A Comissão do Negro e de Assuntos Antidiscriminatórios da Ordem dos Advogados do Brasil, seção São Paulo (OAB-SP), recebe atualmente, a cada dois dias, uma denúncia de discriminação racial contra os negros, na capital paulista. Quem informa isto é o presidente desse órgão, Marco Antônio Zito Alvarenga.
Aqui vai outro exemplo. No dia 3 de fevereiro de 2004, em Santana, região da Zona Norte da cidade de São Paulo, policiais militares da Força Tática do 5º Batalhão, todos brancos, mataram a tiros o dentista negro Flávio Ferreira, de vinte e oito anos. Ele foi confundido com um assaltante e nem pôde defender-se. Era negro, portanto um criminoso... Para disfarçar o erro fatal, os policiais brancos colocaram uma pistola 357 na mão direita do cadáver e, no bolso deste, a carteira do comerciante Antônio Alves dos Anjos, vítima do assalto de um bandido.
Ao prestar na delegacia o seu primeiro depoimento, o comerciante declarou: Flávio havia disparado vários tiros contra os policiais. Mas no segundo depoimento, voltando à delegacia, admitiu ter sido pressionado a mentir.
Em frente de tantas evidências, os policiais confessaram que o dentista Flávio Ferreira ergueu os braços, sem esboçar qualquer resistência.
Acusados de atirar no inocente, pelo fato de ele ser negro, o tenente Carlos Alberto de Sousa Santos e o soldado Luciano José Dias, foram condenados a dezessete anos e seis meses de prisão, por homicídio, fraude processual e porte ilegal de arma.
Na noite em que perdeu a vida, o dentista negro retornava do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Outro negro, o baiano Januário Alves Santana, de trinta e nove anos, vigilante na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, foi humilhado e espancado por ter sido confundido com um bandido, no dia 7 de agosto de 2009. A agressão ocorreu no hipermercado do Carrefour de Osasco, também na região metropolitana de São Paulo. Cinco seguranças brancos o surraram, durante vinte minutos.
Após o espancamento, muito machucado, cheio de dores, Januário emagreceu oito quilos em duas semanas. Sua dentadura se quebrou, devido a série de socos dos seguranças, e ele passou a alimentar-se com sucos e sopas, pois a gengiva superior do vigilante ficou deslocada, em carne viva. Cabisbaixo, ele confessou:
“Morri naquele dia. O que mais dói é saber que não foi a primeira vez e que pode não ser a última."
Conforme a segunda edição do Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, de 2009, feito a partir de dados do SUS e coordenado por Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, entre 2006 e 2007 foram mortos por hora em nosso país, acredite o amigo leitor, 3,5 negros, enquanto a proporção entre brancos chegou a apenas, 1,7.
Tombaram assassinados, no citado período, em números absolutos, 52.059 negros e 29.982 brancos. Indago se nesta estatística não há a sombra do racismo, mesmo admitindo que muitos dos negros mortos eram criminosos. Outra pergunta: quantos deles, totalmente inocentes, sucumbiram nas garras dos policiais racistas?
É na televisão da pátria de Lula que se nota, de maneira forte, a presença do preconceito racial. Joel Zito Araújo analisou este fato no livro “A negação do Brasil - O negro na telenovela brasileira,” lançado pela Editora SENAC. Ele mostra: os produtores das telenovelas nacionais defendem o branqueamento da nossa sociedade, não se interessam por atores negros e atrizes negras. Preferem as moças e os galãs de cabelos louros e olhos azuis, como Hitler gostava de vê-los nos filmes da Alemanha nazista. O negro nas telenovelas, salientou Joel numa entrevista, faz sempre papel de "bundão", de pessoa boba, mole. E as negras ou as mulatas, nessas histórias, são objetos sexuais do homem branco, destruidoras de lares, só feitas para transar...
O editor José Olympio, em 1964, apresentou-me ao sociólogo Gilberto Freyre. Conversando com este, eu quis saber:
-Na sua opinião o Brasil ainda é a maior democracia racial do mundo?
Gilberto Freyre respondeu, exibindo um sorriso brejeiro:
-Claro que é. Veja a nossa enorme quantidade de mulatos.
Hoje duvido desta afirmativa, pois acho que a mestiçagem, ou melhor, a miscigenação, estudada de modo profundo pelo sociólogo anglo-americano E.B. Reuter no livro “The mulatto in the United States,” publicado em 1918, a miscigenação deixou de ser, se já foi, a prova definitiva da ausência do preconceito racial. Existe uma outra espécie de racismo, oriundo do mulato não querer ser mulato e do negro não querer ser negro, quando ambos, por causa da ascensão social, negam a própria raça e procuram agir como brancos.
Orgulho-me de ser antiracista. Para mim a humanidade é toda igual, não existe raça superior a outra raça. Gosto de citar, como símbolo do povo brasileiro, a nossa notável pintora e desenhista Djanira da Mota e Silva (1914-1979), primeira artista latino-americana a ter uma obra aceita pelo Museu do Vaticano, em 1971. Suas telas retratam o povo e as paisagens do Brasil, com um saboroso lirismo algo ingênuo. Djanira descendia de índios guaranis pelo pai e pela mãe de italianos. A avó era austríaca, chamava-se Maria Elizabeth Pliger. No ano de 1943, em plena época da Segunda Guerra Mundial, essa pintora esteve nos Estados Unidos e despertou a admiração de Eleanor Roosevelt, esposa do presidente Franklin Delano Roosevelt, que por causa disso escreveu uma crônica sobre ela.
Reafirmo, não existe raça superior a outra raça e sim, acrescento, diferenças econômicas e sociais, como o demonstrou, valendo-se de farta documentação, A. Niceforo na obra “Antropologia delle classi povere,” onde prova o seguinte: o trabalho, as profissões, o gênero de vida, a riqueza ou a pobreza, determinam e fixam os caracteres físicos e mentais do indivíduo, dando aspecto próprio a uma região, a uma classe ou a uma sociedade.
Morra o racismo! Todos nós somos iguais!
Fernando Jorge é escritor e jornalista, autor do livro “Se não fosse o Brasil, jamais Barack Obama teria nascido”, lançado recentemente pela Editora Novo Século
terça-feira, 20 de julho de 2010
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Ler Paulo Coelho? Só se for para o corrigir
“A admiração, freqüentes vezes, é filha da ignorância”
Provérbio árabe
“O ignorante se irrita com o entendido”
Provérbio alemão
Vários estudantes dos cursos de jornalismo da PUC de Minas Gerais, da UCAM do Rio de Janeiro e da UFSM do Rio Grande do Sul, em cartas enviadas a mim, querem saber se os livros do Paulo Coelho são modelos de boa linguagem.
