domingo, 11 de dezembro de 2011

QUATRO IMUNDOS INSULTADORES DE JESUS

Jesus Cristo continua a ser ultrajado. Já mostrei aqui, num dos meus bate-papos, os disparates da “teóloga” Marcella Althaus – Reid, professora de Ética Cristã e Teologia Prática na Universidade de Edimburgo. Obcecada por sexo, essa mulher de cara obscena, assustadora, cara que é um verdadeiro breviário contra a luxúria, defecou a seguinte blasfêmia, numa entrevista concedida à repórter Eliane Brum, da revista “Época”:
“Que sabemos da sexualidade de Jesus? Nada. O que dizem os Evangelhos? Dizem que foi circuncidado... Então por que não assumir que Jesus teria outra sexualidade? E qual teria sido? Busco elaborar um Bi-Cristo.”
Como é nojenta essa criatura! Marcella causa-me ânsia de vômito. O diabo já deve ter reservado uma sala especial para ela, lá no Inferno, onde ele a espera com um comprido ferro em brasa na mão, a fim de espetá-lo naquela sua murcha parte traseira, chamada vulgarmente de bumbum...
Bem antes da imunda Marcella, dois imundos escritores insultaram Cristo. Refiro-me a Richard Leigh e Michael Raigent. Ambos, no livro “Holy Blood, Holy Grail”, publicado em 1982, descrevem Jesus como um revolucionário inescrupuloso, que forjou a “lenda” da sua crucificação e fugiu com Maria Madalena para o sul da França.
Eu acredito, juro: Richard e Michael também estão sendo aguardados lá no Inferno, pelo impaciente rabudo. Este vai enfiar longuíssimos ferros em brasa no bumbum dos dois. Ferros que sairão nas suas cabeças, enquanto uma negra e sufocante fumaça se evolará dos seus corpos assados como churrasco...
A última canalhice infligida a Jesus Cristo se acha no livro “O Código Da Vinci”, do espertalhão norte-americano Dan Brown. Lançada em março de 2003, mais de 15 milhões de exemplares dessa obra já foram vendidos. Sem apresentar nenhum documento idôneo, o vigarista Dan Brown quer provar que a Igreja Católica foi fundada sobre uma mentira, em relação à vida de Jesus, porque o filho de Deus se casou com Maria Madalena, fugiu da Palestina e teve filhos!
O sucesso do livro “O Código Da Vinci” me convenceu de uma coisa: a humanidade não presta. Qualquer escritor que consiga inventar uma história falsa e engenhosa sobre Cristo, poderá lançar um livro capaz de lhe render milhões de dólares. E aos que negam a existência histórica de Jesus, eu afirmo: a “Bíblia” é por si mesma um autêntico documento histórico da existência do Salvador. Os Evangelhos são coincidentes. Respondam-me, ateus: o Cristianismo surgiu do nada? Existe o efeito sem causa?
Antes que me esqueça: o Pé-de-Gancho, lá do Inferno, também já preparou outro ferro em brasa, para o enfiar na fofa ou dura região glútea do blasfemo Dan Brown, autor do conto-do-vigário “O Código Da Vinci”.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O INGLÊS QUE ODIAVA O SEU NARIZ

Sei que várias pessoas não acham quase nenhuma utilidade no nariz. Monteiro Lobato, por exemplo, disse uma ocasião:
-Ora, ele só presta para servir de cavalo aos óculos!
Mas isto não é verdade, porque o nariz do homem tem a grande capacidade de destruir os micróbios quê por ele passam. É um fato científico.
O norte-americano Henry Lewis obteve estrondosas vitórias jogando bilhar com a ponta do nariz...
Gogol tem um personagem, chamado Kovaliev, que perde o nariz e após muitas peripécias o encontra. Diversos discípulos de Freud vêem na novela “O nariz” mais do que uma sátira. Descobrem nessa obra o reflexo caricaturesco da frustração sexual do autor de "Taras Bulba”.
Gregório de Matos cantou um

“Nariz de embono,
Com tal sacada,
Que entra na escada,
Duas horas primeiro que seu dono.”

Bernardo Guimarães divulgou no Rio de Janeiro, em 1858, o seu poema “O nariz perante os poetas", no qual faz esta pergunta:

“Se bem me lembro, a Bíblia em qualquer parte
Certo nariz ao Líbano compara;
Se tal era o nariz,
De que tamanho seria a cara?!...”

