Diogo Mainardi, no seu insosso texto “Edna entendeu tudo”, publicado na “Veja” de 15 de julho de 2009, garante que o Chico Buarque é uma fraude. O Dioguinho endossa a opinião da péssima romancista irlandesa Edna O’Brien, autora de obras soporíferas, uma das participantes da Flip, da festa literária de Paraty, na qual escritores movidos a cachaça, nacionais e estrangeiros, vagam no porre pelas ruelas da cidadezinha sem rede de esgoto, mijando e defecando. No decorrer dessa festa mais etílica que literária, o fedor da urina e do cocô se torna insuportável, asfixiante.
O Dioguinho Maisnada, aliás, Mainardi, esculhambou também um escritor de talento, Milton Hatoum. Todavia, eu pergunto: quem é Dioguinho Maisnada, aliás Mainardi, para condenar a literatura do Chico e do Milton? Respondo: ele é apenas o Dioguinho Maluquinho da “Veja”, sem a graça do Menino Maluquinho do Ziraldo.
Por que esse apedeuta meteu o pau nos dois? Explica-se, o desvairado colunista, - energúmeno-mor da imprensa brasileira, - é um invejoso crônico, incurável. Não se conforma com o sucesso literário alheio. Deve ter sofrido um forte ataque de invejeite aguda, ao saber que o livro “Leite derramado”, Best-seller de Chico Buarque, vai ser lançado na Itália pela editora Feltrinelli. Estava certo Pierre Corneille (1606-1684), o criador da tragédia francesa, quando colocou estas palavras na cena segunda do ato V da sua peça “Suréna”:
“Nunca um invejoso perdoa o mérito”.
(“Jamais un envieux ne pardonne au mérite”)
Há anos leio as cretinices, os disparates, os insultos, as cacaborradas, os gravibundos erros de sintaxe do hidrófobo Dioguinho Maisnada. E fico espantado, pois a revista “veja” é excelente, assemelha-se a uma bela e confortável casa, onde seus leitores se sentem à vontade. Mas eu pergunto: qual é a casa, por mais moderna que seja, que não tem a sua latrina?
Vejamos se o Dioguinho sabe escrever, se revela cultura para execrar os livros do Chico Buarque e do Milton Hatoum.
Erro de português do Dioguinho no texto “Vamos soltar os bandidos”:
“A gente é menos primário” (“Veja”,4-5-2005).
Correção: “A gente é menos primária”, pois gente, aqui, é substantivo feminino.
Erro de português do Dioguinho no texto “Sai, Lula, sai”:
“Sai, Lula, sai. Sai rápido daí” (“Veja”, 13-7-)
Correção: “Saia, Lula, saia. Saia rápido daí.” O indouto Dioguinho, sempre apressadinho, não percebeu que sai é a terceira pessoa do presente do indicativo do verbo sair. É um conselho dele e não a descrição de uma saída no tempo presente.
Erro de português do Dioguinho no texto “O resumo da ópera”:
“O resultado foram a perda de controle do Congresso e a eleição de Severino Cavalcanti” (“Veja”, 7-9-2005).
Correção: “Os resultados foram...” Erro berrante, tão tonitruante como a peidorrada de um porco-do-mato peidorreiro.
Erro de português do Dioguinho no texto “Para entender o caso Nahas”:
“O governo rachou ao meio”.
Correção: “O governo rachou-se ao meio”. Aí o verbo rachar é pronominal. Foi o governo que se rachou, ele não rachou outra coisa.
Erro de português do Dioguinho no texto “Atear fogo no PSDB?”
“Do Canadá, onde foi passar férias, telefonava a José Serra, para garantir-lhe seu apoio”... (“Veja”, 22-3-2006).
Correção: “...para lhe garantir seu apoio...” A preposição para atrai o pronome, como nesta passagem do canto IV do poema “Os Lusíadas” de Camões:
“Já para se entregar quase rendidos
a fortuna das forças africanas”.
Ou como na seguinte frase de um sermão do padre Antônio Vieira:
“Por isso não teve ocasião para o estimar, nem boca para o aplaudir, nem olhos para o ver”.
Erro de português do Dioguinho no texto “Ginecomastia, sanfoneiros, pobres”:
“Nos últimos quatro anos, Lula enriqueceu” (“Veja”, 23-8-2006).
Correção: “...Lula se enriqueceu”. O verbo, aí, é pronominal. Dioguinho Maisnada, aliás Mainardi, quis dizer que Lula ficou rico e não que ele enriqueceu outra pessoa...
Erro de portugues do Dioguinho no texto “O mensalão das artes”:
“A Petrobras é o maior patrocinador cultural do Brasil” (“Veja”, 30-8-2006).
Correção: “A Petrobras”, é a maior patrocinadora”. Se fosse “O Petrobras”, vá lá. Dioguinho Dioguinho, menininho malvadinho e ignorantesinho!
Erro de português do Dioguinho no texto “A voz do PT”:
“Devolve o dinheiro aí, José Dirceu” (“Veja”, 6-9-2006).
Correção: “Devolva o dinheiro aí, José Dirceu”. O Dioguinho está dando um conselho. Portanto, salta à vista, o correto é devolva. Ele não conhece de modo seguro os três tempos fundamentais do verbo: presente, passado e futuro.
Erros de português do Dioguinho no texto “A imprensa lubrificada”:
“Quando ‘IstoÉ’ publicou a entrevista com o chefe dos sanguessugas... Agora a CPI dos sanguessugas... Para combinar a entrevista com o chefe dos sanguessugas... Um dos articuladores da entrevista com o chefe dos sanguessugas” (“Veja”, 29-11-2006)
Correção: quatro vezes o Dioguinho provou que não sabe que o substantivo sanguessuga é feminino, pois devemos dizer a sanguessuga e não o sanguessuga. Todos os bons dicionários da língua portuguesa ensinam isto, como o do Cândido de Figueiredo, o do Caldas Aulete, o do Laudelino Freire, o do Antenor Nascentes, o do Silveira Bueno, o do Aurélio, o do Antônio de Moraes Silva.
Agora, amigo leitor, diga-me se o Dioguinho Maisnada, aliás, Mainardi, tem capacidade para criticar os livros do Chico Buarque e do Milton Hatoum. Tem? Se ele tem, a ignorância no Brasil atual vale muito mais do que a cultura e a inteligência. E notem, eu não mostrei os intermináveis erros de português dos livrecos do Dioguinho. Isto fica para outra ocasião.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Brasileiro: pare de ser macaco do americano!
Não sou inimigo de nenhum povo e de nenhum país e sim dos governos de certas nações. Um amigo dotado de bela cultura, jornalista de “O Estado de S.Paulo”, que me viu ser entrevistado no programa “Provocações”, do Antônio Abujamra, da TV Cultura, e que leu a entrevista que concedi ao colega Gilberto Amendola do “Jornal da Tarde”, publicada na edição do dia 8 de julho de 2009 desse periódico, o referido amigo chegou a esta conclusão:
-Fernando Jorge, você é um anarquista, um fiel seguidor do italiano Enrico Malatesta e do russo Mikhail Aleksandrovitch Bakunin.
Não posso negar: sempre tive uma entusiástica admiração pelos anarquistas. Desde jovem eu lia e aplaudia os textos do inglês William Godwin (1756-1836), paladino da tese de que o homem pode tornar-se perfeito pela educação e pela razão, e se conseguir criar uma sociedade livre de qualquer coercitivo governo autoritário. Sonho utópico, irrealizável? Depois mergulhei na leitura das obras de Bakunin (“Deus e o Estado”, “O catecismo revolucionário”, “Os princípios da revolução”), cuja escola se opunha vigorosamente ao socialismo ditatorial de Karl Marx e defendia uma espontânea ação revolucionária, com o objetivo de destruir o “desumano capitalismo” da época moderna. Confesso também li e reli, e até adorei, o livro “A doutrina anarquista ao alcance de todos”, do professor José Oiticica (1882-1957), um homem puro, honrado, profundo conhecedor do nosso idioma, tão conhecedor que lecionou Filologia Portuguesa na Universidade de Hamburgo.