O autor de A bruxa de Portobello se enfureceu após eu afirmar, numa crônica, que ele ignora esta regra gramatical: não se separa por vírgula o verbo do sujeito. Paulo Coelho comentou, no decorrer de um programa de televisão apresentado em Belo Horizonte:
-E daí? Que importância tem que eu separe por vírgula o verbo do sujeito?
Ora, o escritor capaz de perpetrar este erro, mostra-se um apedeuta, um soberbo ignorante, pois o sujeito é o termo essencial da oração, indica o ser do qual se diz algo e revela, na maioria das vezes, quem executa a ação, o agente do processo verbal. Salientemos: a função sintática do sujeito pode ser exercida por um substantivo. Exemplo:
“A coruja piou durante toda a noite”.
Como o Paulo Coelho separa por vírgula o verbo do sujeito, esta frase nas suas mãos ficaria assim:
“A coruja, piou durante toda a noite”.
Do ponto de vista material, o Paulo é um vencedor. Cerca de 74 editoras, em todo o mundo, lançam os seus livros para mais de 100 milhões de leitores. É lido em 76 línguas e em 160 países. Recebeu mais de 70 prêmios. As honrarias o acompanham. Tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras, o Mensageiro da Paz e o Embaixador Europeu da Cultura, pela ONU, um cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra da França, criada por Napoleão. Imensamente rico, Paulo Coelho vive num vasto apartamento parisiense do sofisticado Distrito XVI.
De que modo explicar a razão de tamanho sucesso? Ele é a nulidade literária vitoriosa, um escritor incorreto, mediocríssimo, de quinta ou oitava categoria. Eis as causas de sua fama imerecida:
I- A onda de esoterismo que o favoreceu desde o ano de 1987, quando estreou na subliteratura com o abominável Diário de um mago.
II- O despreparo, a falta de cultura dos seus leitores, que não sabem discernir, ponderar, pois é ela – a cultura – que fornece o senso crítico, a capacidade de avaliação. E hoje existem milhões de leitores ignorantes, até mesmo nos países mais cultos, como a França, a Inglaterra, a Itália, a Alemanha.
III- Paulo Coelho é assunto obrigatório da mídia. Se esta decide prestigiar alguém - por mais medíocre ou nulo que seja o beneficiado - os meios de comunicação, a tv, os jornais, as revistas, vão sempre lhe dar cobertura.
O último livro de Paulo Coelho é autêntica subliteratura. Possui um enredo cinematográfico, no pior sentido. Corresponde a um péssimo filme de terror, produzido na Boca-do-Lixo de São Paulo. Intitula-se O vencedor está só e foi inspirado, salta à vista, na história de Jack, o Estripador, o serial killer que em Londres, a partir do mês de agosto de 1888, assassinou diversas prostitutas, cortando-lhes a garganta, extraindo as suas vísceras, os seus úteros, os seus ovários, partes da bexiga.
Mas o que impressiona, no novo livreco do Paulo Coelho, mais do que a história frágil, anêmica, é a enorme quantidade de absurdos, de lugares-comuns, de erros de português, de impropriedades lingüísticas.
Coelho gosta de soltar disparates. Na opinião dele, depois de mais de cinco anos de casamento, o homem e a mulher, todos, sem exceção, querem cometer adultério. Papai tenta cornear mamãe e mamãe tenta cornear papai (página 229).
No seu último livro, que parece o aborto monstruoso de uma cafetina sifilítica, os lugares-comuns se sucedem: “foi obrigado a percorrer um caminho árduo” (página 139); “guerras sangrentas” (página 163); “passado remoto” (página 186); “verdadeiro clima de histeria” (página 272); “morrendo de tédio” (página 272); “custos proibitivos” (página 289); “camisa imaculadamente branca” (página 290); “tinha uma vida inteira pela frente” (página 344); “às vezes, os sonhos se transformam em pesadelos” (página 364).
Só os escritores insignificantes, sem talento, usam estas expressões gastas, estes lugares-comuns mais surrados do que uma gigolete por um gigolô...
Erros gravíssimos de português não faltam nas páginas do romanceco O vencedor está só. Assemelham-se ao desfile de um interminável exército composto de soldados capengas, descalços, famintos, em molambos.
Paulito Coelhito, por ser um escritor tão fraquito, não sabe que o correto é “sentar-se à mesa” e não “sentar-se na mesa”. Quem o lê tem a impressão de que ele, quando quer almoçar ou jantar lá em Paris, prefere pousar as suas bem nutridas nádegas em cima das mesas dos restaurantes Apicius, da avenida de Villiers; do Le Pré Catelan, do Bois de Boulogne; do Au Trou Gascon, da rua Taine; do Le Pavillon Montsouris, da rua Gazan... Aqui vai a prova:
“Depois da quinta pessoa a sentar em sua mesa” (página 20); “sentar-se na mesa para conversar” (página 110); “sentar-se na mesa sem pedir permissão” (página 113); “ sentou-se na mesa do canto” (página 368); “sentada naquela mesa” (página 372).
Portanto, amigo leitor, se você for a Paris e entrar no restaurante Le Train Bleu, em estilo Belle Époque, da Gare de Lyon, e ali puder ver o Paulo Coelho devorando uma suculenta salsicha lionesa, com a sua fofa região glútea posta em cima de uma das mesas cobertas de toalhas azuis, por favor, não se escandalize, pois a riqueza do escritor mais errado do nosso planeta lhe permite fazer qualquer extravagância...
Paulo continua a não saber usar a combinação da preposição em com o pronome demonstrativo aquele, na sua forma feminina, como se vê na página 131 de O vencedor está só:
...“terminava matando duas pessoas inocentes aquela manhã”.
Foi a manhã que matou as duas pessoas? Correção: “...naquela manhã”.
Ele também não sabe que a preposição para atrai o pronome se, nestas duas frases: “...para masturbar-se...”(página 201), e “...para distrair-se...” (página 345).
Na página 212 encontrei este despropósito: ...“parecia congelar de frio”. Pergunto: alguém se congela de quente? Além disso o verbo congelar, no trecho acima, é pronominal: congelar-se.
Vou parar aqui. Os erros gramaticais do Paulo Coelho são infindáveis e combinam com o seu sobrenome, pois eles se multiplicam mais do que os coelhos da Austrália.
Provérbio árabe
“O ignorante se irrita com o entendido”
Provérbio alemão
Vários estudantes dos cursos de jornalismo da PUC de Minas Gerais, da UCAM do Rio de Janeiro e da UFSM do Rio Grande do Sul, em cartas enviadas a mim, querem saber se os livros do Paulo Coelho são modelos de boa linguagem.