Alf Smith foi um inglês que sentiu pelo seu nariz uma repulsa sem limites. A sua tragédia iniciou-se em 1950, quando ele tomou parte numa briga, saindo dela com o nariz quebrado e rasgado por uma navalha. Smith adquiriu um aspecto tão grotesco que chegava a ter vergonha de sair de casa. Ficou obcecado pelo seu nariz em pandarecos. Certo dia resolveu procurar um especialista em cirurgia plástica. Submeteu-se a uma operação e ganhou novo nariz. Mas Smith não se sentiu satisfeito. O segundo nariz lhe desagradava enormemente. Voltou ao cirurgião e pediu-lhe outro, que estivesse mais de acordo com os traços do seu rosto. Foi feita uma segunda intervenção cirúrgica, que também surtiu o mesmo efeito negativo. Enraivecido, negou-se a pagar a operação...
Smith viveu torturado, num desolador estado de abatimento moral. Decidiu então consultar o melhor especialista britânico na matéria. Este, por setenta mil dólares, confeccionou-lhe um nariz invejável, digno de um deus grego. Smith, no entanto, ainda ficou aborrecido. Puxou uma pistola e apontando-a para o cirurgião, berrou:
-Quero outro nariz ou o mato!
A polícia prendeu-o e foi condenado a dez anos de prisão, dos quais cumpriu apenas um.
Conheço narizes de todos os tipos e condições sociais: petulantes, humildes, orgulhosos, plebeus, aristocratas.
O nariz possui tal força sugestiva que associamos seu aspecto aos sentimentos do dono. Um nariz pálido, não sei porquê, parece exprimir azedume, inveja. O arrebitado fornece impressão de jovialidade. O esguio, sugere um intelecto brilhante, inclinado à ironia.
Diversas caras estão com o nariz errado. Um narigudo tímido, medroso, em vez de ter um órgão nasal alongado, agressivo, devia ganhar um outro que fosse bem menor. Não se harmoniza ainda menos o nariz purpúreo, sanguíneo, nas feições impassíveis de uma pessoa fria, apática, carecida de entusiasmos.
_______________________________________________________
Escritor e jornalista, Fernando Jorge é autor do livro Se não fosse o Brasil, jamais Barack Obama teria nascido, cuja 3ª edição foi lançada pela Editora Novo Século