Diversas vezes perguntei a mim mesmo: sou ou não sou um anarquista? Bem, se ser anarquista é rebelar-se contra a macaqueação do brasileiro diante do americano, contra a sua mania de querer falar bem o inglês e mal o português, então de fato eu sou um fanático adepto de Peter Alexievitch Kropotkin (1842-1921), autor, entre outros livros, das “Palavras de um revoltado” e de “A conquista do pão”, lidos e relidos por mim, o primeiro publicado em 1885, e o segundo em 1892.
Repito, não sou inimigo de nenhum povo e de nenhum país, mas não aceito, não me conformo, esculhambo, meto o porrete nessa paranóia de milhões de brasileiros se obstinarem em serem macacos dos americanos. Isto para mim é falta de cultura, de caráter, de personalidade, de patriotismo.
Você liga o rádio e só ouve a música cacofônica dos Estados Unidos. Os brasileiros americanizados, ou melhor, americanalhados, metidos a besta, acham que é prova de mau gosto, de atraso, ouvir um tango argentino, uma canção italiana, mexicana ou francesa. Ouvimos mais a ensurdecedora música cacofônica americana do que a nossa, a da Bethânia, da Gal, da Zizi Possi, do Caetano Veloso. E se ligarmos a televisão, é só filme americano de quinta ou oitava categoria, exibindo cretinices, assassinatos, barbaridades. Filmes para os criminosos se sentirem estimulados a assaltar, a estrangular, a fuzilar, a cortar cabeças.
O brasileiro é tão macaco do americano, tão complexado, tão sem personalidade, que hoje, em dezenas de lojas comerciais, quando deseja anunciar uma grande liquidação, ele coloca as palavras inglesas off e sale.
Lã no Rio de Janeiro, os jovens da alta classe média copiam nas praias os jogos da americana National Football League. É o Superbowl! É o Touchdown! Eles mal sabem se expressar em português, mas gritam, no decorrer das partidas:
-Field goals! (Gol de campo!)
-Tight-end! (Bloqueio!)
-Safety! (Vale dois pontos!)
-Defensive tackies! (Jogar pelo meio da defesa!)
-Defensive ends! (Defender as pontas!)
-Quaterbaks! (Armação das jogadas de ataque!)
As mocinhas americanizadas do Leblon, de Ipanema, de Copacabana, da Barra da Tijuca, vendo as partidas dos simiescos garotões, vomitam estas palavras, como se estivessem soltando orgasmos:
-Wonderful! (Maravilhoso!)
-Beauty! (Beleza!)
-What a bit of luck! (Que sorte!)
-Gracious goodness!, good gracious! (Ora essa, céus, meu Deus!)
-That makes us square! (Agora estamos quites!)
-Over again! (Outra vez!)
-Well, I’m jiggered! (Por essa eu não esta esperava!)
Entrevistada por uma repórter de televisão, uma das tais mocinhas assim se expressou:
-Prefiro falar o inglês do que o português. Acho tão feia, tão cafona a nossa língua! Take my Word for it. (Dou-lhe a minha palavra). My dream (meu sonho) é conhecer, em New York City, o Music and Dance Booth, no Bryant Park. Take my word for it! (Dou-lhe a minha palavra!)
Ao ver esta fulana na televisão, eu pensei: amanhã, se os Estados Unidos invadirem o Brasil, milhões de jovens como ela vão renegar a sua nacionalidade, trair o seu país, virar americanos ou americanas de carteirinha.
Na pátria do Lula existem idosos americanizados. Rubem Fonseca, nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, no dia 11 de maio de 1925, não parece um escritor brasileiro e sim americano. Os textos dos seus contos e romances se assemelham às narrativas de John Steinbeck, Ernest Hemingway e Jerome David Salinger. Aliás, Rubem imita este último na vida pessoal, usa o estratagema de nunca dar entrevistas, a fim de se mostrar difícil, estranho, singular... É oportuno dizer que esse escritor cem por cento americanizado, estudou administração e comunicação nas universidades de Boston e de Nova York.
João Ubaldo Ribeiro, no artigo “Vergonha da mesóclise” (“O Globo”, 2-6-2009), provou como o fascínio pelo inglês dos americanos está mudando, de forma corrosiva, horrenda, a língua portuguesa falada em nosso país.
Brasileiro, você quer continuar a ser macaco do americano? Peça para ficar numa jaula de um jardim zoológico dos Estados Unidos, a fim de nela pular, guinchar, fazer caretas, empinar o rabo e comer bananas, pipoca e amendoim, em frente dos olhos aparvalhados dos visitantes.
Brasileiro, tenha um pouco de vergonha na cara, pare de ser macaco do americano!
-Fernando Jorge, você é um anarquista, um fiel seguidor do italiano Enrico Malatesta e do russo Mikhail Aleksandrovitch Bakunin.
Não posso negar: sempre tive uma entusiástica admiração pelos anarquistas. Desde jovem eu lia e aplaudia os textos do inglês William Godwin (1756-1836), paladino da tese de que o homem pode tornar-se perfeito pela educação e pela razão, e se conseguir criar uma sociedade livre de qualquer coercitivo governo autoritário. Sonho utópico, irrealizável? Depois mergulhei na leitura das obras de Bakunin (“Deus e o Estado”, “O catecismo revolucionário”, “Os princípios da revolução”), cuja escola se opunha vigorosamente ao socialismo ditatorial de Karl Marx e defendia uma espontânea ação revolucionária, com o objetivo de destruir o “desumano capitalismo” da época moderna. Confesso também li e reli, e até adorei, o livro “A doutrina anarquista ao alcance de todos”, do professor José Oiticica (1882-1957), um homem puro, honrado, profundo conhecedor do nosso idioma, tão conhecedor que lecionou Filologia Portuguesa na Universidade de Hamburgo.
Diversas vezes perguntei a mim mesmo: sou ou não sou um anarquista? Bem, se ser anarquista é rebelar-se contra a macaqueação do brasileiro diante do americano, contra a sua mania de querer falar bem o inglês e mal o português, então de fato eu sou um fanático adepto de Peter Alexievitch Kropotkin (1842-1921), autor, entre outros livros, das “Palavras de um revoltado” e de “A conquista do pão”, lidos e relidos por mim, o primeiro publicado em 1885, e o segundo em 1892.
Repito, não sou inimigo de nenhum povo e de nenhum país, mas não aceito, não me conformo, esculhambo, meto o porrete nessa paranóia de milhões de brasileiros se obstinarem em serem macacos dos americanos. Isto para mim é falta de cultura, de caráter, de personalidade, de patriotismo.
Você liga o rádio e só ouve a música cacofônica dos Estados Unidos. Os brasileiros americanizados, ou melhor, americanalhados, metidos a besta, acham que é prova de mau gosto, de atraso, ouvir um tango argentino, uma canção italiana, mexicana ou francesa. Ouvimos mais a ensurdecedora música cacofônica americana do que a nossa, a da Bethânia, da Gal, da Zizi Possi, do Caetano Veloso. E se ligarmos a televisão, é só filme americano de quinta ou oitava categoria, exibindo cretinices, assassinatos, barbaridades. Filmes para os criminosos se sentirem estimulados a assaltar, a estrangular, a fuzilar, a cortar cabeças.
O brasileiro é tão macaco do americano, tão complexado, tão sem personalidade, que hoje, em dezenas de lojas comerciais, quando deseja anunciar uma grande liquidação, ele coloca as palavras inglesas off e sale.
Lã no Rio de Janeiro, os jovens da alta classe média copiam nas praias os jogos da americana National Football League. É o Superbowl! É o Touchdown! Eles mal sabem se expressar em português, mas gritam, no decorrer das partidas:
-Field goals! (Gol de campo!)
-Tight-end! (Bloqueio!)
-Safety! (Vale dois pontos!)
-Defensive tackies! (Jogar pelo meio da defesa!)
-Defensive ends! (Defender as pontas!)
-Quaterbaks! (Armação das jogadas de ataque!)