O autor de A bruxa de Portobello se enfureceu após eu afirmar, numa crônica, que ele ignora esta regra gramatical: não se separa por vírgula o verbo do sujeito. Paulo Coelho comentou, no decorrer de um programa de televisão apresentado em Belo Horizonte:
-E daí? Que importância tem que eu separe por vírgula o verbo do sujeito?
Ora, o escritor capaz de perpetrar este erro, mostra-se um apedeuta, um soberbo ignorante, pois o sujeito é o termo essencial da oração, indica o ser do qual se diz algo e revela, na maioria das vezes, quem executa a ação, o agente do processo verbal. Salientemos: a função sintática do sujeito pode ser exercida por um substantivo. Exemplo:
“A coruja piou durante toda a noite”.
Como o Paulo Coelho separa por vírgula o verbo do sujeito, esta frase nas suas mãos ficaria assim:
“A coruja, piou durante toda a noite”.
Do ponto de vista material, o Paulo é um vencedor. Cerca de 74 editoras, em todo o mundo, lançam os seus livros para mais de 100 milhões de leitores. É lido em 76 línguas e em 160 países. Recebeu mais de 70 prêmios. As honrarias o acompanham. Tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras, o Mensageiro da Paz e o Embaixador Europeu da Cultura, pela ONU, um cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra da França, criada por Napoleão. Imensamente rico, Paulo Coelho vive num vasto apartamento parisiense do sofisticado Distrito XVI.
De que modo explicar a razão de tamanho sucesso? Ele é a nulidade literária vitoriosa, um escritor incorreto, mediocríssimo, de quinta ou oitava categoria. Eis as causas de sua fama imerecida:
I- A onda de esoterismo que o favoreceu desde o ano de 1987, quando estreou na subliteratura com o abominável Diário de um mago.
II- O despreparo, a falta de cultura dos seus leitores, que não sabem discernir, ponderar, pois é ela – a cultura – que fornece o senso crítico, a capacidade de avaliação. E hoje existem milhões de leitores ignorantes, até mesmo nos países mais cultos, como a França, a Inglaterra, a Itália, a Alemanha.
III- Paulo Coelho é assunto obrigatório da mídia. Se esta decide prestigiar alguém - por mais medíocre ou nulo que seja o beneficiado - os meios de comunicação, a tv, os jornais, as revistas, vão sempre lhe dar cobertura.
O último livro de Paulo Coelho é autêntica subliteratura. Possui um enredo cinematográfico, no pior sentido. Corresponde a um péssimo filme de terror, produzido na Boca-do-Lixo de São Paulo. Intitula-se O vencedor está só e foi inspirado, salta à vista, na história de Jack, o Estripador, o serial killer que em Londres, a partir do mês de agosto de 1888, assassinou diversas prostitutas, cortando-lhes a garganta, extraindo as suas vísceras, os seus úteros, os seus ovários, partes da bexiga.
Mas o que impressiona, no novo livreco do Paulo Coelho, mais do que a história frágil, anêmica, é a enorme quantidade de absurdos, de lugares-comuns, de erros de português, de impropriedades lingüísticas.
Coelho gosta de soltar disparates. Na opinião dele, depois de mais de cinco anos de casamento, o homem e a mulher, todos, sem exceção, querem cometer adultério. Papai tenta cornear mamãe e mamãe tenta cornear papai (página 229).
No seu último livro, que parece o aborto monstruoso de uma cafetina sifilítica, os lugares-comuns se sucedem: “foi obrigado a percorrer um caminho árduo” (página 139); “guerras sangrentas” (página 163); “passado remoto” (página 186); “verdadeiro clima de histeria” (página 272); “morrendo de tédio” (página 272); “custos proibitivos” (página 289); “camisa imaculadamente branca” (página 290); “tinha uma vida inteira pela frente” (página 344); “às vezes, os sonhos se transformam em pesadelos” (página 364).
Só os escritores insignificantes, sem talento, usam estas expressões gastas, estes lugares-comuns mais surrados do que uma gigolete por um gigolô...
Erros gravíssimos de português não faltam nas páginas do romanceco O vencedor está só. Assemelham-se ao desfile de um interminável exército composto de soldados capengas, descalços, famintos, em molambos.
Paulito Coelhito, por ser um escritor tão fraquito, não sabe que o correto é “sentar-se à mesa” e não “sentar-se na mesa”. Quem o lê tem a impressão de que ele, quando quer almoçar ou jantar lá em Paris, prefere pousar as suas bem nutridas nádegas em cima das mesas dos restaurantes Apicius, da avenida de Villiers; do Le Pré Catelan, do Bois de Boulogne; do Au Trou Gascon, da rua Taine; do Le Pavillon Montsouris, da rua Gazan... Aqui vai a prova:
“Depois da quinta pessoa a sentar em sua mesa” (página 20); “sentar-se na mesa para conversar” (página 110); “sentar-se na mesa sem pedir permissão” (página 113); “ sentou-se na mesa do canto” (página 368); “sentada naquela mesa” (página 372).
Portanto, amigo leitor, se você for a Paris e entrar no restaurante Le Train Bleu, em estilo Belle Époque, da Gare de Lyon, e ali puder ver o Paulo Coelho devorando uma suculenta salsicha lionesa, com a sua fofa região glútea posta em cima de uma das mesas cobertas de toalhas azuis, por favor, não se escandalize, pois a riqueza do escritor mais errado do nosso planeta lhe permite fazer qualquer extravagância...
Paulo continua a não saber usar a combinação da preposição em com o pronome demonstrativo aquele, na sua forma feminina, como se vê na página 131 de O vencedor está só:
...“terminava matando duas pessoas inocentes aquela manhã”.
Foi a manhã que matou as duas pessoas? Correção: “...naquela manhã”.
Ele também não sabe que a preposição para atrai o pronome se, nestas duas frases: “...para masturbar-se...”(página 201), e “...para distrair-se...” (página 345).
Na página 212 encontrei este despropósito: ...“parecia congelar de frio”. Pergunto: alguém se congela de quente? Além disso o verbo congelar, no trecho acima, é pronominal: congelar-se.
Vou parar aqui. Os erros gramaticais do Paulo Coelho são infindáveis e combinam com o seu sobrenome, pois eles se multiplicam mais do que os coelhos da Austrália.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Se não fosse o Brasil, jamais Barack Obama teria nascido
Neste livro lançado pela Editora Novo Século, obra perturbadora e sensacional, Fernando Jorge prova documentadamente que se não fosse a obsessão da mãe de Barack Obama pelo filme Orfeu Negro, baseado na peça Orfeu da Conceição, do poeta brasileiro Vinicius de Moraes, o atual presidente dos Estados Unidos jamais teria nascido.
Fernando Jorge, para provar isto, valeu-se dos depoimentos do próprio Obama, registrados nos seus livros Dreams from my father e The audacity of hope Thoughts on reclaiming the americam dream.