domingo, 30 de outubro de 2011

LIRA NETO? NÃO, TIRA NETO

Declarei no programa “Quebrando a banca”, no Canal 9, TV Aberta, do qual sou produtor e participante, e também no mesmo programa transmitido para todo o país pela Rede Brasil de Televisão, que o senhor Lira Neto deve passar a se chamar Tira Neto, pois nas suas biografias capengas de José de Alencar e do Padre Cícero, ele só soube usar a cola e a tesoura, isto é, essas biografias apresentam mais de 80% de aspas.
O senhor Lira Neto vive atacando o meu livro Getúlio Vargas e o seu tempo. Pura inveja gorda desse perito na arte de entupir as suas desastradas biografias com aspas. Eu lhe dei, portanto, de maneira justa, os apelidos de Aspudo e de Tira Neto.
Qualquer página dos livros dele serve de exercício para a correção de textos. Tira Neto não para de cometer gravíssimos erros de português. Já anotei mais de duzentos nos seus aleijões biográficos. Eu o aconselho: senhor Tira Neto, em vez de ser biografocida (assassino de biografias) abra uma fábrica de cola e uma fábrica de tesouras. Assim poderá recortar e colar os textos alheios com mais facilidade...
A biografia de José de Alencar, parida por Tira Neto, intitulada O inimigo do rei, além de ser confusa, mal escrita, tediosa, está repleta de disparates. Vejam este na página 231:
“...Petrópolis, onde o clima da floresta tropical deveria ajudar a restituir-lhe a energia perdida.”
Absurdo! Ele assegurou: Petrópolis tem o clima de floresta tropical! Tira Neto, o senhor estava bêbado, quando vomitou esta cretinice? Então o clima ameno da Cidade Imperial, um dos melhores do Brasil, é o da floresta amazônica? Vá depressa aprender Climatologia, senhor Tira Neto, o ramo da Geografia Física que estuda os climas do nosso planeta e os fenômenos com eles relacionados.
Os erros de natureza histórica abundam no livro O inimigo do rei, a pior biografia de José de Alencar, quase cem por cento inferior às biografias do autor de Iracema, escritas por Raimundo de Menezes, Oswaldo Orico e Luís Viana Filho. Contemplem este grave erro do Tira Neto, na página 81 da sua péssima biografia do escritor cearense:
“Em meio aos conchavos e viradas de mesa que caracterizariam todo o segundo império”...
Ora, como eu já salientei no meu livro As sandálias de Cristo, o Segundo Império nunca existiu no Brasil. O Império aqui foi apenas um, tendo havido, sim, o Segundo Reinado, o de D. Pedro II (1840-1889), continuação do Primeiro Reinado, de D. Pedro I (1822-1831), após a Regência Trina Provisória, de 1831; a Regência Trina Permanente, de 1831 a 1835; e a Regência Una, de 1835 a 1840. Esta última exercida pelo padre Diogo Antônio Feijó e depois por Pedro de Araújo Lima, o Visconde de Olinda.
Que erro, o do Tira Neto! Senhor biografocida (assassino de biografias, repito), adquira mais cultura, deixe de ser apedeuta, volte a ler os compêndios de História do Brasil, se é que de fato já os leu. Aspudo, procure se instruir, largue essa mania de tomar porres de aspas e memorize este pensamento do estadista inglês Benjamin Disraeli, inserido no seu livro Sybil, or the two nations, publicado em 1847:
“Ter consciência da própria ignorância é um grande passo em direção ao saber.”
(“To be conscious that you are ignorant is a great step to knowledge”)
Os erros de português se multiplicam no livro do Aspudo sobre José de Alencar. Eis um, da página 217:
“...a primeira edição, de mil exemplares, esgotou rapidamente”.
Correção: o verbo aí é pronominal, esgotou-se. Sem o pronome se, parece que a primeira edição esgotou a paciência do leitor...
Erro de atração pronominal do Tira Neto na página 275 do seu caótico livreco:
“Alencar respondia às críticas dizendo-lhe que o cargo de ministro da Justiça dava-lhe o pleno comando...”
Aspudo, aprenda: o que atrai o pronome lhe. Olhe esta frase correta do José de Alencar, vítima do senhor, pois o seu livro sobre ele é horroroso, um atentado contra o romancista de As minas de prata:
“...pedir ao velho que lhes ensine”...
Leia também, Aspudo, as seguintes palavras do insigne escritor luso Antônio Feliciano de Castilho:
“... por isso mesmo que lhes faleceu a força e a arte.”
Quer mais um exemplo, Aspudo?
Aí vai, é uma frase do padre Antônio Vieira, outro expoente da rica literatura portuguesa:
“Respondeu Apolo que, dali a sete dias, lhes concederia o que pedimos”.
Escreve mal, muito mal, o Tira Neto. A sua prosa é cheia de assonâncias, de palavras que rimam entre si, como neste trecho da página 199 do chatíssimo O inimigo do rei:
“Quando a crítica espinafrava ou silenciava sobre sua obra literária, José de Alencar ameaçava... Quando imaginava... proclamava... O irascível Alencar oscilava...”
É o estilo AVA-AVA-AVA-AVA. Creio que Tira Neto é um fanático admirador da atriz americana Ava Gardner...
Na página 233 encontrei isto no seu livro-aborto:
“... Rio de Janeiro de então.”
Puxa, eu não sabia que a Cidade Maravilhosa tem um dentão! Ela é uma tigresa faminta? Qual é o tamanho desse dentão, ò Lira Neto? Mede dois ou cinco metros de comprimento?
Escritor fraco, anêmico, a sua lengalenga sobre José de Alencar se mostra abarrotada de frases batidas, surradas, de expressões comuns tão comuns como é comum o sal nas águas oceânicas e a areia nas praias no Nordeste:
“... dizia não morrer de amores”... (página 17); “o clima era de profundo pesar” (página 79); “tentava defender-se da maré de acusações” (página 80); “crítica contundente” (página 116); “território praticamente inexplorado” (página 180); “fora fragorosamente derrotado” (página 194); “respeitável mãe de família” (página 229); “notório solteirão” (página 230); “no apagar das luzes do ano anterior” (página 302); “realidade brutal” (página 380).
Tira Neto, na página 388 da sua babilônica descrição da vida de José de Alencar, agradece a várias pessoas que o ajudaram a gerar o seu monstrengo biográfico. Ele devia agradecer também à tesoura e à cola, pois a primeira lhe permitiu recortar centenas de trechos alheios e a segunda a grudá-los na sua obra palavrosa, inchada de erros de português, de informações desnecessárias, supérfluas, onde as aspas se assemelham a uma devastadora praga de insetos hematófagos.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Fernando Jorge, comentando os dois Livros de Tira Neto.