As mocinhas americanizadas do Leblon, de Ipanema, de Copacabana, da Barra da Tijuca, vendo as partidas dos simiescos garotões, vomitam estas palavras, como se estivessem soltando orgasmos:
-Wonderful! (Maravilhoso!)
-Beauty! (Beleza!)
-What a bit of luck! (Que sorte!)
-Gracious goodness!, good gracious! (Ora essa, céus, meu Deus!)
-That makes us square! (Agora estamos quites!)
-Over again! (Outra vez!)
-Well, I’m jiggered! (Por essa eu não esta esperava!)
Entrevistada por uma repórter de televisão, uma das tais mocinhas assim se expressou:
-Prefiro falar o inglês do que o português. Acho tão feia, tão cafona a nossa língua! Take my Word for it. (Dou-lhe a minha palavra). My dream (meu sonho) é conhecer, em New York City, o Music and Dance Booth, no Bryant Park. Take my word for it! (Dou-lhe a minha palavra!)
Ao ver esta fulana na televisão, eu pensei: amanhã, se os Estados Unidos invadirem o Brasil, milhões de jovens como ela vão renegar a sua nacionalidade, trair o seu país, virar americanos ou americanas de carteirinha.
Na pátria do Lula existem idosos americanizados. Rubem Fonseca, nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, no dia 11 de maio de 1925, não parece um escritor brasileiro e sim americano. Os textos dos seus contos e romances se assemelham às narrativas de John Steinbeck, Ernest Hemingway e Jerome David Salinger. Aliás, Rubem imita este último na vida pessoal, usa o estratagema de nunca dar entrevistas, a fim de se mostrar difícil, estranho, singular... É oportuno dizer que esse escritor cem por cento americanizado, estudou administração e comunicação nas universidades de Boston e de Nova York.
João Ubaldo Ribeiro, no artigo “Vergonha da mesóclise” (“O Globo”, 2-6-2009), provou como o fascínio pelo inglês dos americanos está mudando, de forma corrosiva, horrenda, a língua portuguesa falada em nosso país.
Brasileiro, você quer continuar a ser macaco do americano? Peça para ficar numa jaula de um jardim zoológico dos Estados Unidos, a fim de nela pular, guinchar, fazer caretas, empinar o rabo e comer bananas, pipoca e amendoim, em frente dos olhos aparvalhados dos visitantes.
Brasileiro, tenha um pouco de vergonha na cara, pare de ser macaco do americano!
Palavras para a minha esposa morta
Querida Artemisia, durante um ano, vendo o seu grande sofrimento, quantas vezes eu chorei às escondidas! Quantas vezes os seus olhos se encheram de lágrimas ao me olhar! Quantas vezes você beijou a minha mão, sussurrando:
-Você é o meu amor, a paixão da minha vida!
Querida, você era como uma flor humilde do campo, florzinha modesta, orvalhada, porém tão bela na sua despretensão, na sua singeleza, como a mais perfumada e a mais esplêndida das rosas!
A nossa união durou cinquenta anos. Não foi apenas um amor puro, sincero, o que já é muito, mas também amizade inabalável, compreensão total, solidariedade nas horas difíceis e de dor. O seu coração pulsava junto do meu e o meu junto do seu. Era como se dois corações tivessem se transformado num só.
Quem me devolverá o seu amor, a sua amizade, a sua lealdade, a sua compreensão, a sua mãozinha beijando a minha mão? Creio que Deus me devolverá tudo isto, um dia ou em breve...
O amor eterno é aquele que é despercebido, que parece só amizade, que sereno atravessa o tempo. Ele é silencioso e cria raízes profundas na alma. E quando a Morte inexorável chega, ela dá a impressão de arrancar brutalmente este amor de nós. Mas não, a Morte não consegue destrui-lo. Pelo contrário, a Morte o aviva ainda mais, embora nos cause uma dor indescritível.
Obrigado, querida, por me acompanhar nos momentos mais amargos da minha vida, quando eu chorei por causa da perda dos meus irmãos, dos meus pais, dos meus amigos.
Obrigado, querida, por ter me tratado tão bem nos dias em que estive enfermo. Sua voz, seu olhar, seus cuidados, seu carinho, me curavam mais do que os remédios.
Obrigado, querida, pelas horas de alegria que você me deu, pela sensação de felicidade, vinda exclusivamente de você.
Obrigado, querida, pela sua permanente dedicação ao lar, no qual nunca faltou a ordem, o asseio, o alimento, o amor.
Obrigado, querida, pelos momentos em que você pacificou o meu coração, após este ter sido ferido pelas inevitáveis ingratidões humanas.
Obrigado, querida, pela oferta de duas jóias: os nossos dois filhos.
Querida, espero que Deus me permita reencontrá-la. Se este encontro não for na sua Mansão Celeste, sonorizada por sinos de ouro, que seja pelo menos em qualquer lugar do mundo espiritual.
Querida, querida Artemísia, único amor da minha vida, você era a minha própria vida!
Querida! Querida! Querida! Querida! Lancei tudo isto aqui para que Deus leia e mostre estas palavras a você. É a confissão, por escrito, do meu amor pela minha insubstituível amada.
-Você é o meu amor, a paixão da minha vida!
Querida, você era como uma flor humilde do campo, florzinha modesta, orvalhada, porém tão bela na sua despretensão, na sua singeleza, como a mais perfumada e a mais esplêndida das rosas!
A nossa união durou cinquenta anos. Não foi apenas um amor puro, sincero, o que já é muito, mas também amizade inabalável, compreensão total, solidariedade nas horas difíceis e de dor. O seu coração pulsava junto do meu e o meu junto do seu. Era como se dois corações tivessem se transformado num só.
Quem me devolverá o seu amor, a sua amizade, a sua lealdade, a sua compreensão, a sua mãozinha beijando a minha mão? Creio que Deus me devolverá tudo isto, um dia ou em breve...
O amor eterno é aquele que é despercebido, que parece só amizade, que sereno atravessa o tempo. Ele é silencioso e cria raízes profundas na alma. E quando a Morte inexorável chega, ela dá a impressão de arrancar brutalmente este amor de nós. Mas não, a Morte não consegue destrui-lo. Pelo contrário, a Morte o aviva ainda mais, embora nos cause uma dor indescritível.
Obrigado, querida, por me acompanhar nos momentos mais amargos da minha vida, quando eu chorei por causa da perda dos meus irmãos, dos meus pais, dos meus amigos.
Obrigado, querida, por ter me tratado tão bem nos dias em que estive enfermo. Sua voz, seu olhar, seus cuidados, seu carinho, me curavam mais do que os remédios.
Obrigado, querida, pelas horas de alegria que você me deu, pela sensação de felicidade, vinda exclusivamente de você.
Obrigado, querida, pela sua permanente dedicação ao lar, no qual nunca faltou a ordem, o asseio, o alimento, o amor.
Obrigado, querida, pelos momentos em que você pacificou o meu coração, após este ter sido ferido pelas inevitáveis ingratidões humanas.
Obrigado, querida, pela oferta de duas jóias: os nossos dois filhos.
Querida, espero que Deus me permita reencontrá-la. Se este encontro não for na sua Mansão Celeste, sonorizada por sinos de ouro, que seja pelo menos em qualquer lugar do mundo espiritual.
Querida, querida Artemísia, único amor da minha vida, você era a minha própria vida!
Querida! Querida! Querida! Querida! Lancei tudo isto aqui para que Deus leia e mostre estas palavras a você. É a confissão, por escrito, do meu amor pela minha insubstituível amada.
terça-feira, 23 de junho de 2009
A MULHER, NO FUTURO, FICARÁ CARECA?
Tenho um amigo que se lamenta e se desespera porque está perdendo os pêlos do crânio. Cada manhã, ao passar o pente, este lhe arranca um punhado de cabelos, com raiz e tudo. Já experimentou uma grande quantidade de remédios. De nada valeu. Passou, então, a empregar o óleo de rícino, a gema de ovo, o azeite, e até, pasme o amigo leitor, matérias mal cheirosas... Esforço inútil, sua cabeça continua a ser devastada, à semelhança de uma floresta que não resiste à fúria do vendaval. No começo eu costumava lhe perguntar:
-Como é, os cabelos ainda estão caindo?
