda da dona Yolanda Costa e Silva, esposa do comandante do II Exército, o general Artur da Costa e Silva. Ele tomou conhecimento desse episódio lamentável. Arrependo-me de ter agido de maneira tão soez, tão imprópria de um censor dos atos imorais.

-E como o Costa e Silva veio a saber disso?

-Creio que a própria dona Yolanda, mulher honrada, queixou-se a ele. Talvez ela tenha ficado com a bunda roxa, pois a belisquei fortemente.

Algo eufórico, sob o efeito dos vapores do uísque, o Messias do bairro de Vila Maria acrescentou:

-Fernandinho, sou um bundófilo, apaixono-me por nédios bumbuns femininos, gosto de comprimi-los, mas depois o remorso me atormenta. There is another man with’n me that’s angry with me.

Arregalei os olhos e ele me esclareceu:

-É uma frase do filósofo inglês Thomas Browne, no seu livro Religio Medici. Vou traduzi-la. “Dentro de mim há um outro homem que está contra mim.”

Perguntei como o vigoroso aperto na bunda da dona Yolanda gerou o processo causador da perda dos seus direitos políticos. Explicou:

-Logo após o Golpe de 1964, o general Humberto de Alencar Castelo Branco enviou-me um pedido. Queria que eu redigisse um documento, para incentivar os civis a apoiá-lo por sua investidura no cargo de presidente da República. Eu o atendi. O documento, assinado por mim, foi divulgado de forma ampla pelas emissoras de rádio e de televisão, pelos jornais do Brasil inteiro. Portanto, eu, Jânio Quadros, era visto com simpatia no círculo dos militares do Golpe, eles não me consideravam corrupto, ou subversivo, ou inimigo. O Castelo me admirava, pretendia convocar-me no futuro.

E aí, presidente?

-Aí, na primeira lista de cassações, o almirante Augusto Rademaker e o brigadeiro Francisco Assis Correia de Melo, integrantes do Comando Supremo do movimento revolucionário, não incluíram o meu nome nessa lista. Depois de examiná-la, o general Artur da Costa e Silva, ministro do Exército, lembrando-se do beliscão que apliquei na bunda da dona Yolanda, exigiu a inclusão do meu nome. Devido ao seu ódio, ao seu rancor, ao seu espírito vingativo, com base no Ato Institucional número 1 (AI-1), fui cassado no dia 10 de abril de 1964.

Teci este comentário:

-Presidente, pequenas causas, grandes efeitos. Evoco a afirmativa do filósofo Blaise Pascal: um diminuto grão de areia, un petit grain de sable, na bexiga de Olivier Cromwell, chefe da revolução inglesa de 1645 que destronou e executou o rei Carlos I, tirou a vida de Cromwell. Resultado, o grãozinho modifica a história da Inglaterra...

Jânio Quadros deduziu, após beber um gole de uísque:

-E querido amigo, o rumo da minha vida foi alterado por causa do meu beliscão no glúteo opulento, perturbador, da dona Yolanda.

Rimos a valer. Aliás, esse beliscão histórico é também descrito, sem as minucias aqui apresentadas, nas páginas 112 e 113 do livro As armadilhas do poder, do jornalista Gilberto Dimenstein, lançado em 1990 pela Summus Editorial e pela Folha de S.Paulo.

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Escritor e jornalista, Fernando Jorge é autor do livro Se não fosse o Brasil, jamais Barack Obama teria nascido, cuja 3ª edição foi lançada pela Editora Novo Século

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Paulo Coelho difamou Jesus Cristo!

Chocou-me a agressão do imerecidamente famoso Paulo Coelho a Jesus Cristo. Entrevistado pelo jornal inglês The Guardian, esse subliterato se atreveu a defecar estas blasfêmias:

"Esqueceram-se de que Jesus foi politicamente incorreto, do início ao fim. Ele era um bon-vivant. Viajava, bebia e tinha uma intensa vida social. Seu primeiro milagre não fui a cura de um cego pobre. Ele transformou água em vinho, e não vinho em água. "

Quando li tamanha cretinice, reproduzida pela revista Veja, senti gana de amordaçar o Paulo Coelho e de obrigá-lo, após abrir sua boquinha, a engolir mijo de gambá e merda de porco. Aplicando-lhe uma chicotada na bunda bem nutrida, branca como a da ministra Marta Suplicy, eu ordenaria:


-Mostre que você é um perfeito suíno.