Declarei no programa “Quebrando a banca”, no Canal 9, TV Aberta e no mesmo programa da Rede Brasil de televisão, transmitido para todo o país, que o Sr. Lira Neto deve passar a se chamar Tira Neto, pois nas suas biografias capengas de José de Alencar e do Padre Cícero, ele só soube usar a cola e a tesoura, isto é, essas biografias apresentam mais de 80% de aspas.
O Sr. Lira Neto é perito na arte de entupir as suas desastradas biografias com aspas. Eu lhe dei portanto os justos apelidos de Aspudo e de Tira Neto.
Qualquer página dos seus livros serve de exercício para a correção de textos. Tira Neto não pára de cometer erros gravíssimos de português. Já anotei de mais 200 nos seus aleijões biográficos.
Eu o aconselho a em vez de ser biografocida (assassino de biografias) a abrir uma fábrica de cola e também uma fábrica de tesouras. Assim poderá recortar e colar os textos alheios com mais facilidade.

domingo, 25 de setembro de 2011

COMO AS SOGRAS SÃO CALUNIADAS!

Conta Augusto de Lima que foi visitar, num dos arrabaldes de Ouro Preto, o romancista Bernardo Guimarães. O autor de A escrava Isaura vivia os seus últimos anos quase na miséria, numa deprimente e humilhante pobreza. Queixando-se da sorte, lamentou:
- O meu destino é de tal ordem, meu amigo, que a minha sogra tem o nome de Felicidade!...
Estaria sendo injusto o iniciador do sertanismo no romance nacional? Não compreenderia sua sogra, como Leandro, personagem de Aluisio de Azevedo? Afirma um dito popular, registrado por Perestrello da Câmara na sua Collecção de proverbios, adagios, rifãos, anexins, sentenças moraes e idiotismos da lingoa portuguesa, que “amizade de genro é sol de inverno”.
Pobres criaturas! Corno são caluniadas! Poucos sabem compreende-las. Tanto os povos selvagens como os civilizados vem revelando, através dos séculos, uma invencível sografobia...
Os cafres jamais vivem com elas. Nem lhe pronunciam, muito menos, o nome. Os índios omáguas, da América do Norte, não permitiam que tivessem comunicação direta com os genros. Em Minahaça era proibido, a estes, mencionar o nome da sogra. Se, por distração, o nome lhes escapava, cuspiam logo no solo, exclamando:
- Enganei-me!
Os espanhóis costumam soltar este provérbio:
Suegra, ni aun de azúcar es buena.
Mas nem todas sogras são inimigas íntimas...
Edgar Allan Poe teve em Marie Clemm, mãe de sua esposa, um anjo tutelar. A senhora Clemm lhe arranjava dinheiro quando não tinha um níquel, consolava-o nas desventuras, fazia-o adormecer perpassando a mão rechonchuda pela sua atormentada fronte. O poeta amou-a como se fosse sua progenitora. Numa carta, das últimas que escreveu, confessou:
“Você tem sido tudo... tudo para mim, querida e sempre amada mãe, a mais querida e verdadeira amiga."
E a mãe da meiga Virgínia, depois que o autor de "O Corvo" desapareceu, disse um dia:
"Jamais gostava de ficar sozinho, e eu costumava sentar-me com ele, muitas vezes até as quatro horas da madrugada. Ele, na sua mesa, escrevendo, e eu cochilando na minha cadeira. Quando estava compondo 'Eureka', costumávamos passear para lá e para cá no jardim, abraçados um ao outro, até ficar eu tão cansada, a ponto de não poder mais andar. Ele parava alguns minutos e me explicava as suas ideias, perguntando-me se o entendia. Sempre me sentava perto dele quando estava escrevendo, e dava-lhe uma xícara de café quente, de uma ou de duas em duas horas. Em casa era simples e afetuoso como uma criança e durante todos os anos que viveu comigo, não me recordo de uma só noite em que tenha deixado de vir beijar sua ‘mãe’, como me chamava, antes de ir para a cama."
Que dirão, lendo este sentimental depoimento, os inimigos das sogras?
Excelente sogra, não podemos deixar de lembrar, foi a imperatriz Maria Teresa da Áustria, que persuadiu sua filha, a leviana Maria Antonieta, a respeitar o augusto e bonachão marido, Luís XVl. Chegou mesmo, esta dedicada sogra, a passar severa descompostura na rainha de França, ao ver que esta se havia referido ao esposo de maneira irônica:
“Que linguagem! – exclama a austríaca numa carta dirigida à filha – Le pauvre homme! Onde estão o respeito e a gratidão por tanta bondade?”.