Ele fazia uma cara tão aborrecida que eu ficava com pena, não me atrevendo a articular nenhuma frase de consolo. Agora me calo... Porém vejo que o meu amigo se encontra cada vez mais calvo. O que lhe falta, sem dúvida, é resignação, espírito esportivo. Julga a calvície uma calamidade, olvidando que diversos indivíduos a temem por causa desse espantalho horrendo, denominado convencionalismo.
O homem é que inventa, inchado de vaidade, os seus figurinos estéticos. Se fosse hábito rotineiro toda gente andar de crânio à mostra, ninguém ficaria triste, deprimido.
Entre os caldeus, a plebe usava a cabeça completamente raspada. O mesmo acontecia com os assírios e babilônios. No velho Egito, o povo e os escravos tinham costume semelhante. Apenas a aristocracia enfeitava a caixa craniana com suntuosas cabeleiras postiças, das quais restam alguns exemplares nas coleções arqueológicas.
Mas tudo isso é relativo. Variam os cânones de beleza. Há quem se extasie diante de um quadro cubista e sinta náuseas contemplando uma paisagem de Corot.
O bípede implume de Platão é o ser mutável por excelência. Daqui a uns cem ou duzentos anos, derrubará talvez quase todos os padrões consagrados. Muita coisa que hoje é feia, ridícula, amanhã possivelmente será bela e graciosa.
Informa Tom Antongini que ao contrário de Júlio César e de Domiciano, o poeta e escritor Gabriele D’Annunzio nunca se queixou da sua calvície. Certo dia ele chegou mesmo a responder a uma dama impertinente, que lhe indagara a opinião a esse respeito:
-Minha senhora, a beleza futura será calva.
Os poetas às vezes se tornam videntes. D’Annunzio fez esta declaração antes dos prognósticos efetuados pelos cientistas contemporâneos, os quais asseguram que nos séculos vindouros a mulher ostentará uma cabeça lisa, pelada e brilhante. Na hipótese de que esta previsão se concretize, a célebre sentença de Schopenhauer sobre a mulher pode ficar desprovida de sentido, pois ela não será mais “um animal de inteligência curta e cabelos compridos”. Aliás, ela nunca foi burra ou pouco inteligente. Burros e pouco inteligentes são os homens que não conseguem compreendê-la.
Afrânio Peixoto, no seu livro Trovas Brasileiras, publicado em 1944 pela Companhia Editoria Nacional, divulgou esta quadra:
Esse teu cabelo louro
É que me faz confusão;
Nas tranças deste cabelo
Perdeu-se o meu coração.
-Como é, os cabelos ainda estão caindo?
Ele fazia uma cara tão aborrecida que eu ficava com pena, não me atrevendo a articular nenhuma frase de consolo. Agora me calo... Porém vejo que o meu amigo se encontra cada vez mais calvo. O que lhe falta, sem dúvida, é resignação, espírito esportivo. Julga a calvície uma calamidade, olvidando que diversos indivíduos a temem por causa desse espantalho horrendo, denominado convencionalismo.
O homem é que inventa, inchado de vaidade, os seus figurinos estéticos. Se fosse hábito rotineiro toda gente andar de crânio à mostra, ninguém ficaria triste, deprimido.
Entre os caldeus, a plebe usava a cabeça completamente raspada. O mesmo acontecia com os assírios e babilônios. No velho Egito, o povo e os escravos tinham costume semelhante. Apenas a aristocracia enfeitava a caixa craniana com suntuosas cabeleiras postiças, das quais restam alguns exemplares nas coleções arqueológicas.
Mas tudo isso é relativo. Variam os cânones de beleza. Há quem se extasie diante de um quadro cubista e sinta náuseas contemplando uma paisagem de Corot.
O bípede implume de Platão é o ser mutável por excelência. Daqui a uns cem ou duzentos anos, derrubará talvez quase todos os padrões consagrados. Muita coisa que hoje é feia, ridícula, amanhã possivelmente será bela e graciosa.
Informa Tom Antongini que ao contrário de Júlio César e de Domiciano, o poeta e escritor Gabriele D’Annunzio nunca se queixou da sua calvície. Certo dia ele chegou mesmo a responder a uma dama impertinente, que lhe indagara a opinião a esse respeito:
-Minha senhora, a beleza futura será calva.
Os poetas às vezes se tornam videntes. D’Annunzio fez esta declaração antes dos prognósticos efetuados pelos cientistas contemporâneos, os quais asseguram que nos séculos vindouros a mulher ostentará uma cabeça lisa, pelada e brilhante. Na hipótese de que esta previsão se concretize, a célebre sentença de Schopenhauer sobre a mulher pode ficar desprovida de sentido, pois ela não será mais “um animal de inteligência curta e cabelos compridos”. Aliás, ela nunca foi burra ou pouco inteligente. Burros e pouco inteligentes são os homens que não conseguem compreendê-la.
Afrânio Peixoto, no seu livro Trovas Brasileiras, publicado em 1944 pela Companhia Editoria Nacional, divulgou esta quadra:
Esse teu cabelo louro
É que me faz confusão;
Nas tranças deste cabelo
Perdeu-se o meu coração.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara!
Sim, eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara, coordenador da equipe da ABL que preparou a 5ª edição do “Vocabulário ortográfico da língua portuguesa”, de ser o culpado pela publicação de trinta erros nessa obra. Cleo Guimarães, jornalista de “O Globo”, também informou isto na seção “Gente Boa” do seu jornal, no dia 31 de maio de 2009.
A pressa, o despreparo, o assanhamento, estas três coisas fizeram o Evanildo autorizar logo a publicação do calhamaço de 887 páginas, com 349.737 palavras e expressões. Um livrão bem caro, pois custa quase cem reais. Eu indago: e esta gente que iludida comprou a porcaria ortográfica, não vai receber o seu dinheiro de volta? Ela terá de aceitar os trinta erros, apontados por mim e pela jornalista de “O Globo”?
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara, membro da estéril, inútil e grotesca Academia Brasileira de Letras, de não ter feito um trabalho em conjunto com a Academia de Ciências de Lisboa, na elaboração desse vocabulário coxo: sem consultar o outro grêmio, a ABL se antecipou, revelando que é fascista, nazista, mussolinica, hitleriana.
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara, por haver tomado decisões unilaterais. Quem o autorizou a transformar vagalume e regabofe, sem traços, em vaga-lume e rega-bofe com traços? Quem? A Hebe Camargo? O Ronaldinho? O Kim Jong-il, ditador da Coreia do Norte, com a ameaça de arremessar na Academia Brasileira de Letras uma bomba atômica de 30 quilotons, superior à de 21 quilotons que destruiu a cidade japonesa de Nagasaki, em 1945?
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara de ter agido como o paranoico Heinrich Himmler, chefe da SS na Alemanha nazista, responsável pelo extermínio de milhões de judeus, porque ele, o funesto Evanildo, sem consultar a Academia de Ciências de Lisboa, desprezando-a, agiu como um Himmler da língua portuguesa, impôs de modo arbitrário, sem nenhum motivo justo, o desaparecimento do hífen nas expressões a-toa, auto-escola, extra-oficial, dia-a-dia, fim-de-semana, infra-estrutura, neo-expressionismo, semi-árido.
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara de “normatizar” o que não era necessário, como por exemplo colocar o hífen em ziguezague (zigue-zague), em zunzum (zum-zum), em lengalenga (lenga-lenga), palavras que não exigem pausas, intervalos, pois a rigor são onomatopaicas, imitam ou sugerem determinados sons ou ruídos, como as onomatopeias verbais e etimológicas assoviar, chimpar, bambolear, bebericar, escarrar, espocar, gorgear, gargalhar, murmurar, rasgar, retumbar, ribombar, silvar, sussurrar, trombetear, zurrar.