Para não receber no traseiro outra lambada, o Paulito Coelhito cuincharia assim:

-Cué, cué, cué, cué, cué!

Ah, se eu pudesse, com o meu escaldante sangue árabe, arremessá-lo num chiqueiro cheio de podre lama fedorenta e fazer isto! Como me sentiria bem!
O poeta Quintus Horatius Flaccus (65-8 a.C.) estava certo ao afirmar o seguinte na Epístola aos pisões:


"Quem obteve o que lhe basta, não ambiciona mais nada".
("Quod satis est cui contingit, nil amplius optet").

Corretíssimo. Penso como o protegido de Mecenas, como o mais sutil dos poetas latinos. Se eu castigasse o Paulito Coelhito dessa maneira, ficaria tão feliz, tão realizado! Talvez até daria a alma a Deus, pois Guimarães Passos (1867-1909) expressou a verdade no soneto "A vida", do livro Versos de um simples:


"Muita felicidade também mata"
Vejam as besteiras do Paulito Coelhito. Por que Jesus "foi politicamente incorreto, do início ao fim"? Por quê? Quanta estupidez! O Nazareno deveria estar a serviço do Império Romano? Submeter-se às determinações de Pôncio Pilatos? Outra burrice: dizer que o Verbo Divino era um bon-vivant, um gozador que só viajava, vivia bebendo, como os grã-finos de hoje enfiam nos seus buchos talagadas de vodca, de uísque ou de gim. Mais uma imbecilidade do Paulito Coelhito: garantir que Jesus Cristo "tinha uma intensa vida social", como se ele fosse, naquele tempo, a encarnação masculina da loura e risonha socialite Val Marchiori, sempre a exibir uma reluzente taça com champanhe.

Querendo provar, de qualquer maneira, que o Salvador agia como um cachaceiro, o literatelho do Diário de um mago relincha: "ele transformou a água em vinho, e não vinho em água". Perversidade, canalhice do Paulito Coelhito! Deturpou o primeiro milagre de Jesus, à semelhança de um linguarudo demônio caluniador. Narra a Bíblia que quando se celebravam umas bodas em Caná, na Galiléia, o Messias ali compareceu, junto dos seus discípulos. E Maria, mãe de Jesus, dirigiu-se ao filho:


-Eles não têm vinho.

O Mártir do Calvário, depois de pedir que enchessem de água seis talhas, metamorfoseou essa água em vinho. Então, durante o banquete, os convidados felicitaram os noivos, por causa do bom vinho servido...

Infâmia, o sentido desse episódio tão simples, revelador da infinita bondade de Jesus, foi de forma safada modificado pelo Paulito Coelhito. Este quis provar, desvirtuando a narrativa bíblica, que o Redentor era um beberrão! Autêntica baixeza!
Sustento, é disparate de grosso calibre o jornal inglês The Guardian ter publicado as idiotices desse homem digno de figurar nos dicionários de asneiras, nos bestialógicos.

Ancelmo Gois, na sua coluna de O Globo (edição de 23-1-2013) informou que o Paulo Coelho ia pronunciar uma conferência na Catedral de Milão. O achincalhador de Jesus Cristo sendo prestigiado pela Igreja Católica! Já viram um contra-senso de tal envergadura?

Na reportagem "O arco e a flecha giratório" (o correto é giratórios), publicada na revista Época (edição de 7-4-2014), o jornalista Luís Antônio Giron salienta que em Genebra, na Suíça, num apartamento duplex de 700 metros quadrados, o Paulito Coelhito, no fim da tarde, interrompe o que estiver fazendo, a fim de rezar em silêncio. Eu pergunto: rezar para quem? Um homem que desrespeita Jesus, que o achincalha, que o vê como um bêbado, um bon-vivant, uma criatura mundana, entregue a "uma intensa vida social", um homem assim somente pode rezar para um sujeito horroroso, possuidor destes vários nomes: Beiçudo, Belzebu, Bode Preto, Bruxo do Inferno, Capeta, Coisa Ruim, Lúcifer, Maligno, Mefistófeles, Não-sei-que-diga, Pé de Cabra, Príncipe das Trevas, Porco Sujo, Satanás, Serpente Maldita, etc, etc.