O livro Se não fosse o Brasil, jamais Barack Obama teria nascido, é também uma impressionante história do racismo nos Estados Unidos e será lançado nesse país e em vários outros. Quem começa a ler esta obra, não consegue largá-la!
Vamos sortear para o mês de junho três exemplares autografados deste livro. Escrevam para o e-mail: fj2010@terra.com.br - Obrigado e Boa Sorte!
Fernando Jorge, para provar isto, valeu-se dos depoimentos do próprio Obama, registrados nos seus livros Dreams from my father e The audacity of hope Thoughts on reclaiming the americam dream.
O livro Se não fosse o Brasil, jamais Barack Obama teria nascido, é também uma impressionante história do racismo nos Estados Unidos e será lançado nesse país e em vários outros. Quem começa a ler esta obra, não consegue largá-la!
Vamos sortear para o mês de junho três exemplares autografados deste livro. Escrevam para o e-mail: fj2010@terra.com.br - Obrigado e Boa Sorte!
domingo, 21 de fevereiro de 2010
EU AMO AS COISAS BELAS E ESPIRITUAIS
Rosas... Todas as almas sensíveis amam as rosas. Elas são o símbolo dos sentimentos nobres, puros, verdadeiros, dos sentimentos que não nascem no abismo da mentira, da hipocrisia e da traição, mas sim no jardim esplendidamente florido do amor, do carinho e da sinceridade. Jardim do mundo espiritual, onde as víboras não rastejam. Talvez andem nesse jardim, repleto de rosas deslumbrantes, as almas boas dos que sofreram muito aqui na Terra.
Narra uma lenda chinesa: as rosas brancas abrem o chão onde lançamos os maus pensamentos; as amarelas secam as lágrimas dos incompreendidos, dos injustiçados, dos sofredores; as vermelhas escancaram as portas magníficas da alegria e da esperança.
Tanto Homero como Anacreonte enalteceram a rainha das flores – a rosa – essa flor que brota no meio de espinhos, porque todas as coisas raras, sutis, preciosas, nascem entre mil perigos, entre mil dificuldades. A soberana das flores apareceu, segundo Anacreonte, no momento em que Vênus surgia das águas do mar, quando a alva espuma do corpo perfeito da deusa, a escorrer devagarinho, transformava-se em rosas de uma brancura imaculada.
Cleópatra, querendo seduzir Júlio César, forrou os ladrilhos de sua sala de banquetes com espesso tapete de pétalas de rosas. Mais tarde, em outra ocasião, ofereceu a Marco Antônio uma coroa de rosas, porém envenenadas, a fim de provar isto: ela poderia matá-lo, sem gerar a menor desconfiança no espírito do cônsul romano.
Santa Radegonda, ao homenagear o poeta Fortunato com uma ceia no seu mosteiro de Poitiers, mandou substituir a toalha de mesa por uma camada de pétalas de rosas. A santa agiu de modo correto, pois as pétalas dessa flor são tão delicadas como a alma dos poetas e dos sonhadores...
Quando Nossa Senhora surgiu diante de Santa Bernardete na gruta de Massabielle, onde uma roseira brava se cobria de rosas brancas na primavera, em cada um dos pés da aparição havia uma rutilante rosa amarela. É oportuno frisar que a rosa se tornou, depois do fim do simbolismo pagão, o emblema da Virgem Maria. Esta é chamada pelos católicos de “Rosa Mística”.
Uma lenda de Sardenha conta a história de um par de namorados. Eram dois adolescentes, unidos por um grande amor. Mas certo dia o rapaz morreu. Logo em seguida, angustiada pela saudade, a moça também fechou os olhos.
Ficaram enterrados em dois túmulos, um a pouca distância do outro. Então uma roseira começou a alongar a sua haste – de onde pendia uma imperecível rosa branca – de um túmulo para outro túmulo, como se quisesse aproximar os dois jovens que a morte cruelmente tinha separado. E a rosa da haste não murchava, porque o amor verdadeiro é uma flor que nunca fenece. As pétalas da rosa branca caíam nos túmulos, sem parar, como infinitas lágrimas da cor da plumagem dos cisnes. Esse milagre só cessou quando os camponeses deixaram os dois túmulos bem juntinhos.
Ora, amigo leitor, por que estou contando estas histórias, talvez ridículas para o gosto de certas pessoas? É porque tenho alma, coração, sensibilidade, e amo as coisas belas e espirituais.
Escritor e jornalista, Fernando Jorge é autor do livro “Vida, Obra e Época de Paulo Setúbal, Um Homem de Alma Ardente”, publicado pela Geração Editorial
Narra uma lenda chinesa: as rosas brancas abrem o chão onde lançamos os maus pensamentos; as amarelas secam as lágrimas dos incompreendidos, dos injustiçados, dos sofredores; as vermelhas escancaram as portas magníficas da alegria e da esperança.
Tanto Homero como Anacreonte enalteceram a rainha das flores – a rosa – essa flor que brota no meio de espinhos, porque todas as coisas raras, sutis, preciosas, nascem entre mil perigos, entre mil dificuldades. A soberana das flores apareceu, segundo Anacreonte, no momento em que Vênus surgia das águas do mar, quando a alva espuma do corpo perfeito da deusa, a escorrer devagarinho, transformava-se em rosas de uma brancura imaculada.
Cleópatra, querendo seduzir Júlio César, forrou os ladrilhos de sua sala de banquetes com espesso tapete de pétalas de rosas. Mais tarde, em outra ocasião, ofereceu a Marco Antônio uma coroa de rosas, porém envenenadas, a fim de provar isto: ela poderia matá-lo, sem gerar a menor desconfiança no espírito do cônsul romano.
Santa Radegonda, ao homenagear o poeta Fortunato com uma ceia no seu mosteiro de Poitiers, mandou substituir a toalha de mesa por uma camada de pétalas de rosas. A santa agiu de modo correto, pois as pétalas dessa flor são tão delicadas como a alma dos poetas e dos sonhadores...
Quando Nossa Senhora surgiu diante de Santa Bernardete na gruta de Massabielle, onde uma roseira brava se cobria de rosas brancas na primavera, em cada um dos pés da aparição havia uma rutilante rosa amarela. É oportuno frisar que a rosa se tornou, depois do fim do simbolismo pagão, o emblema da Virgem Maria. Esta é chamada pelos católicos de “Rosa Mística”.
Uma lenda de Sardenha conta a história de um par de namorados. Eram dois adolescentes, unidos por um grande amor. Mas certo dia o rapaz morreu. Logo em seguida, angustiada pela saudade, a moça também fechou os olhos.