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara de derreter as cacholas dos falantes com as suas esdruxularias (extravagâncias). Os dogmas dele, tão errados como o português do Paulo Coelho, tornam dificílima a aglutinação dos vocábulos compostos. Evanildo complica tudo. À semelhança de Reinhard Heydrich, o comandante das SS na “noite das longas facas”, Bechara ordenou nazistamente que o hífen só deve aparecer, nas palavras compostas, quando estas apresentarem “unidade sintagmática e semântica”. E valendo-se de tal linguagem nauseabunda, capaz de impressionar os intelectualoides metidos a besta, o babélico Evanildo, mestre na arte de parir imbróglios, abortos linguísticos, estabeleceu o seguinte: é permitido usar o hífen nos “compostos por justaposição que não contêm formas de ligação e cujos elementos possuem natureza nominal, adjetival, numeral e verbal”. Apenas faltou ele dizer: “e também natureza asnal ou fecal”.
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara de estuprar a prosódia dos ditongos nas paroxítonas (vocábulos nos quais o acento tônico cai na penúltima sílaba). Por causa do pançudo ditador da ABL, não se acentuam mais, ilogicamente, os ditongos ei e oi de timbre aberto. Agora, devido a esta imbecilidade, jóia é jôia, bóia é bôia, colméia é colmêia, idéia é idêia (coloquei o acento circunflexo de propósito, a fim de mostrar como a nova ortografia destas palavras deve soar nos ouvidos de uma criança que está sendo alfabetizada).
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara de ter imposto, sem consulta prévia a comissões de professores, escritores e jornalistas, uma reforma cretina, desnecessária. O acordo, ou melhor, o desacordo, “é impreciso, ambíguo e anticientífico”. Juízo do professor Gabriel Antunes de Araújo, linguista da Universidade de São Paulo, que afirma num artigo publicado na edição do dia 21 de maio de 2009 do “Jornal do Brasil”:
“Os argumentos dos defensores da anulação do acordo são razoáveis: a reforma não auxiliará no combate ao analfabetismo e nem ajudará o português a se tornar uma língua internacional. Não será a abolição de tremas ou regras de emprego do hífen que tornarão a tarefa de alfabetizar mais simples ou a língua portuguesa mais prestigiada”
E este professor da USP enfatizou:
“A língua inglesa convive com as normas britânica e norte-americana: isso não impediu que se tornasse global e que o analfabetismo, nesses países, fosse praticamente erradicado. Além disso, o acordo carece de embasamento científico e coerência interna”.
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara, por ter redigido um acordo que conforme garantiu o deputado português Vasco Graça Moura, “é um acúmulo de disparates”.
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara de ter criado um caos ortográfico, uma bagunça em nosso idioma, sem respeito à etimologia das palavras.
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara, por ser autor de uma péssima gramática e por não saber escrever. Afinal de contas, ele é um gramaticida... Faltou-lhe competência, portanto, para nos obrigar a engolir o monstruoso feto sifilítico defecado pela sua mioleira. Como ele redige mal, como é pernóstico! Leiam esta passagem do seu teratológico artigo sobre palavras compostas, publicado na edição do dia 22 de fevereiro de O Estado de S.Paulo:
“Além dos princípios gerais o utente tem de conhecer também as exceções, exceções que não são exclusivas da língua...”
Olhem o pernosticismo, o uso do substantivo utente, em vez de usuário. E a repetição do plural exceções, provando como o seu vocabulário é fraquíssimo, gago, vesgo, cambaleante, necessitado urgentemente de muletas, ou melhor, de uma bem mortífera câmara de gás...
A pressa, o despreparo, o assanhamento, estas três coisas fizeram o Evanildo autorizar logo a publicação do calhamaço de 887 páginas, com 349.737 palavras e expressões. Um livrão bem caro, pois custa quase cem reais. Eu indago: e esta gente que iludida comprou a porcaria ortográfica, não vai receber o seu dinheiro de volta? Ela terá de aceitar os trinta erros, apontados por mim e pela jornalista de “O Globo”?
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara, membro da estéril, inútil e grotesca Academia Brasileira de Letras, de não ter feito um trabalho em conjunto com a Academia de Ciências de Lisboa, na elaboração desse vocabulário coxo: sem consultar o outro grêmio, a ABL se antecipou, revelando que é fascista, nazista, mussolinica, hitleriana.
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara, por haver tomado decisões unilaterais. Quem o autorizou a transformar vagalume e regabofe, sem traços, em vaga-lume e rega-bofe com traços? Quem? A Hebe Camargo? O Ronaldinho? O Kim Jong-il, ditador da Coreia do Norte, com a ameaça de arremessar na Academia Brasileira de Letras uma bomba atômica de 30 quilotons, superior à de 21 quilotons que destruiu a cidade japonesa de Nagasaki, em 1945?
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara de ter agido como o paranoico Heinrich Himmler, chefe da SS na Alemanha nazista, responsável pelo extermínio de milhões de judeus, porque ele, o funesto Evanildo, sem consultar a Academia de Ciências de Lisboa, desprezando-a, agiu como um Himmler da língua portuguesa, impôs de modo arbitrário, sem nenhum motivo justo, o desaparecimento do hífen nas expressões a-toa, auto-escola, extra-oficial, dia-a-dia, fim-de-semana, infra-estrutura, neo-expressionismo, semi-árido.
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara de “normatizar” o que não era necessário, como por exemplo colocar o hífen em ziguezague (zigue-zague), em zunzum (zum-zum), em lengalenga (lenga-lenga), palavras que não exigem pausas, intervalos, pois a rigor são onomatopaicas, imitam ou sugerem determinados sons ou ruídos, como as onomatopeias verbais e etimológicas assoviar, chimpar, bambolear, bebericar, escarrar, espocar, gorgear, gargalhar, murmurar, rasgar, retumbar, ribombar, silvar, sussurrar, trombetear, zurrar.
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara de derreter as cacholas dos falantes com as suas esdruxularias (extravagâncias). Os dogmas dele, tão errados como o português do Paulo Coelho, tornam dificílima a aglutinação dos vocábulos compostos. Evanildo complica tudo. À semelhança de Reinhard Heydrich, o comandante das SS na “noite das longas facas”, Bechara ordenou nazistamente que o hífen só deve aparecer, nas palavras compostas, quando estas apresentarem “unidade sintagmática e semântica”. E valendo-se de tal linguagem nauseabunda, capaz de impressionar os intelectualoides metidos a besta, o babélico Evanildo, mestre na arte de parir imbróglios, abortos linguísticos, estabeleceu o seguinte: é permitido usar o hífen nos “compostos por justaposição que não contêm formas de ligação e cujos elementos possuem natureza nominal, adjetival, numeral e verbal”. Apenas faltou ele dizer: “e também natureza asnal ou fecal”.
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara de estuprar a prosódia dos ditongos nas paroxítonas (vocábulos nos quais o acento tônico cai na penúltima sílaba). Por causa do pançudo ditador da ABL, não se acentuam mais, ilogicamente, os ditongos ei e oi de timbre aberto. Agora, devido a esta imbecilidade, jóia é jôia, bóia é bôia, colméia é colmêia, idéia é idêia (coloquei o acento circunflexo de propósito, a fim de mostrar como a nova ortografia destas palavras deve soar nos ouvidos de uma criança que está sendo alfabetizada).
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara de ter imposto, sem consulta prévia a comissões de professores, escritores e jornalistas, uma reforma cretina, desnecessária. O acordo, ou melhor, o desacordo, “é impreciso, ambíguo e anticientífico”. Juízo do professor Gabriel Antunes de Araújo, linguista da Universidade de São Paulo, que afirma num artigo publicado na edição do dia 21 de maio de 2009 do “Jornal do Brasil”:
“Os argumentos dos defensores da anulação do acordo são razoáveis: a reforma não auxiliará no combate ao analfabetismo e nem ajudará o português a se tornar uma língua internacional. Não será a abolição de tremas ou regras de emprego do hífen que tornarão a tarefa de alfabetizar mais simples ou a língua portuguesa mais prestigiada”
E este professor da USP enfatizou:
“A língua inglesa convive com as normas britânica e norte-americana: isso não impediu que se tornasse global e que o analfabetismo, nesses países, fosse praticamente erradicado. Além disso, o acordo carece de embasamento científico e coerência interna”.