Explodi em gargalhadas, após ler na revista Contigo (edição de 27-3-2014) a reportagem de Nelson Liano Jr. sobre as orações de Paulo Coelho e dos seus amigos a São José, numa festa realizada no Hotel Fortaleza do Guincho, em Cascais, Portugal. Ri sem parar, por saber, devido a essa reportagem, que São José, esposo da Virgem Maria, tornou-se o santo padroeiro do Paulito Coelhito.


Amigo leitor, responda-me: se o Paulito não respeita Jesus Cristo, ele é capaz de respeitar o seu pai terreno, São José?
Em novembro de 2012, o Paulito sofreu duas obstruções nas artérias coronárias. Um médico bruto o examinou e lhe disse que teria apenas dois dias de vida, mas a implantação de dois stents no seu coração impediu a visita da senhora de olhos gelados, munida de uma foice.


Cuidado, Paulito, cuidado! Pare de ofender Jesus Cristo! Se continuar a difamá-lo, o diabo vai raciocinar deste modo: vou jogar no Inferno esse blasfemador, causando-lhe um ataque cardíaco, pois ele me adora, cumpre fielmente as minhas ordens.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

UM CONSELHO PARA OS MEUS LEITORES


Na oitava edição do meu livro Pena de morte: sim ou não? Os crimes hediondos e a pena capital, que logo será lançada pela editora Novo Século, eu descrevo os crimes da freira Cecil e Bombeek (irmã Godofreda). Esta mulher, na década de 1970, exercia as funções de enfermeira-chefe do hospital belga de Wetteren e matou mais de trinta idosos, segundo o depoimento do doutor Jean-Paul Decorte, médico daquele nosocômio. Por que Cecile os liquidava? Apenas para alcançar dois objetivos: roubar o dinheiro dos velhos e assim poder comprar drogas, cocaína.

Eis o método da monstruosa enfermeira: metia insulina nas veias dos anciãos, acima das doses normais, ou os sufocava, despejando sucessivos goles de água pelas suas gargantas.

No ano de 2006, o enfermeiro inglês Benjamin Geen foi condenado por dois homicídios e quinze lesões corporais. Sempre muito calmo, a sorrir, num hospital de Oxfordshire, ele se especializou no processo de injetar doses letais de morfina nos pacientes...

Outro britânico, o enfermeiro Collin Norris, em 2008, extinguiu a vida de quatro mulheres idosas, aplicando nas suas artérias grande quantidade de insulina.

Ainda no mesmo ano de 2008, a enfermeira americana Maria Kelly Whitt, assassinou num hospital do Kentucky, com dose cavalar de morfina, um nonagenário, veterano da Segunda Guerra Mundial.

Não pense, amigo leitor, que só os enfermeiros e as enfermeiras estrangeiros se dedicam à arte de produzir defuntos. Aqui no Brasil existem criminosos desse tipo.

Edson Isidoro Guimarães, auxiliar de enfermagem, confessou em 1999 ter assassinado cinco pessoas num hospital do Rio de Janeiro, mas a polícia carioca acredita que ele enviou mais de 150 doentes para a morte, recorrendo ao cloreto de potássio ou desligando os aparelhos de fornecimento de oxigênio...

Wanessa Pedroso Cordeiro, técnica em enfermagem, quis matar onze recém-nascidos num hospital do Rio Grande do Sul. Declarou o delegado Guilherme Pacífico, da cidade de Canoas: ela sedava os bebês com doses elevadas de morfina e de tranquilizantes. As investigações constataram que entre os dias 5 e 13 de novembro de 2009, os onze recém-nascidos, sob os “carinhosos cuidados” de Wanessa, apresentaram, além da cor arroxeadas nas faces, sinais de asfixia, uma sonolência profunda, diminuição da frequência cardíaca, e até parada respiratória, como no caso do bebê da senhora Adeline Rocha.