Ficaram enterrados em dois túmulos, um a pouca distância do outro. Então uma roseira começou a alongar a sua haste – de onde pendia uma imperecível rosa branca – de um túmulo para outro túmulo, como se quisesse aproximar os dois jovens que a morte cruelmente tinha separado. E a rosa da haste não murchava, porque o amor verdadeiro é uma flor que nunca fenece. As pétalas da rosa branca caíam nos túmulos, sem parar, como infinitas lágrimas da cor da plumagem dos cisnes. Esse milagre só cessou quando os camponeses deixaram os dois túmulos bem juntinhos.
Ora, amigo leitor, por que estou contando estas histórias, talvez ridículas para o gosto de certas pessoas? É porque tenho alma, coração, sensibilidade, e amo as coisas belas e espirituais.
Escritor e jornalista, Fernando Jorge é autor do livro “Vida, Obra e Época de Paulo Setúbal, Um Homem de Alma Ardente”, publicado pela Geração Editorial
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
UMA VELHA DOENÇA DO BRASIL: A CORRUPÇÃO
Doença crônica da nossa pátria amada, salve, salve, a corruptite levou um grande orador, o padre Antônio Vieira, a soltar estas afirmativas, perguntas e respostas num sermão pronunciado em 1665:
“Perde-se o Brasil (digâmo-lo em uma palavra) porque alguns ministros de Sua Majestade não vêm cá buscar nosso bem, vem cá buscar nossos bens... EI-Rei manda-os tomar Pernambuco e eles contentam-se com o tomar... Toma nesta terra o ministro da Justiça? Sim, toma. Toma, o ministro da Fazenda? Sim, toma... Toma o ministro da República? Sim, toma. Toma o ministro do Estado? Sim, toma..."
Autoridades do rei dom José I, na época do Brasil Colonial, exibiam as suas gananciosas unhas aduncas até na palma da mão, e os outros figurões também, como os contratadores de diamantes. Esses contratadores arrendavam do Estado as jazidas. João Fernandes de Oliveira, um deles, apaixonou-se pela negra Xica da Silva e tinha palácios, templos, edifícios opulentos, minas de ouro. Uma riqueza oriunda das infrações que ele cometia contra o erário do reino. Sabendo disso, o marquês de Pombal o obrigou a pagar, ao Estado português, a imensa quantia de 11 milhões de cruzados.
Fiscais e meirinhos se locupletavam às custas de safadezas, mormente na barroca Minas Gerais do século XVIII.
Se Brasil Colonial já era um país de corruptos, o Brasil Império não ficou atrás, também foi uma Corruptolândia.
Narra Moreira de Azevedo no seu livro “Mosaico brasileiro” (Editora Garnier, Rio de Janeiro, 1869, página 135), que tendo ocorrido um roubo no Tesouro Público do Império, uma pessoa transmitiu esta notícia ao marquês de Maricá. O assalto, observou o informante, havia sido praticado “por uns miseráveis”. Indignado, o marquês de Maricá respondeu:
- Miseráveis! Miseráveis! Ah, meu caro amigo, o roubo de milhões enobrece os ladrões.
De fato, em larga escala, a desonestidade no Brasil dava foros de nobreza. Filosofando, o povo dizia:
“Quem rouba um tostão é ladrão. Quem rouba um milhão é barão.”
Cínicos e audaciosos, os corruptos se multiplicavam nas épocas de dom Pedro I e de dom Pedro II. E os monarquistas não me venham com essa história de que nos reinados de ambos só se via, em toda parte, a decência, a honradez, a probidade administrativa. O britânico Henry Coster, autor do livro “Travels in Brazil”, publicado em Londres no ano de 1816, afirmou o seguinte nessa obra: aqui, no tempo de dom Pedro I, eram comuns o peculato, a corrupção, vários delitos, porém os autores desses crimes escapavam da Justiça. Van Halle, outro europeu, ficou escandalizado em 1881, quando soube que o governo de dom Pedro II reintegrara no serviço público alguns agentes de polícia exonerados por desonestidade.
Após a queda do Império em 1889, os corruptos da República substituiram em numerosos postos os corruptos do regime monárquico. Ratos ocuparam os lugares de outros ratos. Eles, como os da mesma espécie do Segundo Reinado, passaram a navegar calmamente nas águas mansas da Corruptolândia. Ao ver essa afrontosa tranqüilidade da rataria, o austero barão de Lucena, ministro da Fazenda, escreveu estas palavras numa carta enviada no dia 4 de novembro de 1891 ao seu amigo Cesário Alvim, governador de Minas:
“...em nosso Brasil não há falta de homens inteligentes e ilustrados; a falta que há é de homens de caráter e patriotas!”
“Perde-se o Brasil (digâmo-lo em uma palavra) porque alguns ministros de Sua Majestade não vêm cá buscar nosso bem, vem cá buscar nossos bens... EI-Rei manda-os tomar Pernambuco e eles contentam-se com o tomar... Toma nesta terra o ministro da Justiça? Sim, toma. Toma, o ministro da Fazenda? Sim, toma... Toma o ministro da República? Sim, toma. Toma o ministro do Estado? Sim, toma..."
Autoridades do rei dom José I, na época do Brasil Colonial, exibiam as suas gananciosas unhas aduncas até na palma da mão, e os outros figurões também, como os contratadores de diamantes. Esses contratadores arrendavam do Estado as jazidas. João Fernandes de Oliveira, um deles, apaixonou-se pela negra Xica da Silva e tinha palácios, templos, edifícios opulentos, minas de ouro. Uma riqueza oriunda das infrações que ele cometia contra o erário do reino. Sabendo disso, o marquês de Pombal o obrigou a pagar, ao Estado português, a imensa quantia de 11 milhões de cruzados.
Fiscais e meirinhos se locupletavam às custas de safadezas, mormente na barroca Minas Gerais do século XVIII.
Se Brasil Colonial já era um país de corruptos, o Brasil Império não ficou atrás, também foi uma Corruptolândia.
Narra Moreira de Azevedo no seu livro “Mosaico brasileiro” (Editora Garnier, Rio de Janeiro, 1869, página 135), que tendo ocorrido um roubo no Tesouro Público do Império, uma pessoa transmitiu esta notícia ao marquês de Maricá. O assalto, observou o informante, havia sido praticado “por uns miseráveis”. Indignado, o marquês de Maricá respondeu:
- Miseráveis! Miseráveis! Ah, meu caro amigo, o roubo de milhões enobrece os ladrões.
De fato, em larga escala, a desonestidade no Brasil dava foros de nobreza. Filosofando, o povo dizia:
“Quem rouba um tostão é ladrão. Quem rouba um milhão é barão.”