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara, por ter redigido um acordo que conforme garantiu o deputado português Vasco Graça Moura, “é um acúmulo de disparates”.
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara de ter criado um caos ortográfico, uma bagunça em nosso idioma, sem respeito à etimologia das palavras.
Eu acuso o gramaticida Evanildo Bechara, por ser autor de uma péssima gramática e por não saber escrever. Afinal de contas, ele é um gramaticida... Faltou-lhe competência, portanto, para nos obrigar a engolir o monstruoso feto sifilítico defecado pela sua mioleira. Como ele redige mal, como é pernóstico! Leiam esta passagem do seu teratológico artigo sobre palavras compostas, publicado na edição do dia 22 de fevereiro de O Estado de S.Paulo:
“Além dos princípios gerais o utente tem de conhecer também as exceções, exceções que não são exclusivas da língua...”
Olhem o pernosticismo, o uso do substantivo utente, em vez de usuário. E a repetição do plural exceções, provando como o seu vocabulário é fraquíssimo, gago, vesgo, cambaleante, necessitado urgentemente de muletas, ou melhor, de uma bem mortífera câmara de gás...
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sexta-feira, 29 de maio de 2009
O erro primário e fatal de Guiomar de Grammont
A historiadora mineira Guiomar de Grammont, no livro Aleijadinho e o aeroplano, lançado pela Civilização Brasileira, afirma que o seu conterrâneo Antônio Francisco Lisboa, conhecido pelo apelido de Aleijadinho, nunca existiu, é uma ficção inventada pelo historiador Rodrigo José Ferreira Bretas.
No entender da desconfiadíssima senhora Grammont, as obras do nosso genial escultor são uma “criação coletiva”. Antes de exibir o seu erro primário e fatal, que destrói completamente a sua afirmativa, vamos apresentar três erros graves que ela cometeu.
Primeiro erro grave da senhora Guiomar de Grammont. Sem nenhuma prova, denegriu a memória de Rodrigo Ferreira Bretas, o primeiro biógrafo do Aleijadinho, pois sustenta que ele o “inventou”. Ora, Bretas era um homem honrado. Conforme informo no meu livro sobre o Aleijadinho, já na sétima edição, ele veio à luz em Cachoeira do Campo, no ano de 1814, e faleceu em 1866. Advogou na localidade de Bonfim do Paraopeba, onde fundou e dirigiu um colégio. De 1852 a 1861, em quatro legislaturas, foi atuante deputado à Assembléia Provincial. Também exerceu o cargo de secretário do governo mineiro e lecionou filosofia em Barbacena. Além de ter sido diretor do Ensino Público de Minas Gerais e sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, ele dirigiu o Colégio de Congonhas do Campo. Alguns dos seus discursos, pronunciados na Assembleia Provincial, foram reunidos num opúsculo, hoje bastante raro. Em 1861, o governo mineiro o designou para representá-lo na instalação da vila de São Paulo de Muriaé, fato que revela como era bem respeitado e gozava de prestígio.
A desconfiadíssima senhora Guiomar, sem nenhuma prova, mostra Rodrigo Bretas como um vigarista, um “especialista em retórica”. Chega ao cúmulo de dizer, também sem nenhuma prova, que ele “inventou” um pai para o Aleijadinho, o arquiteto português Manuel Francisco Lisboa. E ainda sem nenhuma prova, garante que Bretas “incorporou” dados da vida de Miguel Ângelo à vida do Aleijadinho. Mas o historiador mineiro apenas coloca diante de nós algumas semelhanças entre o artista brasileiro e o artista italiano, mais nada...
Segundo erro grave da senhora Guiomar de Grammont. Ela despreza os depoimentos dos viajantes estrangeiros que estiveram em Minas Gerais no século XVIII, como o francês Saint-Hilaire e o inglês Sir Richard Burton, Tais depoimentos provam que o Aleijadinho existiu realmente. Os dois fazem referência à sua deformidade. Aliás, três anos antes da morte do Aleijadinho, o barão Guilherme de Eschwege visitou Minas em 1811 e depois escreveu no seu Journal von Brasilien:
“O principal escultor que aqui se salientou era um homem aleijado, com as mãos paralíticas.”
Terceiro erro grave da senhora Guiomar de Grammont. Não há nenhuma prova de que o Estado Novo de Getúlio Vargas, instituído em 10 de novembro de 1937, criou o “mito Aleijadinho”, para ele adquirir a imagem de “herói nacional”. Este herói já existia: é Tiradentes. A tese da senhora Guiomar é tão ilógica, tão absurda, tão desprovida de fundamento como a da senhora Isolde Helena Brans Venturelli, que em 1979 quis provar, a todo custo, que os doze profetas esculpidos em pedra sabão pelo Aleijadinho, no adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, representam os vultos da Inconfidência Mineira...
E agora o erro mais grave da historiadora Guiomar de Grammont. Erro primário e fatal, repito, e que destrói completamente esta afirmativa: o Aleijadinho nunca existiu. Prezada e desconfiadíssima senhora Guiomar, meu Deus do Céu, como a senhora pôde cometer este erro tão grande, tão impressionante? Se foram vários os artistas que executaram as obras atribuídas a Antônio Francisco Lisboa, como se explica que ao longo de mais de quarenta anos os recibos assinados pelo Aleijadinho apresentam sempre a mesma grafia? A assinatura dele era bem característica. O livro primeiro de Receita e Despesa da Ordem de São Francisco de Assis de Ouro Preto é a prova disso. A conclusão é lógica, se fossem vários os Antônio Francisco Lisboa, as assinaturas seriam diferentes. Basta examinar os recibos descobertos pelos pesquisadores do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. A afirmativa da desconfiadíssima senhora Guiomar, portanto, desmorona, fica reduzida a pó. Ela se esqueceu desse pormenor, que é fundamental, mas logrou convencer, com a sua tese maluca, até um jornalista calejado como o Zuenir Ventura, de O Globo...
Aconselho a desconfiadíssima senhora Guiomar de Grammont a memorizar esta frase do filósofo Francis Bacon (1561-1626), inserida no capítulo 31 de seus Essays:
“Nada induz o homem a desconfiar muito, como saber pouco.”
(“There is nothing makes a man suspect much more than to know little”)
No entender da desconfiadíssima senhora Grammont, as obras do nosso genial escultor são uma “criação coletiva”. Antes de exibir o seu erro primário e fatal, que destrói completamente a sua afirmativa, vamos apresentar três erros graves que ela cometeu.
Primeiro erro grave da senhora Guiomar de Grammont. Sem nenhuma prova, denegriu a memória de Rodrigo Ferreira Bretas, o primeiro biógrafo do Aleijadinho, pois sustenta que ele o “inventou”. Ora, Bretas era um homem honrado. Conforme informo no meu livro sobre o Aleijadinho, já na sétima edição, ele veio à luz em Cachoeira do Campo, no ano de 1814, e faleceu em 1866. Advogou na localidade de Bonfim do Paraopeba, onde fundou e dirigiu um colégio. De 1852 a 1861, em quatro legislaturas, foi atuante deputado à Assembléia Provincial. Também exerceu o cargo de secretário do governo mineiro e lecionou filosofia em Barbacena. Além de ter sido diretor do Ensino Público de Minas Gerais e sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, ele dirigiu o Colégio de Congonhas do Campo. Alguns dos seus discursos, pronunciados na Assembleia Provincial, foram reunidos num opúsculo, hoje bastante raro. Em 1861, o governo mineiro o designou para representá-lo na instalação da vila de São Paulo de Muriaé, fato que revela como era bem respeitado e gozava de prestígio.
A desconfiadíssima senhora Guiomar, sem nenhuma prova, mostra Rodrigo Bretas como um vigarista, um “especialista em retórica”. Chega ao cúmulo de dizer, também sem nenhuma prova, que ele “inventou” um pai para o Aleijadinho, o arquiteto português Manuel Francisco Lisboa. E ainda sem nenhuma prova, garante que Bretas “incorporou” dados da vida de Miguel Ângelo à vida do Aleijadinho. Mas o historiador mineiro apenas coloca diante de nós algumas semelhanças entre o artista brasileiro e o artista italiano, mais nada...