Concluo este bate-papo aconselhando os meus caros leitores a serem bem cautelosos, na escolha de enfermeiros e enfermeiras. Excesso de desconfiança é burrice, mas falta de desconfiança também é às vezes boas referências não valem nada. É claro, não devemos condenar uma classe por causa de certos maus elementos, porém olho vivo, principalmente quando se trata de contratar alguém para cuidar de bebês, de deficientes físicos ou mentais, de pessoas idosas. Olho vivo, amigo leitor, olho vivo, lembre-se de que estamos num mundo imundo, repleto de traições, de armadilhas!
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Escritor e jornalista, Fernando Jorge é autor do livro Se não fosse o Brasil, jamais Barack Obama teria nascido, cuja 3ª edição foi lançada pela Editora Novo Século

O MARAVILHOSO CORPO HUMANO


Neil Clyde, famoso médico inglês, publicou na revista Family Doctor um artigo interessantíssimo, no qual afirma, de modo categórico, que em mais de setenta por cento dos casamentos felizes, a cor dos olhos do marido é diferente dos da esposa. No seu parecer há uma ligação entre a cor dos olhos e o caráter das pessoas.

“Em outras palavras – elucida o facultativo – as diferentes cores dos olhos significam caracteres dessemelhantes e, como se sabe, caracteres dessemelhantes se completam nos casais.”

O doutor explica que as criaturas de olhos azuis, verdes ou de cor cinza, são compreensivas e revelam senso de responsabilidade. A maioria dos homens de Estado, diz ele, tem olhos azuis. Já as pessoas que apresentam olhos castanhos e suas tonalidades, denotam temperamento impulsivo. Todavia, conforme salienta, não deixam de ser bondosas e muito sensíveis.

Byron nutria aversão às pessoas de olhos cinzentos.

-Você ainda é moço – disse uma vez a um amigo – e pode tirar proveito da regra que vou enunciar: não confie nunca em quem seja dono de olhos cinzentos.

-Mas – respondeu o amigo – você também os tem.

-Exatamente – respondeu o poeta aventureiro – e quanto melhor teria sido, para muitas pessoas que conheço, se houvessem observado a regra em relação a mim!

Dirijamos a nossa vista para o reino dos animais. Torna-se fácil constatar que cada bicho, cada inseto, cada ave, tem um tipo próprio de visão.

O gato, durante o dia, mostra a pupila idêntica a uma racha estreita, vertical. É que ele correu as cortinas do olho, pois assim evita a luz demasiada. À medida que esta vai diminuindo, as cortinas se abrem, aproveitando o resto da claridade.

Os peixes que nadam nas grandes profundidades possuem os olhos colocados em cima da cabeça, de maneira que podem olhar para o alto e para os lados.

Na águia, e outras aves de rapina, os olhos mudam rapidamente de foco. Só desta forma distinguem a presa, que se movimenta depressa, alterando sempre o ponto da sua direção.

Tendo o Criador fornecido esta variedade de visões aos irracionais, é lícito imaginar que foi mais generoso com o homem, criatura feita à Sua imagem e semelhança. Por esta razão deve ter dado a nós uma complexa riqueza interior, que se manifesta através do olhar.

Havendo tantas almas, acho provável que Deus particularizou, por intermédio de algum sinal físico, as qualidades morais de cada indivíduo. Se num semblante as maxilas alongadas indicam voluntariedade, energia, se um lábio grosso, carnudo, é frequentes vezes sinal de apetites materiais, então o olho, na sua cor, pode exprimir as tonalidades da nossa alma, as meias-tintas do nosso temperamento, os claros-escuros da nossa organização nervosa.

Devemos considerar o corpo humano um repositório contínuo de maravilhas. E não se faz mister contemplar os astros para sentir os mistérios do universo: basta ver o nosso invólucro mortal, pois qualquer parte dele merece um estudo, uma reflexão.

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Escritor e jornalista, Fernando Jorge é autor do livro Vida, Obra e Época de Paulo Setúbal, um Homem de Alma Ardente, cuja segunda edição foi lançada pela Geração Editorial.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O apelido de Lula era este: Taturana


Recebi de Luísa Nogueira Mortensen, minha estimada leitora, uma carta com estas palavras:

          “Já li os seus livros sobre Santos Dumont, o Aleijadinho e o intitulado Vida e poesia de Olavo Bilac. Estou lendo agora outra obra de sua autoria, o Lutero e a Igreja do pecado, cuja sétima edição acaba de ser lançada pela Editora Novo Século. Diga-me uma coisa, o senhor seria capaz de escrever uma biografia do Lula?”

