domingo, 22 de julho de 2018

Meu filho matou o Paulo Francis!


É verdade, meu filho matou o Paulo Francis. Como se chama esse meu filho? Chama-se Vida e obra do plagiário Paulo Francis, livro de minha autoria, lançado pela Geração Editorial no ano de 1996. Saiu agora a sua terceira edição, revista e aumentada.
Desde 1980, quando o Francis residia em Nova York, como correspondente da Folha de S.Paulo, eu alimentei o projeto de escrever um livro para o destruir culturalmente, jornalisticamente. E consegui.
Cláudio Abramo, meu amigo íntimo, conhecia tal projeto. Era muito grato a mim, pois após brigar em 1963 com os Mesquitas de O Estado de S.Paulo, no qual exercia as funções de secretário de redação, ficou sem dinheiro, e eu pude ajudá-lo, arrumando para ele, numa poderosa editora, a lucrativa tarefa de traduzir dezenas de livros do inglês. Dois anos depois, em 1965, Cláudio ingressa na Folha de S.Paulo, onde se tornaria o responsável por uma completa e modernizadora reforma gráfica. Sempre reconhecido, generoso, fez a Folha publicar uma reportagem sobre as minhas críticas ao historiador Augusto de Lima Júnior, que afirmou: o Aleijadinho é uma lenda, uma farsa, nunca existiu (reportagem da edição de 31-10-1966). Biógrafo do genial escultor mineiro, pulverizei o disparate do Júnior. Aliás, devo ao Cláudio Abramo a divulgação, no referido jornal, de quatro notícias providas de fotos de bom tamanho, sobre o meu romance satírico O grande líder (edições de 21-12-1969, de 1-2-1970, de 5-4-1970 e de 20-9-1970).
Certa noite quente de verão, visitei o Cláudio na redação da Folha de S.Paulo e ele me convidou a ir a um bar da sede do jornal, com o objetivo de saborearmos um sorvete. Lá no bar, ele me disse:
-Fernando, você está vendo aquele fulano?
Apontou-me um sujeito gorducho, balofo. Respondi que sim. Cláudio esclareceu:
-Esse fulano é redator da Folha, adora o Paulo Francis, mostra-se fanático por ele, e soube que você vai escrever um livro contra o seu ídolo.
O sujeito nos viu e se aproximou. Notei que se achava algo bêbado. Grunhiu na minha frente:
-Você é o Fernando Jorge?
Confirmei. Ele, semelhante a um porco, cuinchou como perfeito suíno:
-Eu te odeio, quero te matar, te estrangular, porque você pretende bater no meu adorado Paulo Francis!
A fera parecia mesmo um suíno e além da cara de porco, tinha chulé de boca. Meio tonto, acrescentou, sob o olhar divertido do Cláudio Abramo:
-Saiba de uma coisa, jamais um redator da Folha vai comentar o seu livro contra o Paulo Francis! Jamais! Never, never, digo em inglês! Impedirei que isto aconteça!
De modo leve, rindo, Cláudio Abramo o empurrou, protegendo-me da agressividade do suíno alcoolizado, que ao se afastar não se conteve:
-Paulo Francis é tudo, everythig, e você, Fernando Jorge, é nada, nothing!
Se esse quadrúpede é ainda redator da Folha de S.Paulo, fico a imaginar como deve se sentir ao ler, na contracapa da terceira edição de Vida e obra do plagiário Paulo Francis, estas palavras de Irene Solano Vianna, ex-editora da Folha, a respeito do livro, opinião expressa em 22 de março de 1997:
“Os exemplos levantados por Fernando Jorge são incontestáveis, bem documentados: o senhor Paulo Francis escrevia mal, plagiava sobretudo citações e ideias, errava feio nas ostentações de sua pseudo cultura... Não tinha compromisso algum com a exatidão dos fatos ou respeito pela honra e dignidade alheias”.