Segundo erro grave da senhora Guiomar de Grammont. Ela despreza os depoimentos dos viajantes estrangeiros que estiveram em Minas Gerais no século XVIII, como o francês Saint-Hilaire e o inglês Sir Richard Burton, Tais depoimentos provam que o Aleijadinho existiu realmente. Os dois fazem referência à sua deformidade. Aliás, três anos antes da morte do Aleijadinho, o barão Guilherme de Eschwege visitou Minas em 1811 e depois escreveu no seu Journal von Brasilien:
“O principal escultor que aqui se salientou era um homem aleijado, com as mãos paralíticas.”
Terceiro erro grave da senhora Guiomar de Grammont. Não há nenhuma prova de que o Estado Novo de Getúlio Vargas, instituído em 10 de novembro de 1937, criou o “mito Aleijadinho”, para ele adquirir a imagem de “herói nacional”. Este herói já existia: é Tiradentes. A tese da senhora Guiomar é tão ilógica, tão absurda, tão desprovida de fundamento como a da senhora Isolde Helena Brans Venturelli, que em 1979 quis provar, a todo custo, que os doze profetas esculpidos em pedra sabão pelo Aleijadinho, no adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, representam os vultos da Inconfidência Mineira...
E agora o erro mais grave da historiadora Guiomar de Grammont. Erro primário e fatal, repito, e que destrói completamente esta afirmativa: o Aleijadinho nunca existiu. Prezada e desconfiadíssima senhora Guiomar, meu Deus do Céu, como a senhora pôde cometer este erro tão grande, tão impressionante? Se foram vários os artistas que executaram as obras atribuídas a Antônio Francisco Lisboa, como se explica que ao longo de mais de quarenta anos os recibos assinados pelo Aleijadinho apresentam sempre a mesma grafia? A assinatura dele era bem característica. O livro primeiro de Receita e Despesa da Ordem de São Francisco de Assis de Ouro Preto é a prova disso. A conclusão é lógica, se fossem vários os Antônio Francisco Lisboa, as assinaturas seriam diferentes. Basta examinar os recibos descobertos pelos pesquisadores do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. A afirmativa da desconfiadíssima senhora Guiomar, portanto, desmorona, fica reduzida a pó. Ela se esqueceu desse pormenor, que é fundamental, mas logrou convencer, com a sua tese maluca, até um jornalista calejado como o Zuenir Ventura, de O Globo...
Aconselho a desconfiadíssima senhora Guiomar de Grammont a memorizar esta frase do filósofo Francis Bacon (1561-1626), inserida no capítulo 31 de seus Essays:
“Nada induz o homem a desconfiar muito, como saber pouco.”
(“There is nothing makes a man suspect much more than to know little”)
domingo, 24 de maio de 2009
Todo o estado do Acre se revolta contra o acordo fascista!
Os acreanos (escrevo assim e não acrianos) se sentem revoltados. Eles não engolem a agressão do Evanildo Bechara e de outros deformadores do nosso idioma (deformadores e não reformadores) que impuseram a mudança da grafia acreano, gentílico do qual tanto se orgulham. Bechara e os demais “gênios” da capenga reforma ortográfica, condenam esta grafia. Para o grupo o certo é acriano. Resultado: o brioso e glorioso Acre está fremindo de indignação. A Assembleia Legislativa desse estado criou um blog, “O Acreano”, a fim de acolher os milhares de protestos contra a desarrazoada medida. E o governador Binho Marques ordenou que a estatal Agência de Notícias deve continuar a usar a grafia acreano. Binho obteve até o apoio da deputada Perpétua de Almeida, do PCdoB. Ela declarou:
“Queremos salvar o jeito acreano de ver o mundo e nos apresentar como um povo consciente de suas verdades, tradições e cultura.”
Viva a revolta dos acreanos! Mostraram que possuem amor-próprio e coragem, que não são capachos de gramaticoides, de apedeutas. Enfim, no Brasil, um povo inteiro se levantou contra o aborto parido pela incompetente comissão da Reforma Ortográfica, na qual pontificou com seu ar de gordanchudo conselheiro Acácio, o sonífero Evanildo Bechara, filólogo idêntico à maconha, porque seus textos e a sua conversa entorpecem, geram a confusão mental. Dou a prova. Leiam esta passagem de um horripilante artigo do Bechara, “O não emprego do hífen”, publicado na edição de 8 de março de 2009 de O Estado de S.Paulo:
“Ainda neste terreno, tínhamos de exigir de quem escrevia saber distinguir um à-toa hifenado, se era locução adjetiva (trata-se de um problema à-toa). Ou ainda um dia-a-dia, locução substantiva com o sentido de ‘cotidiano’ (Meu dia-a-dia é agradável), de dia a dia, locução adverbial, valendo por ‘diariamente’ (A criança cresce dia a dia)”.
Entenderam? O que é isto? Masturbação gramatical? Aqui vai outro exemplo desse onanismo lexicográfico, divulgado no artigo “Distinguindo casos do acordo”, aparecido na edição de 29 de março de 2009 do jornal dos Mesquitas:
“O que ocorre é que o caso de guarda (verbo) não se enquadra no princípio que relaciona a ocorrência do 1º elemento terminado por vogal com a consoante inicial do 2º elemento para o uso do hífen...”
Volto a perguntar: o que é isto? O labirinto de Creta? Um argumento com dor de barriga, prisão de ventre? Ah, já sei, é a esquálida lombriga expelida pelo ânus de um nordestino flagelado por uma seca do Ceará. É o que eu chamo de estilo Tênia, por ser retorcido como um verme intestinal. A cabeça do Evanildo Bechara precisa tomar um purgante.
Em Portugal a rebelião contra o fascista Acordo Ortográfico aumenta cada vez mais. O abaixo-assinado de cem mil pessoas já vai ter meio milhão de assinaturas, e o escritor Vasco Graça Moura atacou de forma violenta a calamitosa reforma feita pela ABL, num artigo publicado no “Diário de Notícias” de Lisboa. Afirma o escritor:
“Tudo isso é uma chuçadeira. Um país que preza verdadeiramente a sua cultura e a sua língua deve sentir e exprimir a mais profunda das vergonhas pelo que está a acontecer. E devia exigir que não seja assim.”
Empregado por Vasco Graça Moura, o substantivo feminino chuçadeira, oriundo do verbo chuçar, significa bom negócio ou caçoada, zombaria, escárneo. De fato esse acordo fascista é um bom negócio. As gráficas vão ganhar muito dinheiro com os milhões de livros que devem ser reimpressos, a fim de obedecerem à nova ortografia. E se trata mesmo de um escárneo, pois os redatores do acordo devem estar rindo dos trouxas que o apoiaram de maneira incondicional, como escravos submissos aceitam receber vigorosas chibatadas nas nádegas.
Membro da circense Academia Brasileira de Letras, o professor Arnaldo Niskier insiste em defender a quadrupedal Reforma Ortográfica, feita mais com patas do que com mãos. Se houvesse um concurso entre muares, essa reforma tiraria o primeiro lugar, seria a mais relinchante das mulas vitoriosas, capaz de dar patadas homéricas, como o coice que a bela mula preta do papa Bonifácio, após esperar sete anos para se vingar, aplicou no traseiro do patife Tistet Védène. Quem narra este episódio é Alphonse Daudet no seu clássico livro “Les lettres de mon moulin” (“As cartas do meu moinho”), publicado em 1866.