Terêncio escreveu no ano 165 antes de Cristo, uma comédia chamada Hecyra, na qual mostra uma sogra bondosa, simpática, ideal, cujo nome é Sostrata. Talvez, por causa disto, sua peça não obteve sucesso ao ser representada...
Goldoni, na comédia La famiglia dell’ antiquario, explorou o antagonismo de uma sogra com a nora. A sogra "satânica" chama-se Isabella e a nora "seráfica" Doralice...
Há uma curiosa narrativa de Salomão Jorge, da qual me permito, com ousadia, fazer uma transposição literária. Narra que certo califa recebeu como presente de um soberano chinês um estranho metal. Segundo afirmava o ofertante, este não se derretia de nenhum modo. Não existia fornalha capaz de torná-lo menos frio, mais inconsistente. Era um metal único na terra. O califa fez diversas experiências e verificou que realmente possuía natureza inamolgável. Não obstante, mandou apregoar por todo o país que se alguém conseguisse alterá-Io, ainda que fosse de maneira mínima, ganharia três valiosos prêmios. O primeiro era uma cornucópia de bronze, contendo mil rubis mais rubros do que as sedas de Damasco. O segundo, um palácio de alabastro, coberto de topázios, com portas de ouro, todo pavimentado de esmeraldas, onde num lago de águas verdes e nenúfares de flores amarelas, deslizavam peixes azuis e prateados. O terceiro, uma dançarina circassiana, de lábios mais vermelhos que os abrunhos escarlates, cútis tão alva como o lódão sagrado dos egípcios, e olhos merencórios, à semelhança de uma ave cujas asas estivessem partidas
Surgiram três candidatos. O califa mandou colocar o metal em cima de uma rígida pedra e reclinou-se em fofas almofadas de seda. Ia presenciar as experiências cercado por lânguidas odaliscas cobertas de véus transparentes. Guardavam sua sagrada pessoa trinta núbios de torsos desnudos, trajados de bombachas brancas e calçados com pantufas encarnadas.
O primeiro que surgiu, disposto a vergar o singular metal, era um homem de barba ruiva, carregando um alfanje esguio, curvo como o crescente. Trazia escudo oblongo, onde se desenhava um dragão alado, de bocarra ignescente. Vestia uma cota feita de couro de javali e via-se, pelo seu punhal de cabo lavrado, pelo seu elmo cintilante, que era um guerreiro. Avançou com passos hieráticos, marciais... Ergueu o alfanje e desferiu no metal um violento golpe, que silvou como a mais rápida das serpentes. Não aconteceu nada. Apenas sua arma encurvou-se ainda mais...
Depois surgiu um gigante de quase quatro metros de altura. Segurava, numa das manzorras calosas, um pesado machado de ferro. Cada brinco de cobre que pendia de suas orelhas acabanadas, semelhantes às de um orangotango, tinha a largura e a espessura de um grosso bracelete. Levantou, qual homem das cavernas, sua tosca arma, e arremessou-a, num relâmpago, sobre o metal. O machado pulverizou-se em estilhas, espalhando no ar uma tênue poeira clara.
Por fim apareceu um mercador franzino, rosto lívido, cabelos crescidos até as costas, traje curto e surrado, de mãos amarelas e finas como pergaminhos. Desamarrou, ante o olhar surpreso de todos, um minúsculo embrulho. Dentro se achava um pedacinho róseo, sanguíneo, de carne. Com muita delicadeza encostou, de leve, aquela matéria flácida, roxa, mal cheirosa, no elemento invencível, que por escárnio parecia rebrilhar com fulgor diabólico. Uma chispa acendeu-se e ouviu-se um pavoroso estrondo. A sala foi invadida por calor causticante. Todas fisionomias ficaram congestionadas e o ambiente, dando a impressão de haver sido incendiado, tornou-se purpúreo. O califa levantou-se, lesto, dos seus macios coxins e correu para perto do metal que se tinha transformado, ó milagre!, em matéria visguenta, pastosa, a esparramar-se pelo chão.
- Homem! - exclamou louco de espanto o califa - de que extraordinária substância é feito o teu talismã maravilhoso? Que naco de carne é este, tão virulento que é capaz de derreter o mais sólido, o mais vigoroso, o mais inabalável de todos os corpos? Diga-me, por Alá!
- Emir dos Crentes - respondeu o homenzinho - este talismã tão poderoso é apenas um pedaço da língua de minha sogra...