Salienta Luís Eblak, também da Folha de S.Paulo, num artigo aparecido na edição de 22 de maio de 2010 desse jornal: o meu trabalho “é a grande crítica publicada em livro durante a vida de Francis”. Percorrendo o texto do Eblak, fiz uma pergunta. Cadê a promessa do seu colega, de que jamais um redator da Folha comentaria o livro? Cadê?
Logo após o lançamento da primeira edição de Vida e obra do plagiário Paulo Francis, conforme me informou José Maria Homem de Montes, diretor de O Estado de S.Paulo, houve uma reunião nesse jornal, pois provei o seguinte no livro: Francis, colaborador do Estadão (ocupava nele uma página inteira), era racista como Hitler, plagiário, difamador, apedeuta, autor de textos repletos de cretinices, de incongruências, de erros palmares de português. Um dos diretores do matutino propôs na reunião:
-Sugiro dar meia página do nosso jornal para o Fernando Jorge apresentar as acusações, e também meia página ao Paulo Francis, a fim de se defender.
Mas outro diretor se opôs:
-Desculpe, não concordo. Cometeríamos um erro. Examinei o livro do Fernando. A documentação do volume é diabólica, esmagadora, indestrutível. O Francis perderia. Além disso o acusador, ganhando, iria vender ainda mais o livro.
José Maria Homem de Montes, meu amigo e um dos diretores de O Estado de S.Paulo, descreveu-me essa reunião.
Depois do falecimento do Paulo Francis, a jornalista Sônia Nolasco, sua esposa, telefonou de Nova York para o Luiz Fernando Emediato, editor do livro, e declarou:
-Viu o que você fez, Emediato? Você fez o Fernando Jorge matar o meu marido!
Segundo correu, o Francis se instalara no seu banheiro nova-iorquino, lendo o meu livro contra ele, no momento em que teve o enfarte.
“Filósofo” entre aspas, Olavo de Carvalho defecou, com cólicas mentais, um intestinal livro fedorento, intitulado O imbecil coletivo. Neste há onze páginas de ataques a Vida e obra do plagiário Paulo Francis. Ele me chamou de “galo de bigodes”. Antes ser, porém, “galo de bigodes” do que pensador raquítico, um pintinho de perninhas frágeis, como é sem dúvida o autor do livreco. Se um dia uma ideia habitar realmente a sua cabecinha, o subfilósofo Olavinho Pintinho de Carvalhinho poderá morrer de congestão cerebral...
Alberto Dines, um dos fundadores do Labjor na Unicamp, do Laboratório dos Estudos Avançados de Jornalismo, garantiu em 1997, numa entrevista concedida ao Correio Popular de Campinas: a minha obra causou a morte do Paulo Francis. Ora, se sou pai de um homicida, desejo então saber se o meu filho deve ser fuzilado, ou enforcado, ou condenado à prisão perpétua. Ele, entretanto, está com a consciência tranquila, pois liquidou o Adolf Hitler da imprensa brasileira.

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Escritor e jornalista, Fernando Jorge é autor do livro As lutas, a glória e o martírio de Santos Dumont, cuja 7ª edição acaba de ser lançada pela editora HarperCollins Brasil.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Poeminha em tom maior para o Tom Farias


Pergunto ao Tom Farias,
dinâmico jornalista,
incapaz de sair da pista,
de perder o “furo” de vista,
como no mundo da música
Tom Jobim não perdia o tom,
que farias Tom Farias,
com o Paulito Coelhito,
escritor mosquito,
sujo palito,
nojento xingador de Cristo,
vigarista mau, muito mau?
Eu lhe daria uma surra de pau,
acompanhado por um sarnento cachorro,
fazendo au, au, au, au, au, au, au!!!



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Paulo Francis odiava os negros, os nordestinos


A energia de O Trem, a sua potente locomotiva, dirigida pelo seguro maquinista Marcos Caldeira Mendonça, é impressionante, causa-me um espanto agradável, pois recebo no meu e-mail (fernandojorge88@terra.com.br) dezenas de mensagens. E agora, devido ao lançamento da quarta edição da minha catilinária Vida e obra do plagiário Paulo Francis, já quase esgotada, inúmeros leitores de O Trem me perguntam se o Francis foi realmente racista.
Era sim, provei no referido livro, ele odiava os negros, os nordestinos. Negar o seu preconceito é como negar o sadismo, as atrocidades, os crimes do major Carlos Brilhante Ustra (1932-2015), comandante do DOI-CODI paulista, entre os anos de 1970 e 1974, no governo do ditador Médici. Indiscutível, Ustra é o único brasileiro que a nossa Justiça classificou de torturador, da época do regime militar. Sob a direção desse homem sinistro, tão admirado pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), os gorilas fardados do Golpe de 1964 submetiam as suas vítimas a choques elétricos, espancamentos e afogamentos. Segundo os cálculos da Comissão Nacional da Verdade, o centro de torturas do major Ustra, batizado por ele de “Sucursal do Inferno”, causou a morte de quinhentas e duas pessoas.
Enxergo no sadismo de Ustra e no racismo de Francis, dois irmãos gêmeos. Para mim, aliás, sadismo e racismo correspondem a nazismo.
Desafio o Nelson de Sá, organizador de livros contendo os textos medíocres, tediosos, soporíferos e repletos de erros do chatíssimo Paulo Francis, a sustentar: ele não procedia como um empedernido racista.
Prova irrefutável do racismo do Francis é o seu texto na edição do dia 20 de janeiro de 1991, do jornal O Estado de S. Paulo, onde revela que corria risco de vida, “ao deparar com a humanidade baiana das ruas de São Paulo”, isto é, ele via como assassinos, criminosos, todos os naturais do estado natal de Maria Bethânia!
Ainda em 1991, na edição de 10 de novembro do mesmo periódico, apareceu este nojo, este desprezo pelos negros, do desaforado racista: “... gente diferente de nós, que podemos rotular, sem eufemismo, de negrada...” Ora, segundo os bons dicionários da língua portuguesa, negrada é um pejorativo, vocábulo de sentido torpe, indica conjunto de negros, grupo de indivíduos de cor, dados a desordens, a violências...
Nelson de Sá, leia em voz alta, ma-ra-vi-lha-do, as seguintes palavras do Francis, publicadas na edição do dia 8 de dezembro de 1991 de O Estado de S. Paulo:
“Quando vejo um grupo de negros na rua e eles adoram fazer ponto em calçadas, tenho medo. Fico pensando se me agredirem, se corro, se dou um pontapé nos países baixos dos mais próximos. Todo branco pensa as mesmas coisas.”
Parabéns, Nelson de Sá, continue a enaltecer o Francis, teça um hino aos seus sentimentos sublimes, beije extasiado os bestialógicos do racista, coloque-os num tabernáculo, como textos sagrados de um profeta bíblico, e prestes a desmaiar de imensa emoção, chore, derrame lágrimas mimosas, amorosas, bonitinhas...
Os achincalhes do racista com cara de sapo-cururu, não paravam. Ataque a todos filhos de Alagoas: “... persistir no erro é alagoano...” (OESP, 1-10-1992). Outro ataque: “Nordeste, vergonha nacional”. E acrescentou: o nordestino não sabe nada, vive no século XVI (OESP, 8-10-1992).
A merdorreia (jorro de merda) do racista, o ininterrupto fluxo de bosta nos seus textos, capaz de entupir de merda podre trinta penicos, fizeram o Jornal do Commercio, de Recife, e o jornal baiano A Tarde, de Salvador, cancelarem a publicação dos textos do fecalomano (vocábulo criado por mim, pessoa apaixonada pelas suas próprias fezes, que devem ser o mais possível fedorentas e asfixiantes).
Os leitores do jornal dos Mesquitas encontraram, no primeiro semestre de 1995, esta porrada do fecalomano no Vicentinho, cidadão de raça africana e origem humilde, ex-operário, presidente da CUT:
“É preciso meter as mãos na cabeça raspada do Vicentinho língua presa (eu daria uma chicotada, para ver se reage docilmente como escravo)” (OESP-28-5-1995).
O jornalista Cacau Menezes, revoltado, após ler o texto estúpido, sugeriu o enquadramento do fecalomano num processo e o uso imediato da Lei Afonso Arinos, que proíbe a discriminação racial.
Também indignado, o cantor e compositor Gabriel, o Pensador, colocou estas palavras na canção Lavagem cerebral:

“Não seja um imbecil,
Não seja um Paulo Francis,
Não se importe com a origem
Ou a cor do seu semelhante.”

No ano de 1997, eu, Fernando Jorge, fui entrevistado na sucursal do Jornal do Brasil, aqui de São Paulo, por causa do lançamento da primeira edição do meu livro Vida e obra do plagiário Paulo Francis – O mergulho da ignorância no poço da estupidez. E dois repórteres me apresentaram a um pernambucano, o Ferreirinha (Sebastião Ferreira da Silva). Ele me informou que havia sido motorista da Folha de S. Paulo e que o seu chefe o incumbiu de servir o Paulo Francis. Este, ao vê-lo, costumava dizer:
– Você já chegou, meu escravo?
Reação do Ferreirinha:
– Doutor, não sou escravo de ninguém.
Mas o Francis respondia:
– É o meu escravo, sim, porque você é preto, nordestino, pertence a uma raça inferior, que só existe para obedecer a nós, os brancos, de raça superior.
Durante vários dias, no seu apartamento, Francis só o tratou dessa maneira. Transcorridas duas semanas, o chefe do Ferreirinha lhe deu esta ordem:
– Amanhã o Paulo Francis vai voltar para Nova York. Vá lá no seu apartamento, a fim de levá-lo até o aeroporto e pegar as suas malas de lona.
O pernambucano não quis ir, alegando não aguentar mais as humilhações do batráquio racista, porém o chefe insistiu, ele precisava cumprir a ordem.
Esclareceu-me o Ferreirinha, na sucursal do Jornal do Brasil:
– Fui lá e o Paulo Francis, ao me ver, perguntou: você já chegou, meu escravo? Respondi, é melhor o senhor parar com isso, hoje não estou com a cabeça boa, a minha cuca está quente. Aí ele gritou, cala a boca, escravo, senão eu faço você perder o seu emprego!
Indaguei, cheio de muita curiosidade:
– E aí, o que aconteceu?
– Aí, doutor, eu perdi a cabeça. Avancei na direção dele, soltei uma cusparada na sua cara, xinguei o Francis de filho da puta sem parar. Depois, usando a ponta do meu sapato bicudo, arrebentei com pontapés as suas doze malas de lona. Ele gritava, parecia um doido. Antes de ir embora, escarrei mais uma vez na sua cara, bati a porta do seu apartamento com força e ele ficou lá sozinho, a berrar como um bezerro desmamado.
Eu quis saber:
– O senhor perdeu o emprego de motorista da Folha de S. Paulo?
– Não, mas fui transferido para outro setor.
Aconselho o Nelson de Sá, adorador do Paulo Francis, a visitar o nordestino Sebastião Ferreira da Silva, o Ferreirinha, grande vítima do racismo de seu ídolo.