          Cara Luísa, embora eu não seja do PT e eleitor do ex-presidente da República, afirmo que sim. E por uma simples razão: possuo, a respeito do Lula, um idôneo material informativo, colecionado ao longo de mais de vinte e cinco anos. Aliás, o meu arquivo, muito rico, me permite discorrer sobre centenas de assuntos. Orgulho-me de sempre agir como um escritor bem organizado. E sigo este conselho da Bíblia:

          “Tudo, porém, seja feito com decência e ordem”.

          (Epístola de São Paulo aos coríntios, capítulo 14, versículo 40)

          Jonathan Swift (1667-1745), o satírico autor das Viagens de Guliver, obra na qual escarnece da sociedade inglesa, estava certo quando garantiu que a ordem governa o mundo e que quem causa a confusão é o demônio...

          Luísa Nogueira Mortensen indaga, na sua carta, se posso lhe dar algumas informações curiosas sobre o Lula. Graças ao meu arquivo, onde há ordem e até capricho, extrai dele os dados aqui expostos.

          A mãe de lula era conhecida como dona Lindu. O seu pai, Aristides Inácio da Silva, foi carregador nas docas de Santos.

          No mês de dezembro de 1952, o menino Lula, nascido em 27 de outubro de 1945, enfrentou heroicamente, com a mãe e os irmãos, uma viagem de treze dias num caminhão pau-de-arara, desde Garanhuns, em Pernambuco, até a cidade de Santos. Nesta eles se decepcionaram, pois Aristides havia constituído nova família com uma prima.

          Lula trabalhou como ambulante e depois conseguiu emprego numa tinturaria. Ali o dono, um nipônico, tentou ensiná-lo a falar japonês. Em seguida o rapaz tornou-se office-boy. Decorrido pouco tempo, ingressou numa fábrica de parafusos. Permaneceu nela durante quatro anos, mas já fizera o curso primário, até a 5ª série.

          Em 1964, nas Industrias Villares de São Bernardo do Campo, ele trabalhava doze horas por dia, como torneiro-mecânico. Perdeu nessa época, numa prensa, o dedo mínimo de sua mão esquerda.

          Após isto começou a participar do movimento sindical. No ano de 1975, virou presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, e em 1980, ao lado de alguns políticos e intelectuais, fundou o Partido dos Trabalhadores.

          O resto da sua biografia todos conhecem. Apresentarei agora, entretanto, alguns fatos que não foram divulgados.

          Na adolescência, Lula recebeu o apelido de Taturana, porque se rebolava ao dançar nos bailes populares. Sem dinheiro, tinha o hábito de catar pontas de cigarros no chão, já que não podia comprar o seu preferido, o Continental. Frei Chico, irmão mais velho de Lula, certa vez lhe fez esta ameaça:

          -Se eu pegar você fumando, vou aplicar-lhe uma surra.

          Viúvo, Lula conheceu Marisa, a sua atual esposa, no Sindicato dos Metalúrgicos. Ligava para ela todos os dias e irritou-se ao saber que Marisa saía com outro homem. Então ele intimou:

          -Galega, você vai ter que decidir, ou você fica comigo ou fica com esse cara.

          A primeira mulher de Lula se chamava Maria de Lurdes. Casando-se pela segunda vez, o ex-operário teve quatro filhos com a discreta Marisa, que devido a eficientes operações plásticas, remoçou, e por causa da sua melhor situação econômica, está agora mais elegante.

          Gostou das minhas corretíssimas informações, prezada Luísa Nogueira Mortensen?

terça-feira, 17 de junho de 2014

Condeno os atos de nepotismo


O substantivo nepotismo se originou da palavra nepote, que em latim é "sobrinho". Alguns papas davam proteção especial aos seus sobrinhos, fazendo-os príncipes, duques, bispos, cardiais, e por causa desse amparo nasceu o referido substantivo, o qual agora designa na vida política o uso do dinheiro público, das verbas do Estado, a fim de se efetuar a contratação de parentes.

Ficou famoso em nosso país o nepotismo da oligarquia Acióli, do Ceará. Eu mostrei como ele funcionou na minha obra Getúlio Vargas e o seu tempo, lançada pela Editora T.A. Queiroz. Quem exercia as funções de governador do Ceará, no ano de 1910, era o doutor Nogueira Acióli, "o Babaquara". E o seu secretário do Interior se chamava José Acióli A direção da Secretaria da Higiene Pública coube ao doutor Meton de Alencar, cunhado de um filho de Acióli, e a da Inspeção Veterinária ao doutor Thomaz Pompeu Filho, sobrinho de Acióli. Este também nomeou o marido de uma das suas sobrinhas, o senhor Sebastião Araújo, para ocupar o cargo de diretor da Escola de Aprendizes Artífices, e entregou o comando do Batalhão de Segurança ao seu genro, o capitão Raimundo Borges. Um primo de Acióli, o deputado José Pinto, dirigia os Correios.