Cínicos e audaciosos, os corruptos se multiplicavam nas épocas de dom Pedro I e de dom Pedro II. E os monarquistas não me venham com essa história de que nos reinados de ambos só se via, em toda parte, a decência, a honradez, a probidade administrativa. O britânico Henry Coster, autor do livro “Travels in Brazil”, publicado em Londres no ano de 1816, afirmou o seguinte nessa obra: aqui, no tempo de dom Pedro I, eram comuns o peculato, a corrupção, vários delitos, porém os autores desses crimes escapavam da Justiça. Van Halle, outro europeu, ficou escandalizado em 1881, quando soube que o governo de dom Pedro II reintegrara no serviço público alguns agentes de polícia exonerados por desonestidade.
Após a queda do Império em 1889, os corruptos da República substituiram em numerosos postos os corruptos do regime monárquico. Ratos ocuparam os lugares de outros ratos. Eles, como os da mesma espécie do Segundo Reinado, passaram a navegar calmamente nas águas mansas da Corruptolândia. Ao ver essa afrontosa tranqüilidade da rataria, o austero barão de Lucena, ministro da Fazenda, escreveu estas palavras numa carta enviada no dia 4 de novembro de 1891 ao seu amigo Cesário Alvim, governador de Minas:
“...em nosso Brasil não há falta de homens inteligentes e ilustrados; a falta que há é de homens de caráter e patriotas!”
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
JÂNIO QUADROS, NO PALÁCIO DA ALVORADA, FEZ O EMBAIXADOR DOS ESTADOS UNIDOS ENTRAR NO SEU GUARDA-ROUPA!
Fiz esta pergunta a Jânio Quadros, durante um dos meus almoços com ele, na sua casa da rua 9 de Julho, em Santo Amaro:
- Houve muita pressão dos Estados Unidos para o senhor apoiar a ação armada que o governo do presidente Kennedy planejava contra Cuba?
Eufórico, com o rosto mais vermelho, Jânio Quadros fitou-me. Bebeu um pouco de vinho e de modo desembaraçado, às vezes escandindo as sílabas de algumas palavras, começou a rememorar:
- Um mês depois da minha posse na presidência da República, nos fins de fevereiro de 1961, desembarcou em Brasília o Adolfo Berle Jr. Este, no ano de 1945, como embaixador dos Estados Unidos, havia contribuído para a derrubada do Estado Novo, da ditadura de Getúlio Vargas, mas eu jamais iria tolerar qualquer interferência do governo norte-americano em nossa política interna. Nem quis recebê-lo, pois não ignorava que o seu plano consistia em forçar o Brasil a participar de uma ação jurídica e diplomática cujo objetivo era legalizar a intervenção direta dos Estados Unidos em Cuba, como aconteceu na Coréia e no Congo, sob os auspícios da OEA e da ONU.
Indaguei, repleto de curiosidade:
- E de que maneira o senhor descascou o pepino?
- Eu não o descasquei. Quem o descascou foi o Afonso Arinos de Melo Franco, o meu ministro das Relações Exteriores, a quem incumbi de falar com o Berle. O enviado de Kennedy, vendo que não conseguia nada, pediu socorro ao John Moors Cabot, embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Cabot, na ânsia de agradar o Berle e o Kennedy, ousou interferir em nossa vida política.
- Bem, e aí, o que o senhor fez?
- Impaciente, fervendo de indignação, mandei chamar o John Moors Cabot. Ele, muito sem jeito, entrou no meu gabinete. Decerto já sabia que eu me achava bem informado sobre o seu vil procedimento. Sentou-se na minha frente, diante de uma mesa baixa, e fui direto ao assunto: “embaixador Cabot, o senhor é o representante de um país com o qual a minha pátria, o Brasil, mantém tradicionais laços de amizade, desde a época de Tiradentes, mas agora o senhor não está se comportando bem!”
- O senhor teve a coragem de dizer isto?
- Sim, é claro, pois era a pura verdade!
- E ele, qual foi a sua reação?
- Ficou pálido. Eu o encarei de modo firme, sem desviar o meu olhar irado dos seus olhos, enquanto lhe dizia: “o senhor está metendo o bedelho em nossa vida política. Asseguro, o senhor não tem o direito de fazer isto, assim como o nosso embaixador em Washington não tem o direito de interferir nos assuntos internos dos Estados Unidos”.
- E aí, presidente, o que ele disse?
- Nervoso, a gaguejar, quis me contradizer. Reagi: “não, não, não, o senhor não me desminta, eu posso apresentar as provas! Vou adverti-lo, ou o senhor pára de meter o bedelho em nossa vida política, ou serei obrigado, para o bem dos tradicionais laços de amizade entre o Brasil e os Estados Unidos, a pedir ao seu governo a sua substituição por outro embaixador. Escolha”.
- E como acabou o encontro, presidente?
- Levantei-me e o despedi, sem lhe apertar a mão. Ele estava tão nervoso, tão atarantado, que em vez de sair pela porta do gabinete, entrou no meu guarda-roupa!
Eu e a dona Eloá rimos a valer, provocando os latidos dos três cães do casal.
- Houve muita pressão dos Estados Unidos para o senhor apoiar a ação armada que o governo do presidente Kennedy planejava contra Cuba?
Eufórico, com o rosto mais vermelho, Jânio Quadros fitou-me. Bebeu um pouco de vinho e de modo desembaraçado, às vezes escandindo as sílabas de algumas palavras, começou a rememorar:
- Um mês depois da minha posse na presidência da República, nos fins de fevereiro de 1961, desembarcou em Brasília o Adolfo Berle Jr. Este, no ano de 1945, como embaixador dos Estados Unidos, havia contribuído para a derrubada do Estado Novo, da ditadura de Getúlio Vargas, mas eu jamais iria tolerar qualquer interferência do governo norte-americano em nossa política interna. Nem quis recebê-lo, pois não ignorava que o seu plano consistia em forçar o Brasil a participar de uma ação jurídica e diplomática cujo objetivo era legalizar a intervenção direta dos Estados Unidos em Cuba, como aconteceu na Coréia e no Congo, sob os auspícios da OEA e da ONU.
Indaguei, repleto de curiosidade:
- E de que maneira o senhor descascou o pepino?
- Eu não o descasquei. Quem o descascou foi o Afonso Arinos de Melo Franco, o meu ministro das Relações Exteriores, a quem incumbi de falar com o Berle. O enviado de Kennedy, vendo que não conseguia nada, pediu socorro ao John Moors Cabot, embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Cabot, na ânsia de agradar o Berle e o Kennedy, ousou interferir em nossa vida política.
- Bem, e aí, o que o senhor fez?
- Impaciente, fervendo de indignação, mandei chamar o John Moors Cabot. Ele, muito sem jeito, entrou no meu gabinete. Decerto já sabia que eu me achava bem informado sobre o seu vil procedimento. Sentou-se na minha frente, diante de uma mesa baixa, e fui direto ao assunto: “embaixador Cabot, o senhor é o representante de um país com o qual a minha pátria, o Brasil, mantém tradicionais laços de amizade, desde a época de Tiradentes, mas agora o senhor não está se comportando bem!”