Pois é, embora pertença a uma raça heroica, barbaramente perseguida, torturada e assassinada pelos seguidores do monstro Adolf Hitler, o habilidoso Arnaldo Niskier se encarniça na tarefa de louvaminhar a jumental reforma. Niskier, meta na sua cabeça: esta reforma é também nazista! Ela tem a alma do Führer do III Reich, porque o Evanildo Bechara e os seus cúmplices nesse crime linguistico, não ouviram a opinião de comissões de escritores, professores, jornalistas, intelectuais, etc. Obrigaram todos nós a aceitá-la fascistamente, nazistamente. Tal ato de arbítrio levou o editor Jorge Michalany a enviar as seguintes palavras à revista “Agitação”, do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE):
“Até quando os experts da língua portuguesa irão parar de brincar com a gente? Na minha infância e adolescência – estou com 92 anos – seguíamos a lógica da ortografia etimológica, o que facilitava a compreensão do inglês e francês, por sinal, idiomas imutáveis. Mas no Brasil não se respeita a tradição, até na língua”.
Meu caro Michalany, antes a ortografia era de fato etimológica. Hoje é zoológica e do especial agrado dos que zurram, soltam coices e comem capim...
O Desacordo Ortográfico do Evanildo, além de exibir o seu caráter nazi-fascista, é também deficiente mental. Não unifica a língua portuguesa, separa os seus falantes. Tem regras que deviam ser internadas num manicômio, e com camisas-de-força.
Regra louca da debiloide: o trema é eliminado. Lingüiça (com trema) se transforma em linguiça (sem trema), e tranqüilo (também com trema) agora é tranquilo (sem trema). Entretanto os Bechara do Desacordo Ortográfico admitem o trema em nomes próprios estrangeiros e seus derivados. Por quê? Qual é a lógica? Absoluta incoerência! Legítimo atentado à prosódia!
As novas regras sobre o hífen equivalem ao caos, parecem o produto de uma arteriosclerose cerebral, do amolecimento dos miolos de um mijoso e baboso membro da Academia Brasileira de Letras.
Concluindo, saliento que usei neste artigo a grafia escárneo e não escárnio, pelo fato de ser a correta, utilizada por dois grandes escritores da língua portuguesa, Alexandre Herculano e o padre Antônio Vieira. Aqui no Brasil quem a usou foi o excelente gramático João Ribeiro.
“Queremos salvar o jeito acreano de ver o mundo e nos apresentar como um povo consciente de suas verdades, tradições e cultura.”
Viva a revolta dos acreanos! Mostraram que possuem amor-próprio e coragem, que não são capachos de gramaticoides, de apedeutas. Enfim, no Brasil, um povo inteiro se levantou contra o aborto parido pela incompetente comissão da Reforma Ortográfica, na qual pontificou com seu ar de gordanchudo conselheiro Acácio, o sonífero Evanildo Bechara, filólogo idêntico à maconha, porque seus textos e a sua conversa entorpecem, geram a confusão mental. Dou a prova. Leiam esta passagem de um horripilante artigo do Bechara, “O não emprego do hífen”, publicado na edição de 8 de março de 2009 de O Estado de S.Paulo:
“Ainda neste terreno, tínhamos de exigir de quem escrevia saber distinguir um à-toa hifenado, se era locução adjetiva (trata-se de um problema à-toa). Ou ainda um dia-a-dia, locução substantiva com o sentido de ‘cotidiano’ (Meu dia-a-dia é agradável), de dia a dia, locução adverbial, valendo por ‘diariamente’ (A criança cresce dia a dia)”.
Entenderam? O que é isto? Masturbação gramatical? Aqui vai outro exemplo desse onanismo lexicográfico, divulgado no artigo “Distinguindo casos do acordo”, aparecido na edição de 29 de março de 2009 do jornal dos Mesquitas:
“O que ocorre é que o caso de guarda (verbo) não se enquadra no princípio que relaciona a ocorrência do 1º elemento terminado por vogal com a consoante inicial do 2º elemento para o uso do hífen...”
Volto a perguntar: o que é isto? O labirinto de Creta? Um argumento com dor de barriga, prisão de ventre? Ah, já sei, é a esquálida lombriga expelida pelo ânus de um nordestino flagelado por uma seca do Ceará. É o que eu chamo de estilo Tênia, por ser retorcido como um verme intestinal. A cabeça do Evanildo Bechara precisa tomar um purgante.
Em Portugal a rebelião contra o fascista Acordo Ortográfico aumenta cada vez mais. O abaixo-assinado de cem mil pessoas já vai ter meio milhão de assinaturas, e o escritor Vasco Graça Moura atacou de forma violenta a calamitosa reforma feita pela ABL, num artigo publicado no “Diário de Notícias” de Lisboa. Afirma o escritor:
“Tudo isso é uma chuçadeira. Um país que preza verdadeiramente a sua cultura e a sua língua deve sentir e exprimir a mais profunda das vergonhas pelo que está a acontecer. E devia exigir que não seja assim.”
Empregado por Vasco Graça Moura, o substantivo feminino chuçadeira, oriundo do verbo chuçar, significa bom negócio ou caçoada, zombaria, escárneo. De fato esse acordo fascista é um bom negócio. As gráficas vão ganhar muito dinheiro com os milhões de livros que devem ser reimpressos, a fim de obedecerem à nova ortografia. E se trata mesmo de um escárneo, pois os redatores do acordo devem estar rindo dos trouxas que o apoiaram de maneira incondicional, como escravos submissos aceitam receber vigorosas chibatadas nas nádegas.
Membro da circense Academia Brasileira de Letras, o professor Arnaldo Niskier insiste em defender a quadrupedal Reforma Ortográfica, feita mais com patas do que com mãos. Se houvesse um concurso entre muares, essa reforma tiraria o primeiro lugar, seria a mais relinchante das mulas vitoriosas, capaz de dar patadas homéricas, como o coice que a bela mula preta do papa Bonifácio, após esperar sete anos para se vingar, aplicou no traseiro do patife Tistet Védène. Quem narra este episódio é Alphonse Daudet no seu clássico livro “Les lettres de mon moulin” (“As cartas do meu moinho”), publicado em 1866.
Pois é, embora pertença a uma raça heroica, barbaramente perseguida, torturada e assassinada pelos seguidores do monstro Adolf Hitler, o habilidoso Arnaldo Niskier se encarniça na tarefa de louvaminhar a jumental reforma. Niskier, meta na sua cabeça: esta reforma é também nazista! Ela tem a alma do Führer do III Reich, porque o Evanildo Bechara e os seus cúmplices nesse crime linguistico, não ouviram a opinião de comissões de escritores, professores, jornalistas, intelectuais, etc. Obrigaram todos nós a aceitá-la fascistamente, nazistamente. Tal ato de arbítrio levou o editor Jorge Michalany a enviar as seguintes palavras à revista “Agitação”, do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE):
“Até quando os experts da língua portuguesa irão parar de brincar com a gente? Na minha infância e adolescência – estou com 92 anos – seguíamos a lógica da ortografia etimológica, o que facilitava a compreensão do inglês e francês, por sinal, idiomas imutáveis. Mas no Brasil não se respeita a tradição, até na língua”.
Meu caro Michalany, antes a ortografia era de fato etimológica. Hoje é zoológica e do especial agrado dos que zurram, soltam coices e comem capim...
O Desacordo Ortográfico do Evanildo, além de exibir o seu caráter nazi-fascista, é também deficiente mental. Não unifica a língua portuguesa, separa os seus falantes. Tem regras que deviam ser internadas num manicômio, e com camisas-de-força.
Regra louca da debiloide: o trema é eliminado. Lingüiça (com trema) se transforma em linguiça (sem trema), e tranqüilo (também com trema) agora é tranquilo (sem trema). Entretanto os Bechara do Desacordo Ortográfico admitem o trema em nomes próprios estrangeiros e seus derivados. Por quê? Qual é a lógica? Absoluta incoerência! Legítimo atentado à prosódia!
As novas regras sobre o hífen equivalem ao caos, parecem o produto de uma arteriosclerose cerebral, do amolecimento dos miolos de um mijoso e baboso membro da Academia Brasileira de Letras.
Concluindo, saliento que usei neste artigo a grafia escárneo e não escárnio, pelo fato de ser a correta, utilizada por dois grandes escritores da língua portuguesa, Alexandre Herculano e o padre Antônio Vieira. Aqui no Brasil quem a usou foi o excelente gramático João Ribeiro.
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