Os Aciólis se encontravam em toda parte, na Faculdade de Direito, na Escola Normal, na Intendência Municipal, na Assembleia Legislativa do estado e até no Senado da República. Se o amigo leitor quiser obter mais informações sobre estes fatos, deve consultar o livro O oligarca do Ceará - a crônica de um déspota, de Frota Pessoa, Obra publicada em 1910 no Rio de Janeiro, pela tipografia do “Jornal do Commercio”.

Após a queda de Getúlio Vargas, em outubro de 1945, a chefia do Poder Executivo caiu nas mãos do doutor José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal. Durante três meses, até a posse do general Enrico Gaspar Dutra na presidência da República, o austero doutor Linhares não parou de dar empregos aos membros de sua família. E ele era um juiz, um magistrado!

Forneceram ótimos empregos às suas esposas, de acordo com as "belas tradições" da oligarquia Acióli, os parlamentares Jackson Pereira, Ubiratan Aguiar, Vicente Arruda e Salatiel Carvalho, todos do PSDB do Ceará, exceto o último. São "maridos exemplares", não se pode negar...

Dois parlamentares do Maranhão, da terra de José Sarney, nutrem grande amor por suas filhas, Davi Alves da Silva, do PFL desse estado, obteve um cargo para a senhorita Dilvana Souza Silva, e o senhor Costa Ferreira, do PMDB, abiscoitou um outro para a sua querida Ana Ruth Ferreira... Oh, que coisa linda e comovente, que pais meigos, repletos de ternura! Vou derramar algumas lágrimas enternecidas ... Como é bom, fácil, prático e econômico, oferecer provas de amor, de ternura, de amizade, de solidariedade, com a ajuda do dinheiro dos trouxas, isto é, com o dinheiro público!

Condeno os atos de nepotismo, aqui evocados. Acho imoral um deputado colocar parentes no seu gabinete, como assessores, às custas do dinheiro do povo. Afinal de contas, eleger um político não deve equivaler a arrumar um emprego para um parente desse político... Quando vejo um deputado, nepotista, logo me vem à memória aquela frase popular

"Mateus, primeiro os meus, depois os teus!"

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Marta dirige o Ministério da Cultura Diabólica?


Sempre fui inimigo de todos os tipos de censura, de restrição à liberdade de pensamento. O Estado de S. Paulo publicou há pouco tempo a minha entrevista concedida ao repórter Moacir Assunção, por estar esse jornal proibido de divulgar qualquer fato referente à Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, efetuada em torno dos negócios do empresário Fernando Sarney, filho de José Sarney. Título da entrevista:

“Censura é medida fascista, diz escritor”.

Por ser inimigo de todos os tipos de censura, admiro muito os jornalistas de talento que se mostram corajosos, independentes, como o Mino Carta, o Hélio Fernandes, o Sebastião Nery, o Marcos Caldeira Mendonça. Isto não significa, porém, deixar de condenar o erro, a injustiça, a safadeza. Há crítica e há censura. Eu critico, não censuro.

Quando pela sétima vez o Amaury Jr. me entrevistou no seu programa de televisão, chamei de canalha o Dan Brown, pois no livro O Código Da Vinci ele descreveu Jesus Cristo como um revolucionário judeu que engravidou Maria Madalena e esta, depois, fugiu para o sul da França. Sinval de Itacarambi Leão, diretor da revista IMPRENSA, achava-se presente e depois me criticou:

-Fernando, você, como jornalista, não pode chamar ninguém de canalha.

Respondi, tranquilo:

-Sinval, eu, como jornalista, não chamei o Dan Brown de canalha. Eu o chamei de canalha como cristão.