- O senhor teve a coragem de dizer isto?
- Sim, é claro, pois era a pura verdade!
- E ele, qual foi a sua reação?
- Ficou pálido. Eu o encarei de modo firme, sem desviar o meu olhar irado dos seus olhos, enquanto lhe dizia: “o senhor está metendo o bedelho em nossa vida política. Asseguro, o senhor não tem o direito de fazer isto, assim como o nosso embaixador em Washington não tem o direito de interferir nos assuntos internos dos Estados Unidos”.
- E aí, presidente, o que ele disse?
- Nervoso, a gaguejar, quis me contradizer. Reagi: “não, não, não, o senhor não me desminta, eu posso apresentar as provas! Vou adverti-lo, ou o senhor pára de meter o bedelho em nossa vida política, ou serei obrigado, para o bem dos tradicionais laços de amizade entre o Brasil e os Estados Unidos, a pedir ao seu governo a sua substituição por outro embaixador. Escolha”.
- E como acabou o encontro, presidente?
- Levantei-me e o despedi, sem lhe apertar a mão. Ele estava tão nervoso, tão atarantado, que em vez de sair pela porta do gabinete, entrou no meu guarda-roupa!
Eu e a dona Eloá rimos a valer, provocando os latidos dos três cães do casal.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Brasileiro: pare de ser macaco do americano!
Não sou inimigo de nenhum povo e de nenhum país e sim dos governos de certas nações. Um amigo dotado de bela cultura, jornalista de “O Estado de S.Paulo”, que me viu ser entrevistado no programa “Provocações”, do Antônio Abujamra, da TV Cultura, e que leu a entrevista que concedi ao colega Gilberto Amendola do “Jornal da Tarde”, publicada na edição do dia 8 de julho de 2009 desse periódico, o referido amigo chegou a esta conclusão:
-Fernando Jorge, você é um anarquista, um fiel seguidor do italiano Enrico Malatesta e do russo Mikhail Aleksandrovitch Bakunin.
Não posso negar: sempre tive uma entusiástica admiração pelos anarquistas. Desde jovem eu lia e aplaudia os textos do inglês William Godwin (1756-1836), paladino da tese de que o homem pode tornar-se perfeito pela educação e pela razão, e se conseguir criar uma sociedade livre de qualquer coercitivo governo autoritário. Sonho utópico, irrealizável? Depois mergulhei na leitura das obras de Bakunin (“Deus e o Estado”, “O catecismo revolucionário”, “Os princípios da revolução”), cuja escola se opunha vigorosamente ao socialismo ditatorial de Karl Marx e defendia uma espontânea ação revolucionária, com o objetivo de destruir o “desumano capitalismo” da época moderna. Confesso também li e reli, e até adorei, o livro “A doutrina anarquista ao alcance de todos”, do professor José Oiticica (1882-1957), um homem puro, honrado, profundo conhecedor do nosso idioma, tão conhecedor que lecionou Filologia Portuguesa na Universidade de Hamburgo.
Diversas vezes perguntei a mim mesmo: sou ou não sou um anarquista? Bem, se ser anarquista é rebelar-se contra a macaqueação do brasileiro diante do americano, contra a sua mania de querer falar bem o inglês e mal o português, então de fato eu sou um fanático adepto de Peter Alexievitch Kropotkin (1842-1921), autor, entre outros livros, das “Palavras de um revoltado” e de “A conquista do pão”, lidos e relidos por mim, o primeiro publicado em 1885, e o segundo em 1892.
Repito, não sou inimigo de nenhum povo e de nenhum país, mas não aceito, não me conformo, esculhambo, meto o porrete nessa paranóia de milhões de brasileiros se obstinarem em serem macacos dos americanos. Isto para mim é falta de cultura, de caráter, de personalidade, de patriotismo.
Você liga o rádio e só ouve a música cacofônica dos Estados Unidos. Os brasileiros americanizados, ou melhor, americanalhados, metidos a besta, acham que é prova de mau gosto, de atraso, ouvir um tango argentino, uma canção italiana, mexicana ou francesa. Ouvimos mais a ensurdecedora música cacofônica americana do que a nossa, a da Bethânia, da Gal, da Zizi Possi, do Caetano Veloso. E se ligarmos a televisão, é só filme americano de quinta ou oitava categoria, exibindo cretinices, assassinatos, barbaridades. Filmes para os criminosos se sentirem estimulados a assaltar, a estrangular, a fuzilar, a cortar cabeças.
O brasileiro é tão macaco do americano, tão complexado, tão sem personalidade, que hoje, em dezenas de lojas comerciais, quando deseja anunciar uma grande liquidação, ele coloca as palavras inglesas off e sale.
Lá no Rio de Janeiro, os jovens da alta classe média copiam nas praias os jogos da americana National Football League. É o Superbowl! É o Touchdown! Eles mal sabem se expressar em português, mas gritam, no decorrer das partidas:
-Field goals! (Gol de campo!)
-Tight-end! (Bloqueio!)
-Safety! (Vale dois pontos!)
-Defensive tackies! (Jogar pelo meio da defesa!)
-Defensive ends! (Defender as pontas!)
-Quaterbaks! (Armação das jogadas de ataque!)
As mocinhas americanizadas do Leblon, de Ipanema, de Copacabana, da Barra da Tijuca, vendo as partidas dos simiescos garotões, vomitam estas palavras, como se estivessem soltando orgasmos:
-Wonderful! (Maravilhoso!)
-Beauty! (Beleza!)
-What a bit of luck! (Que sorte!)
-Gracious goodness!, good gracious! (Ora essa, céus, meu Deus!)
-That makes us square! (Agora estamos quites!)
-Over again! (Outra vez!)
-Well, I’m jiggered! (Por essa eu não esta esperava!)
Entrevistada por uma repórter de televisão, uma das tais mocinhas assim se expressou:
-Prefiro falar o inglês do que o português. Acho tão feia, tão cafona a nossa língua! Take my Word for it. (Dou-lhe a minha palavra). My dream (meu sonho) é conhecer, em New York City, o Music and Dance Booth, no Bryant Park. Take my word for it! (Dou-lhe a minha palavra!)
Ao ver esta fulana na televisão, eu pensei: amanhã, se os Estados Unidos invadirem o Brasil, milhões de jovens como ela vão renegar a sua nacionalidade, trair o seu país, virar americanos ou americanas de carteirinha.