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sou um colecionador de frases cretinas

Eu coleciono as frases imbecis das pessoas mais famosas do Brasil. Já tenho centenas dessas frases e pretendo publicar um livro, ao qual darei este titulo: Dicionário das frases cretinas dos brasileiros celebres.
Baseado em frias análises, cheguei à uma conclusão: o poder, diversas vezes, também emburrece, cretiniza. Foi a única explicação lógica que eu encontrei para compreender as frases idiotas de pessoas famosas, cujos nomes se acham em evidência nos jormais, nas revistas, nos programas das emissoras de televisão.
Há vários anos, aliás, as besteiras dessa gente frequentam os noticiários.
Após assumir a presidência da Republica em 15 de março de 1985, o maranhense José Sarney vomitou a seguinte asneira:
“Realmente, estamos importando alimentos, mas isso é ótimo, porque significa que quem não comia está comendo."
Oh raciocínio genial! Cérebro privilegiado, o do senhor José Sarney! Ele merece, não há duvida, ser membro da estéril Academia Brasileira de Letras. Amigo leitor, curve a cabeça diante da robusta inteligência do singular poeta do livro Maribondos de fogo, obra onde a poesia foi assassinada por esses insetos chamejantes!
Ficaram célebres as frases cretinas do senhor Mário Amato, na época em que era presidente da FIESP. No mês de abril de 1989, por exemplo, ele fez este elogio à senhora Dorothéia Werneck, ministra do Trabalho do presidente Sarney:
-Ela é muito inteligente, apesar de ser mulher.
A frase é tão cretina, mas tão cretina, que dispensa qualquer comentário. E comentar o quê? Assim como uma rosa é apenas uma rosa, conforme dizia a Gertrude Stein, a m. é apenas uma m.
Mais tarde, em 21 de junho de 1992, justificando a sonegação de impostos como "a defesa da sociedade contra a elevada carga tributária”, o senhor Mário Amato garantiu:
-Sonegar impostos é proteger a sociedade brasileira. O crime compensa. Ninguém pode atirar a primeira pedra: somos todos corruptos.
Estas frases imorais, insultuosas, cretinas, geraram o protesto indignado de 150 empresários gaúchos e do senhor Luíz Carlos Mandelli, presidente da Federação de Indústrias do Rio Grande do Sul. Vários gângsteres de Chicago e Nova York, inclusive o impiedoso Al Capone, enviaram do Inferno, onde cumprem as suas penas eternas, calorosos telegramas de aplauso ao senhor Mário Amato.
Três meses depois, em outubro de 1992, o Amato expeliu outra frase cretina:
-Quando a mocidade, que está despontando para a cidadania, sai para as ruas, isso me amedronta e apavora.".
Sentir medo da mocidade consciente, patriótica! Olhem aí o cúmulo do reacionarismo! Mário Amato deveria tremer, borrar as calças, se fosse o contrário. Se os jovens se acomodam diante do erro, do arbítrio, da corrupção, da patifaria, da injustiça, isto sim é condenável e maléfico. Viva pois a mocidade estuante, vibrante, apaixonada, a bela e generosa mocidade que sai das escolas, das universidades, e vai às ruas para reagir, protestar, combater a opressão, defender a democracia, lutar pela liberdade, a indômita e esplêndida mocidade de quente e rubro sangue novo! Ela é que é a verdadeira esperança de meu país, o seu futuro radioso!
Durante a campanha pelas eleições diretas, no ano de 1989, o doutor Paulo Salim Maluf deu este conselho em Belo Horizonte, na Faculdade de Ciências Médicas:
-O que fazer com um camarada que estuprou uma moça e matou? Tá bom, tá com vontade sexual, estupra, mas não mata.
Frases soberbas, notáveis! Eu soube que o presidente da Sociedade Brasileira de Estupradores convocou uma reunião extraordinária para os sócios desse grêmio poderem aplaudir de pé, entusiasticamente, o doutor Paulo Salim Maluf, defensor dessa nova e revolucionária prática sexual, chamada "Estupra, mas não mata". Convém dizer: o “Maniaco do Parque”, o Francisco de Assis Pereira, tentou acatar o conselho do doutor Maluf, porém ele não se dominava na hora "H" e acabou estuprando e matando dezenas de moças nas clareiras do Parque do Estado, uma das maiores áreas verdes da cidade de São Paulo. Francisco, menino mau, por que você não se limitou a estuprar as moças, seguindo o excelente conselho do doutor Maluf, por quê?
Em 1995, o doutor Maluf confessou:
-Me orgulho muito dos povos árabes, mas sou de origem libanesa.
Ora, eu pergunto, e o Líbano não é um país árabe? É tão árabe que 75 por cento da sua população é muçulmana. Basta salientar: em 1945 o Líbano ingressou na Liga Árabe. Eis os nomes árabes de localidades do país dos cedros: Al Laban, Batrum, Bent Jbail, Dayr al Qamar, El Khiyam, Qurnat al-Hamrã, etc, etc.
Bem, e qual é a minha firme conclusão? A minha firme conclusão é simples: de fato o poder em nosso país muitas vezes burrifica, imbeciliza. Os miolos de certos fulanos que exercem o poder se desconjuntam e ficam soltos, boiando nas suas cabeças. Eles passam a ter os cérebros em compotas. Devido a esta metamorfose, começam a defecar pela boca.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