Agora a ópera-rock Jesus Cristo Superstar, de Andrew Lloyd Weber e Tim Rice, volta a ser apresentada no Brasil, em nova montagem, com direção de Jorge Takla. Desde a época em que fui jurado de televisão, no programa do Flávio Cavalcanti, eu não paro de meter o pau nessa peça, autêntico achincalhe à figura de Jesus, onde nela este é amante de Maria Madalena, os apóstolos aparecem como bêbados, a Madalena a lhe fazer massagens eróticas, a cantar “para adormecer o seu macho”. Judas, nessa infâmia, interpretado por Alírio Netto, surge de maneira simpática, esculhambando o Salvador. Ele, Jesus, interpretado pelo ator Igor Rikli, é visto no palco de peito nu, de calça jeans arriada, quase a exibir o seu órgão genital. Quanta sordidez! Espetáculo nojento, tão asqueroso como contemplar numa sarjeta, a apodrecer sob os raios escaldantes do sol, um rato coberto de frenéticos vermes cor de pus.

A Folha de S. Paulo publicou um anúncio enorme, no qual o ator Igor Rikli ostenta o largo peito nu, o umbigo bem saliente, a calça jeans quase caindo, prestes a colocar a sua genitália em frente dos nossos olhos. Esse anúncio informa que o Ministério da Cultura está patrocinando a blasfêmia contra Jesus Cristo. Sim, pura verdade, a peça foi autorizada a captar R$ 5,7 milhões do ministério, pela Lei Rouanet (Folha de S. Paulo, 26-2-2014).

Com o apoio da Associação Sagrado Coração de Jesus, a Associação dos Devotos de Fátima pediu o fim do financiamento da peça difamatória. Texto da petição:

“Não é lícito ao Estado laico violentar barbaramente a fé de milhões de pessoas, promovendo, com o dinheiro dos contribuintes, o evento blasfemo...”

Palavras justas, corretíssimas. Respondendo, o Ministério da Cultura expeliu uma desculpa chocha, anêmica: a opera-rock Jesus Cristo Superstar se enquadra como “espetáculo teatral”. É, ministra Marta Suplicy? Enxovalhar Jesus pode ser espetáculo teatral para os canalhas, mas não para mim e para todos que o amam, que o respeitam, que veem nele a luz imorredoura das almas, “o caminho, a verdade e a vida”.

Indicado pela Arquidiocese de São Paulo para falar sobre a peça imunda, o padre Tarcísio Marques Mesquita, da paróquia Nossa Senhora do Bom Parto, assim se manifestou:

“O musical faz uma atualização da imagem de Cristo, mas é uma ficção que deve ser lida como tal. Obras como esta, que trazem questionamento sobre a fé, nos ajudam a amadurecer”.

Esse padre defecou pela boca duas fedidas besteiras. A imagem de Jesus não precisa de atualização, de se modernizar. A face de Cristo é imutável. Sua mensagem é única, eterna, rompe as dimensões do tempo. Peças como essa opera-rock não trazem questionamento, trazem achincalhamento ao Mártir do Calvário, à nossa fé, ao nosso amor santo por aquele cujo reino não é o reino material deste mundo.

Padre Tarcísio Marques Mesquita, o senhor é padre de Deus ou é padre de Satanás? Se é padre do Coisa Ruim, submeta-se a uma operação cirúrgica para ter pés de bode, focinho de porco, rabo de macaco, dentes de piranha. Berre, após a operação, como um caprino, ronque como um suíno, guinche como um símio, devore como um peixe predador. Tire antes a sua negra batina, se a usa, e a substitua por uma vermelha capa com cheiro de enxofre.

              Ministra Marta, eu indago: a senhora dirige o Ministério da Cultura Diabólica? Se dirige, continue a dar apoio financeiro à peça Jesus Cristo Superstar, agressão a Cristo em forma de opera-rock, e não deixe também de financiar outra edição de O Código Da Vinci, do nauseabundo Dan Brown, e mais uma edição dos Versículos satânicos, do não menos repulsivo Salman Rushdie, livro onde ele inventou que o profeta Maomé escreveu, transmitidos pelo Beiçudo, numerosos versículos do Alcorão, e que as putas de um bordel eram suas esposas.

              Ah, mais um conselho, dona Marta Suplicy. Mande incendiar o seu ministério, a fim de satisfazer o Bruxo do Inferno. Ele, o Maldito, ao ver o fogo, as altas e vorazes labaredas, vai sentir-se feliz, gargalhar e admitir:

              -O ministério da Marta é digno deste fogo, destas chamas, porque patrocinou a minha querida opera-rock Jesus Cristo Superstar...