Na pátria do Lula existem idosos americanizados. Rubem Fonseca, nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, no dia 11 de maio de 1925, não parece um escritor brasileiro e sim americano. Os textos dos seus contos e romances se assemelham às narrativas de John Steinbeck, Ernest Hemingway e Jerome David Salinger. Aliás, Rubem imita este último na vida pessoal, usa o estratagema de nunca dar entrevistas, a fim de se mostrar difícil, estranho, singular... É oportuno dizer que esse escritor cem por cento americanizado, estudou administração e comunicação nas universidades de Boston e de Nova York.
João Ubaldo Ribeiro, no artigo “Vergonha da mesóclise” (“O Globo”, 2-6-2009), provou como o fascínio pelo inglês dos americanos está mudando, de forma corrosiva, horrenda, a língua portuguesa falada em nosso país.
Brasileiro, você quer continuar a ser macaco do americano? Peça para ficar numa jaula de um jardim zoológico dos Estados Unidos, a fim de nela pular, guinchar, fazer caretas, empinar o rabo e comer bananas, pipoca e amendoim, em frente dos olhos aparvalhados dos visitantes.
Brasileiro, tenha um pouco de vergonha na cara, pare de ser macaco do americano!
-Fernando Jorge, você é um anarquista, um fiel seguidor do italiano Enrico Malatesta e do russo Mikhail Aleksandrovitch Bakunin.
Não posso negar: sempre tive uma entusiástica admiração pelos anarquistas. Desde jovem eu lia e aplaudia os textos do inglês William Godwin (1756-1836), paladino da tese de que o homem pode tornar-se perfeito pela educação e pela razão, e se conseguir criar uma sociedade livre de qualquer coercitivo governo autoritário. Sonho utópico, irrealizável? Depois mergulhei na leitura das obras de Bakunin (“Deus e o Estado”, “O catecismo revolucionário”, “Os princípios da revolução”), cuja escola se opunha vigorosamente ao socialismo ditatorial de Karl Marx e defendia uma espontânea ação revolucionária, com o objetivo de destruir o “desumano capitalismo” da época moderna. Confesso também li e reli, e até adorei, o livro “A doutrina anarquista ao alcance de todos”, do professor José Oiticica (1882-1957), um homem puro, honrado, profundo conhecedor do nosso idioma, tão conhecedor que lecionou Filologia Portuguesa na Universidade de Hamburgo.
Diversas vezes perguntei a mim mesmo: sou ou não sou um anarquista? Bem, se ser anarquista é rebelar-se contra a macaqueação do brasileiro diante do americano, contra a sua mania de querer falar bem o inglês e mal o português, então de fato eu sou um fanático adepto de Peter Alexievitch Kropotkin (1842-1921), autor, entre outros livros, das “Palavras de um revoltado” e de “A conquista do pão”, lidos e relidos por mim, o primeiro publicado em 1885, e o segundo em 1892.
Repito, não sou inimigo de nenhum povo e de nenhum país, mas não aceito, não me conformo, esculhambo, meto o porrete nessa paranóia de milhões de brasileiros se obstinarem em serem macacos dos americanos. Isto para mim é falta de cultura, de caráter, de personalidade, de patriotismo.
Você liga o rádio e só ouve a música cacofônica dos Estados Unidos. Os brasileiros americanizados, ou melhor, americanalhados, metidos a besta, acham que é prova de mau gosto, de atraso, ouvir um tango argentino, uma canção italiana, mexicana ou francesa. Ouvimos mais a ensurdecedora música cacofônica americana do que a nossa, a da Bethânia, da Gal, da Zizi Possi, do Caetano Veloso. E se ligarmos a televisão, é só filme americano de quinta ou oitava categoria, exibindo cretinices, assassinatos, barbaridades. Filmes para os criminosos se sentirem estimulados a assaltar, a estrangular, a fuzilar, a cortar cabeças.
O brasileiro é tão macaco do americano, tão complexado, tão sem personalidade, que hoje, em dezenas de lojas comerciais, quando deseja anunciar uma grande liquidação, ele coloca as palavras inglesas off e sale.
Lá no Rio de Janeiro, os jovens da alta classe média copiam nas praias os jogos da americana National Football League. É o Superbowl! É o Touchdown! Eles mal sabem se expressar em português, mas gritam, no decorrer das partidas:
-Field goals! (Gol de campo!)
-Tight-end! (Bloqueio!)
-Safety! (Vale dois pontos!)
-Defensive tackies! (Jogar pelo meio da defesa!)
-Defensive ends! (Defender as pontas!)
-Quaterbaks! (Armação das jogadas de ataque!)
As mocinhas americanizadas do Leblon, de Ipanema, de Copacabana, da Barra da Tijuca, vendo as partidas dos simiescos garotões, vomitam estas palavras, como se estivessem soltando orgasmos:
-Wonderful! (Maravilhoso!)
-Beauty! (Beleza!)
-What a bit of luck! (Que sorte!)
-Gracious goodness!, good gracious! (Ora essa, céus, meu Deus!)
-That makes us square! (Agora estamos quites!)
-Over again! (Outra vez!)
-Well, I’m jiggered! (Por essa eu não esta esperava!)
Entrevistada por uma repórter de televisão, uma das tais mocinhas assim se expressou:
-Prefiro falar o inglês do que o português. Acho tão feia, tão cafona a nossa língua! Take my Word for it. (Dou-lhe a minha palavra). My dream (meu sonho) é conhecer, em New York City, o Music and Dance Booth, no Bryant Park. Take my word for it! (Dou-lhe a minha palavra!)
Ao ver esta fulana na televisão, eu pensei: amanhã, se os Estados Unidos invadirem o Brasil, milhões de jovens como ela vão renegar a sua nacionalidade, trair o seu país, virar americanos ou americanas de carteirinha.
Na pátria do Lula existem idosos americanizados. Rubem Fonseca, nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, no dia 11 de maio de 1925, não parece um escritor brasileiro e sim americano. Os textos dos seus contos e romances se assemelham às narrativas de John Steinbeck, Ernest Hemingway e Jerome David Salinger. Aliás, Rubem imita este último na vida pessoal, usa o estratagema de nunca dar entrevistas, a fim de se mostrar difícil, estranho, singular... É oportuno dizer que esse escritor cem por cento americanizado, estudou administração e comunicação nas universidades de Boston e de Nova York.
João Ubaldo Ribeiro, no artigo “Vergonha da mesóclise” (“O Globo”, 2-6-2009), provou como o fascínio pelo inglês dos americanos está mudando, de forma corrosiva, horrenda, a língua portuguesa falada em nosso país.
Brasileiro, você quer continuar a ser macaco do americano? Peça para ficar numa jaula de um jardim zoológico dos Estados Unidos, a fim de nela pular, guinchar, fazer caretas, empinar o rabo e comer bananas, pipoca e amendoim, em frente dos olhos aparvalhados dos visitantes.
Brasileiro, tenha um pouco de vergonha na cara, pare de ser macaco do americano!
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