VIVA A ALEGRIA!

Numa época em que tanta gente morre em consequência de desastres, epidemias, guerras e mil outras calamidades, digam-me se não é uma ventura morrer de alegria, simplesmente. Pois isto aconteceu, conforme os jornais noticiaram, à senhora Becker, de Essen, na Alemanha. Em 1939, ela contava sessenta anos e era mãe de onze filhos, sendo também bisavó. Nesta idade sofreu um ataque de catarata, ficando cega. Os médicos, temendo complicações, não quiseram operá-Ia. Há pouco tempo, com setenta e oito anos, a senhora Becker submeteu-se a uma operação cirúrgica, coroada de êxito. A alegria de conseguir ver, por fim, seus vinte e nove netos, dezessete bisnetos e nove trinetos, foi tal, tão excessiva, que ela não resistiu: morreu de emoção.
Se todos os seres pudessem se despedir da vida assim, no auge da felicidade! Morrer sorrindo, eufórico, deve ser uma volúpia. Um belo epílogo reconcilia o homem com a existência, por mais ingrata e adversa que esta tenha sido. O lamentável é que Santo Agostinho sentenciou:
"Acabamos sempre humilhados pela vida".
Eis uma dolorosa verdade. Ao percorrermos as biografias dos homens célebres, o nosso coração se sente confrangido. Com uma e outra rara exceção, quase todos sucumbiram tragicamente: Cícero degolado, Menandro afogado no Pireu, Eurípides despedaçado por uma matilha de cães, Sócrates envenenado, Abimeleque triturado pela mó de um moinho, Sansão esmagado sob as ruínas de um templo, Pirro caiu numa rua de Argos, vítima de pesada telha que lhe foi atirada à cabeça por uma mulher do povo.
Santo Deus! - exclamará o leitor - então não existiu ninguém importante no mundo que morresse em paz, num clima benigno? É claro que houve. Mas são tão poucos! Uma das mortes mais poéticas que conhecemos é a do pintor Rafael. Esse artista possuía uma fisionomia seráfica. Nele tudo era suave: o olhar, o perfil, a voz, os gestos. Foi, como Fra Angélico, um santo da arte. Viveu só para ela, cercado por um séquito de admiradores e discípulos. Expirou mansamente no seu atelier, no meio dos seus quadros, dos inúmeros amigos, enquanto a tarde, tranquila como o rosto de suas madonas, enlanguescia numa auréola de matizes opalescentes.
Talvez se o homem não temesse tanto a morte, a vida seria mais calma, aprazível. Esta certeza absoluta do nosso perecimento físico nos deixa sempre inquietos, sobressaltados. Estamos atentos, todos os minutos, na defesa da nossa carcaça. "O receio da morte é pior que a própria morte", afirmou Públio Ciro nas Sentenças.
De Thou, no cadafalso, contemplando o cadáver palpitante do seu companheiro Cinq-Mars, e percebendo que o carrasco se preparava para executá-Io, voltou-se para a multidão e disse:
-Sou homem, temo a morte, e o corpo desse amigo, estendido a meus pés, me perturba. Peço, por caridade, que me ocultem os olhos. Qual dos senhores poderia ceder-me um lenço?
A senhora Becker não foi a única criatura que pôde morrer de alegria. Quilon, um dos sete sábios da Grécia, tombou trespassado de contentamento ao beijar seu filho, um dos vencedores dos Jogos Olímpicos. Anacreonte expirou num festim, ébrio, soltando gargalhadas. O poeta Filemon pereceu de ataque de riso, ao ver que um burrico, aproximando-se de uma mesa, devorava os figos bons e atirava fora os podres. Aretino também sucumbiu de tanto rir. Sófocles, em virtude do sucesso alcançado por uma de suas peças. Natale Constantine, célebre cantor italiano, quando soube que Verdi havia escrito uma parte especial para ele, na ópera Atila. Calchas, adivinho grego, ao comentar, exultante, com alguns amigos, o fato de se ter vencido o dia da sua morte, por ele mesmo anunciada num dos seus vaticínios.
Morrer de alegria é bem melhor do que passar deste mundo para o outro sem ser afogado, como o Duque de Clarença, num tonel de malvasia, ou sem ser, como Brunilde, filha de Atanagildo, rei dos visigodos, arrastada pela cauda de um cavalo xucro.
É preferível extinguir-se feliz, satisfeito, pois é um privilégio assaz raro, que não tiveram homens do porte de um Dante, falecido no desterro, de um Lavoisier, cuja cabeça foi decepada pela guilhotina. É bem melhor, em vez de chorar, de se desesperar, crer na sobrevivência da alma, ser superior, sorrir da morte. Dirão: é muito fácil dar conselhos... Mas afirmo que não é difícil também segui-Ios. O cínico Alphonse Karr dizia que emitir conselhos distrai bastante aquele que os distribui e não obriga à nada aquele que os recebe. Em todo o caso, ouvindo as recomendações de vozes sobrenaturais, Joana d' Arc salvou a França e o estouvado D. Pedro I, não fazendo ouvidos de mercador às sensatas palavras proferidas pelo seu pai, proclamou a independência do Brasil... As nossas exortações de resignação cristã ante o irremediável não terão eficácia se o leitor tiver a mentalidade do arqueólogo italiano Giacomo Boni, o qual explicava desta maneira o segredo de suas vitórias nas escavações que fazia:
-É muito simples. Recolho os informes do monumento ou do objeto procurado. E onde os tratados dizem que não deve existir coisa alguma, mando cavar e sempre encontro qualquer coisa...
Se tudo vai mal, se nada nos entremostra uma perspectiva risonha, se até os amigos, nos momentos infaustos, afastam-se do nosso convívio, não fiquemos desesperados nem lamuriosos. O Altíssimo, para nos consolar, ofereceu-nos o riso, esse broquel de ouro que protege a nossa alma dos vilipêndios da adversidade.
O ríspido Licurgo levantou na Lacedemonia uma estátua ao riso, tão necessário, afirmava, para mitigar o trabalho, as amarguras da vida, a dureza das regras que ele prescrevia.
Saibamos viver bem humorados, pois assim, no instante fatal, não será difícil contemplar a incomplacente ceifeira de olhos frios.
Instrui a Bíblia, nos Provérbios, que o "coração alegre constitui bom remédio, mas um espírito abatido seca os ossos."
Exaltemos, nesta época insípida e utilitarista, a Alegria, essa jucunda fada Viviana que transmuda, com o leve toque da sua varinha de cristal, cravejada de safiras, a capciosa víbora do pessimismo em cambiante colar de turmalinas, o lodo viscoso e infecto do Aqueronte em ametistas de tons rubentes, nas quais Merlin, o Mago, reteve cativas algumas gotas nevadas caídas do seio de uma sílfide.
Quando tudo nos parecer desfavorável, nas horas longas de tédio e desalento, quando estivermos despojados de todas fantasias da Ilusão, sem um vintém de Fé, sedentos de Ideal, voltemos nosso olhar fosco para ela, a rósea e radiante Alegria, deusa ornada pelas flores vermelhas e cetinosas do amaranto, imperatriz da azul Bizâncio dos meus sonhos, cujas almenaras, ostentando cúpulas douradas de faiança, são braços suplicantes de pedra, erguendo, às amplidões estelares, minhas ansiosas e esperançosas preces!
Quis me expressar assim, com esta linguagem ultra-poética. E se estou sendo ridículo, anacrônico, paciência...